O Museu do Centro Científico e Cultural de Macau (Museu de Macau) em Lisboa é o museu com a mais importante coleção de arte chinesa em Portugal. O museu foi criado para documentar as relações luso-chinesas e possui mais de 3.500 peças divididas por diversas tipologias como: porcelana, estatuária, trajes Chineses, lacas, peças de caráter utilitário e decorativo; materiais como terracota, têxteis e cerâmica.
O Museu é constituído por dois núcleos distintos e complementares: o núcleo sobre A Condição Histórico-cultural de Macau nos Séculos XVI e XVII; e o núcleo A Coleção de Arte Chinesa.
Os Núcleos do Museu Condição Histórico-cultural de Macau nos Séculos XVI e XVII (rés-de-chão) O primeiro núcleo, Condição Histórico-cultural de Macau nos Séculos XVI e XVII, remete para a atmosfera internacional da China Ming e para a fronteira intercultural Europa-China, criada com a cidade portuária de Macau, estando presentes alguns resultados da investigação sobre a história das relações luso-chinesas e a história de Macau:
Portugal e a China: os Inícios do Encontro ilustra as condições únicas que originaram a cidade de Macau, ao mesmo tempo que acompanha o crescente relacionamento dos portugueses com a China Ming e a circulação de interesses e informações do Mar da China para o Índico e o Atlântico. A Cidade Portuária mostra como a rede de interesses e de relações entre grupos de portugueses e chineses criou a necessidade e a possibilidade de uma cidade de serviços entre a Europa e a Ásia, entre a Ásia Oriental, o Índico e o Atlântico. A Ordem das Transferências ilustra o contacto com algumas das trocas ecológicas e tecnológicas que fazem de Macau um pólo de dinamização da Ásia Oriental e da Europa. Novos alimentos, instrumentos e medidas entram na China e na Europa através de Macau, que é, desde as origens, um dos pontos centrais na regular abertura e comunicação entre a Ásia Oriental e a Europa, entre ambas e o resto do mundo. Cristianismo e Cultura acentua o papel de Macau enquanto espaço de pluralidade religiosa com um sincretismo chinês de religiosidade popular, budismo, taoismo e confucionismo, acompanhado pelo cristianismo, com destaque para o papel do Colégio de São Paulo, o primeiro colégio universitário europeu na China. Neste piso destaca-se ainda um incrível modelo à escala 1/10 da “Nau do Trato”.
Coleção de Arte Chinesa (1º andar) O segundo núcleo do museu, Coleção de Arte Chinesa, abarca um período temporal de mais de 5000 anos de história e de arte. Das primeiras cerâmicas Neolíticas aos marfins do século XIX, toma-se também contacto com terracotas, bronzes, grés, porcelanas azul e branco, família verde, família rosa, brasonada e monogramada, porcelana de simbologia religiosa, cerâmica de Shek Wan, uma importante e significativa coleção de objetos para o fumo do ópio, China Trade, lacas, pintura de Escola Chinesa e Escola Europeia, com destaque para as vistas da baía da Praia Grande, leques, pratas trajes e uma significativa coleção de numismática.
Coleções O museu foi criado para documentar as relações luso-chinesas e possui mais de 3.500 peças divididas por diversas tipologias como: porcelana, estatuária, trajes Chineses, lacas, peças de caráter utilitário e decorativo; materiais como terracota, têxteis e cerâmica entre outras. Aceda a parte da coleção em acesso livre (com uma licença CC BY-SA 4.0) aqui. esquerda|miniaturadaimagem|439x439px|Urna (“hill-jar”) da dinastia Han na coleção do Museu
Bronzes O fabrico do bronze na china inicia-se na dinastia Xia (c. 2200 - 1766 a.C.) ligado aos ritos sacrificiais atingindo a sua auge na dinastia Shang (c. 1750 - 1050 a.C.) ligados aos ritos sacrificiais religiosos e ao culto dos antepassados.O principal motivo decorativo nos vasos rituais da dinastia Shang era o Taotie – máscara que lembra uma criatura animal não especificada, com olhos, ouvidos, boca, chifres e patas. No museu existe uma vaso "Guri" destinado à conservação do arroz e milho e de outros alimentos decorada com máscaras Taotie.
Entre as peças mais antigas do museu encontra-se um vaso ritual “Jue” do período da Dinastia Shang. O vaso ao destinado ao serviço do vinho “jué” dado que a sua forma se assemelhava a uma ave de bico largo cuja função é de verter o líquido e uma cauda, tam ainda duas asas e três pés.
Outra peça de bronze de destaque na coleção do museu é uma escultura de um dragão do período da dinastia Zhou do Leste (475 - 221 a.C.). O dragão é uma figura híbrida - uma composição de vários animais significando na sua origem a unificação da China dada que esta era inicialmente formada por várias regiões cada uma simbolizada por um animal.
Macau é um espaço de pluralidade religiosa com um sincretismo chinês de religiosidade popular, budismo, taoísmo, e confucionismo acompanhado pelo cristinanismo e por missionários católicos, em especial jesuítas que chegaram à Ásia em 1542.
Coleção de cerâmicas
As Primeiras Cerâmicas miniaturadaimagem|410x410px| Cão da dinastia Han na coleção do Museu A História da cerâmica chinesa remonta ao período Neolítico tendo a partir do 3º milénio a.C. sofrido um desenvolvimento assinalável sobretudo com o fabrico de recipientes destinados a cozinhar e guardar alimentos, taças para vinho e vasos rituais. À matéria-prima, o barro, são adicionadas substâncias orgânicas como conchas moídas, ervas e cascas de sementes para lhe dar maior consistência.
Deste período destaca-se da coleção do museu uma taça de fina textura em terracotta negra, também designada ”casca de ovo”, decorada no pé com fendas verticais e filetes horizontais.
