Bono (; ) foi um estadista e general bizantino, um dos associados mais próximos do imperador Heráclio . Pouco se sabe sobre sua vida. Provavelmente esteve envolvido na campanha de Heráclio que derrubou o imperador Focas . Sua carreira é pouco conhecida, com apenas poucas menções nas fontes aos ofícios e títulos que lhe foram concedidos.
Ele é particularmente lembrado por seu papel desempenhado na guerra bizantino-sassânida de 602-628, durante a qual atuou como regente ao lado do patriarca . Também foi importante na defesa bem sucedida da capital imperial, Constantinopla, durante o cerco ávaro-persa de 626. A ele também se atribui a construção de uma das grandes cisternas da capital, à qual foi dado o seu nome.
thumb|upright=1.05|Soldo de Focas thumb|upright=1.05|Tremisse de Heráclio
Biografia
Pouco se sabe sobre as origens de Bono. No poema panegírico dedicado a ele em 626, Jorge de Pisídia o chamou de "companheiro em armas" do imperador Heráclio , quiçá implicando que o acompanhou quando partiu da África em 610 para derrubar Focas . Sabe-se também que teve um filho ilegítimo, João, que foi enviado como refém aos ávaros em 622. Naquele tempo, o Império Bizantino estava envolvido em conflito prolongado com seu maior antagonista oriental, o Império Sassânida. Ao longo dos vinte anos anteriores, os persas conseguiram várias vitórias e capturaram a maior parte do Levante bizantino. Em 622, após garantir a paz com os ávaros nos Bálcãs, Heráclio iniciou a campanha contra eles. Bono foi deixado em Constantinopla como o guardião dos seus filhos, junto com o patriarca . Na ausência de Heráclio em campanha nos anos seguintes, Bono atuou como o regente efetivo do Império Bizantino.
Os cargos exatos que ocupou são incertos: foi patrício, e nas fontes foi geralmente referido apenas como "o magistro". Embora tal título normalmente indique a posição do mestre dos ofícios, Teodoro Sincelo chama-o "o general" (estratego), talvez inferindo que teve o posto de mestre dos soldados na presença. A opinião acadêmica moderna está dividida entre os dois casos: a PIRT e Walter Kaegi suportam a última tese, enquanto John Haldon notadamente suporta a primeira.
thumb|esquerda|upright=1.05|Cerco de Constantinopla em 626 na Crônica de Constantino Manasses, thumb|esquerda|upright=1.05|Mapa da Constantinopla bizantina
Em 626, Heráclio obteve várias vitórias no Oriente e inverteu a situação estratégica a seu favor, mas o general sassânida Sarbaro continuava acampado com seu exército na Ásia Menor ocidental, perto de Constantinopla. Nesse momento, os persas chegaram a um acordo com os ávaros, elevando o risco de um cerco combinado da capital. Com tal objetivo, os persas avançaram, tomaram e arrasaram Calcedônia (atual distrito de Kadıköy em Istambul), e esperaram a chegada ávara. Heráclio, ciente da ameaça, decidiu não retornar em pessoa e em vez disso enviou conselhos e reforços para Bono, que reforçou as muralhas da cidade e armazenou provisões.
O exército ávaro chegou diante de Constantinopla em julho de 626. Propostas à rendição pelo grão-cã ávaro foram rejeitadas por Bono, e o cerco começou em 29 de julho. Bono era o comandante geral dos defensores. Nos primeiros cinco dias de cerco, enviou sucessivas embaixadas para tentar persuadir o grão-cã a se retirar, oferecendo dinheiro em troca. No quinto dia, os emissários bizantinos encontraram uma embaixada persa na tenda do grão-cã, fato que realçou o perigo que a cidade enfrentaria se os aliados ávaro-eslavos conseguissem transportar o exército persa sobre o estreito do Bósforo. Assim, no décimo dia do cerco, em 7 de agosto, Bono atraiu os eslavos para uma armadilha: os bizantinos descobriram que o sinal à frota eslava cruzar o estreito e se encontrar com as forças persas em Calcedônia seria uma grande fogueira. Os próprios bizantinos acenderam um farol em Blaquerna e, quando os eslavos faziam a travessia, a frota bizantina, posicionada no interior do Corno, navegou ao encontro deles, os atacou e derrotou.
Após a vitória e a repulsão dos ávaros das muralhas, Bono teve que conter as pessoas mais ansiosas da cidade, incluindo mulheres e crianças, que queriam sair correndo e capturar as armas de cerco do inimigo. Em vez disso, em 8 de agosto, os ávaros começaram a se retirar; Bono, o patrício Sérgio, e muitas pessoas foram ao Portão Dourado para assistir à retirada dos inimigos e à queima das torres de cerco, incendiadas pelos próprios ávaros. O irmão do imperador, Teodoro, chegou logo após comandando um exército e assumiu a condução dos assuntos na capital. Em seguida, no começo de maio de 627, Bono faleceu e foi enterrado em 11 de maio no mosteiro de Estúdio.
Cisterna de Bono
Bono construiu uma grande cisterna na cidade (), coberta com um teto abobadado, próximo ao local de sua casa, a nordeste da igreja dos Santos Apóstolos. Por essa razão, o imperador construiu um palácio lá, o "novo Palácio de Bono". Teófano, a primeira esposa de , também construiu uma igreja perto, a igreja de São Constantino da Cisterna de Bono, para onde seu corpo foi transferido, quiçá após o saque da cidade em 1204. Este complexo palaciano desempenhou papel central no ritual anual da celebração a , o fundador da cidade, em 21 de maio, com a família imperial se movendo do palácio para o mausoléu de Constantino na igreja dos Santos Apóstolos e retornando.
Bibliografia
Categoria:Nascidos no século VI Categoria:Bizantinos do século VI Categoria:Bizantinos envolvidos nas guerras bizantino-sassânidas Categoria:Mestres dos ofícios do Império Bizantino do século VII Categoria:Patrícios do Império Bizantino do século VII Categoria:Regentes bizantinos Categoria:Mestres dos soldados na presença do século VII Categoria:Guerras bizantino-ávaras Categoria:Guerra bizantino-sassânida de 602-628 Categoria:Mosteiro de Estúdio Categoria:Generais de Heráclio