miniaturadaimagem|Em 1826 Goiás foi homenageado como um ducado conferido a uma das filhas de D. Pedro I. A Província de Goyaz foi uma província do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, e posteriormente do Império do Brasil, tendo sido criada em 28 de fevereiro de 1821 a partir da Capitania de Goyaz. Atualmente a província corresponde ao Distrito Federal e aos estados de Goiás e do Tocantins, além de parte dos estados de Minas Gerais (Triângulo Mineiro) e de Mato Grosso do Sul.
História A História da Província de Goiás é marcada pela exaustão do ciclo do ouro e crescimento da concentração demográfica na porção sul (atual estado de Goiás) do território, acompanhando a transição para a atividade agropecuária. Ao longo de todo o século XIX, houve significativo crescimento econômico e tentativas de ampliar a infraestrutura de transportes da região com a navegação dos rios Araguaia e Tocantins.
Apesar do crescimento econômico, a concentração de riquezas entre os grandes proprietários de terras e escravos fez prevalecer uma situação de pobreza entre os habitantes médios das cidades goianas. No interior, vilas e arraiais menores apresentavam dificuldades em se expandir em meio à natureza indômita do cerrado.
A iniciativa de expansão a partir da circulação hidroviária também foi um fracasso, tanto por relativa indisposição do Império em financiar os investimentos nos projetos, como por obstáculos naturais (bancos de areia, pedras, cachoeiras e corredeiras) que dificultavam a navegação.
Economia da Província Ao longo do século XIX, a economia da província de Goiás estruturou-se a partir da coexistência de diferentes atividades econômicas, nas quais se combinavam peculiaridades regionais e dinâmicas nacionais de desenvolvimento.
Destacam-se quatro eixos fundamentais: a produção agrícola voltada ao abastecimento interno e a circulação de bens para subsistência da população goiana; a produção pecuária destinada à exportação; as transferências de recursos provenientes do Estado Imperial; e a arrecadação fiscal provincial.
As transferências financeiras do Estado Imperial desempenharam papel central na sustentação da estrutura administrativa e burocrática da província. Parte dos recursos gerados internamente era absorvida pelo aparelho administrativo local por meio da arrecadação fiscal, embora esta se mantivesse limitada, sendo insuficiente para cobrir plenamente as despesas provinciais. Tal arrecadação destinava-se, em grande medida, ao custeio de gastos administrativos básicos, como o pagamento de funcionários públicos, a amortização de dívidas e a realização das obras de infraestrutura.
Goiás na Guerra do Paraguai
thumb|left|350px|Expedição brasileira para Mato Grosso: Acampamento da divisão expedicionária nas matas virgens de Goiás, na altura do Rio dos Bois. Goiás teve grande papel durante a Guerra do Paraguai. A província foi bastante importante no auxílio e participação, enviando contingente humano e víveres. Inicialmente, Goiás, enviou um batalhão de caçadores, uma companhia de voluntários e um esquadrão de cavalaria para auxílio. Saíram da província em 24 de agosto de 1865, para Coxim. O esquadrão de cavalaria partiu no dia 18 de julho, sob comando de Joaquim Mendes Guimarães. No ano seguinte, partia da cidade de Goiás o Batalhão dos Voluntários da Pátria, sob o comando do coronel José Joaquim de Carvalho, seguindo para Miranda e Apa. Muito sofreram no pantanal com doenças, fome e privações.
As tropas Goianas chegaram no Paraguai em 1867, sob o comando do coronel Carlos Camisão. A tiros de artilharia, os goianos expulsaram o inimigo da região de Nioac. O Batalhão do 20, goiano, foi o primeiro a pisar no solo paraguaio e ali hasteou o pavilhão nacional. Daí em diante tomou o Forte de Bela Vista. A tropa, porém, já estava reduzida a 1700 praças; muitos mortos em combate outros pela epidemia de varíola e deserções.
Comandada pelo capitão dos Voluntários da Pátria, Vicente Miguel da Silva, de Bonfim de Goiás, o batalhão goiano participou da Retirada da Laguna. A tropa sofreu grandes baixas com o ataque inimigo a seguir, fazendo-os recuar ao território brasileiro, premidos pela fome e cólera.
A província foi muito participativa no envio de víveres ao campo de batalha, auxiliando a Guarda Nacional na guerra contra a fome. Os principais víveres enviados por Goiás foram farinha, arroz, feijão, toucinho, carne seca e outros (como rapadura e sacos de algodão).
Recrutamento Muitos cidadãos goianos e escravos, de diversas cidades, vilas e arrais de Goiás, foram recrutados para o Batalhão dos Voluntários da Pátria. Alguns sem a mínima condição de preparo bélico.
Dados de alguns recrutamentos em Goiás para a Guerra do Paraguai Cidade/Vila/ArraialQuantidade Santa Cruz de Goiás 29 Morrinhos 28 Curralinho 20 Santa Luzia 28 Vila Boa de Goiás (capital) 20 Dores do Rio Verde 20 Jaraguá 22 Formosa 24 Meia Ponte 28 Vai-Vem 20 Corumbá de Goiás 24 Bonfim 28
Escravidão e Movimento Abolicionista A primeira década do século XIX apresenta o maior número de manumissões de homens e mulheres da história de Goiás. Entretanto, após a elevação do Brasil ao status de vice-reino em 1815 esse número caiu para a quarta parte, com pequeno crescimento de libertações — sobretudo por meio das manumissões post mortem — às mulheres na década seguinte.
Curiosamente, o valor da alforria comprada pelo escravizado caiu no mesmo período, bem como o número absoluto de escravos registrados na região no primeiro quartel do século. Essa redução no número de escravizados persiste até o ano de 1855 (cinco anos após a proibição do tráfico negreiro), cerca de 10 mil escravizados. Em seguida, houve considerável crescimento da população escrava, tendência até o pico no ano de 1868 (15 mil escravizados) quando os números encolheriam novamente até o ano da abolição em 1888, com a mínima histórica de 4 mil escravizados.
Em 1875, havia um total de 17.175 de negros libertos, sendo 10.906 o número aproximado de negros escravizados. A população parda livre nesse mesmo ano contabilizava mais de 80 mil pessoas, o dobro do número de brancos.
Em Goiás, a luta abolicionista foi intensa a partir da década de 1870, com vigorosa participação de sociedades e irmandades que arrecadavam fundos para a libertação dos escravos, como a Sociedade Recreativa Emancipadora e a Sociedade Emancipadora Goiana. Destaque também para a sociedade abolicionista Servos de Cristo, criada por José do Patrocínio Marques Tocantins, filho de um escravo liberto falecido dias após seu nascimento, e importante agitador da imprensa abolicionista.O PUBLICADOR GOYANO: órgão dos interesses do povo. Goiás: Perseverança, 23 jun. 1888. p. 3 Disponível em: https://hemeroteca-pdf.bn.gov.br/716774/per716774_1888_00174.pdf. Acesso em: 16 dez. 2025."O movimento abolicionista em Goiás não ficou restrito as salas do palácio, contando com a participação de vários setores da sociedade civil, como a Loja Maçônica Asylo da Razão, os militares, os estudantes do Lyceu, os artistas da Sociedade Dramática que doavam a arrecadação de suas peças teatrais à causa abolicionista. A imprensa teve um importante papel na popularização do movimento, destacando principalmente os jornais A Tribuna Livre, O Libertador, O Goyaz, O Publicador Goyano." (ARRAIS; OLIVEIRA, 2025, p. 107)
Demografia
thumb|270px|direita|Município de Goiás em 1830.
População livre na Província de Goiás em 1872 Cor/RaçaQuantidade PorcentagemBrancos41.929 28,0% Caboclos4.250 2,9% Negros e Pardos103.564 69,1%Total149.743 100%
População de Goiás em 1856 e 1872 Categoria Ano Quantidade Porcentagem Ano Quantidade Porcentagem Escravo185612.33410,1%187210.6526,6%Livre1856109.658 89,9% 1872149.743 93,4% Total1856121.992100,00%1872160.395100,00%
Estatística do número de escravos em Goiás – 1823, 1864, 1872, 1874, 1884 e 188718231864187218741884188724.00015 00010.652 8 800 7 710 4 955
Número de estrangeiros livres em Goiás no ano de 1872 CategoriaNúmeroMulheres77Homens150Total227
Estimativa da população de Goiás em 1860William Scully (1868). Brazil. Londres: Trübner & company, pp. 146-147 Província Capital População Escravos Exércitopolícia Guarda Nacional GoiásScully, 1868: 215 Vila Boa 200.000 15.000 300 13.000
Governadores