Terracota O museu alberga uma importante coleção de cerâmicas de terracota chinesas desde da dinastia Han (202 a.C. - 220 d.C.) até à dinastia MIng (1368 d.C. - 1644 .d.C.)
Do período Han, destaca-se uma escultura de uma cabeça de cavalo cujos pormenores faciais revelam técnicas de modelação precisas e um grande interesse pela espécie equina. As coudelarias dos imperadores da dinastia Han aumentaram com a introdução de novas espécies que contribuíram para o fortalecimento da expansão do cavalo. O cavalo aparece ligado a um estatuto social elevado, conferindo ao seu possuidor um lugar privilegiado na sociedade.
É no período da Dinastia Tang (618 d.C. - 906 d.C.) que a cerâmica ganha destaque na vida quotidiana, apresentando formas e cores arrojadas. Assim surgem peças vidradas de uma só cor, brancas-azuis, amarelas ou castanhas, e também policromas combinando duas, três e quatro cores numa só peça designada ”sancai”. Do período Tang destacam-se, na coleção do museu, várias estatuetas funerárias destinadas a acompanhar na vida além-túmulo de vários membros da alta sociedade Chinesa com o propósito de afastar maus espíritos e de manifestar a sua categoria na hierarquia social. Estes objetos revelam aspectos da vida quotidiana e o enquadramento sócio-cultural do morto. Os objetos incluem servidores e dignitários, animais e utensílios domésticos e ainda figuras fantásticas cuja função reside na proteção e inviolabilidade da sepultura. esquerda|miniaturadaimagem|447x447px|Camelo da dinastia Tang na coleção do Museu O camelo de duas bossas foi importado para China a partir da região de Xiongnu e era utilizado como o animal da Rota de Seda que estabeleceu a ligação de Chang (capital da China durante a dinastia Tang) ao ocidente. No museu, existe uma destas peças que pela sua qualidade e detalhe revela a preocupação relativamente à rendição destes animais.
Grés Foi no final da dinastia Zhou (1027 a.C. - 256 a.C.) que se descobriu o grês, matéria resistente, impermeável e vitrificada em toda a sua espessura, de grão compacto com fractura brilhante.
Durante o período clássico na dinastia Song (960 - 1279) verificou-se um surto de progresso na sociedade chinesa que se refletiu ao nível cultural e na produção da cerâmica. Os objetos de grés tornaram-se mais finos e brancos atingindo assim o auge da perfeição com o vidrado e a cor a atingirem um elevado grau de qualidade. Ficou célebre o Céladon verde, pela sua textura, brilho, tonalidade e craquelée. A cerâmica produzida foi fruto de um sem número de fornos em funcionamento: onde os mais importantes eram Dingzhou, Longquan, Jingzhou, Cizhou, Jizhou.
Na coleção do museu, destacam-se um recipiente em grés com vidrado verde “yueyao” do período da dinastia Jin do Oeste (265-316), destinado a queimar incenso nos rituais fúnebres e nos templos fazendo parte das oferendas destinadas às divindades com o objetivo de afastar os maus espíritos. miniaturadaimagem|372x372px|Vaso em forma de leão, período Seis Dinastias, dinastia Jin do Oeste (265-316) na coleção do Museu Outra peça de destaque é um vaso em forma de leão do período da dinastia Jin do Oeste (265-316), segundo alguns autores trata-se de um castiçal usado nas sepulturas com a função de afugentar os demónios. Para outros, é um recipiente de tintas de escrever utilizado pelos letrados.
Porcelana Tecnicamente a porcelana é um produto fruto do aperfeiçoamento do grês, obtido graças ao emprego de uma argila plástica especial, o caulino, e de temperaturas de coação também especiais superiores a 1350 °C, que conferem à sua massa aspecto fino, translúcido, dureza e ausência de cor.
A primeira descrição conhecida no Ocidente sobre o fabrico de porcelana pertence ao português Duarte Barbosa no seu Livro das Coisas do Oriente. Mas o relato completo da técnica é de Frei Gaspar da Cruz no Tratado das Coisas da China.
A porcelana chinesa começou a ser produzida na dinastia Tang (618-906), sendo que o centro mais importante Hopeh no Hsing Chou tendo-se desenvolvido intensamente na dinastia Ming (1368-1644) com a descoberta do caulino atingindo a perfeição do em meados do século XIV. esquerda|miniaturadaimagem|370x370px|Escudela com tampa e pires da dinastia Qing, reinado de Xianfeng na coleção do Museu
Porcelana Azul e Branco O azul e branco vai constituir durante três séculos a maioria da produção das porcelana dos Sécs. XIV ao séc. XVIII. A idade de ouro do azul e branco é o reinado de Xuande (1426 - 1435). O principal centro de fabrico do Azul e Branco é Jingdezhen, sendo as principais peças de pequenas dimensões, com vidrado semelhante ao Qingbai e decoração em azul-cobalto sob azul lembrando a cerâmica Shufu.
No reinado de Jiaqing (1522 - 1566) começa a exportação regular de porcelana chinesa para a Europa através dos portugueses que irá perdurar até aos meados do séc. XVII, altura em que os holandeses substituirão os portugueses no mar do oriente. A porcelana será então transportada nas naus em grandes quantidades tornando-se num produto acessível à classe média europeia.
Com o aumento das encomendas no reinado de Wanli (1573 - 1620), a qualidade de exportação entra em declínio, surge então a loiça denominada “loiça de carraca” ou Kraak-porselein. Exportada a partir dos portos de Macau e Swatow, esta porcelana foi imitada em faiança em Portugal, Holanda, Inglaterra, Alemanha e Pérsia.
Uma das peças de destaque nesta coleção é um prato covo sob o vidrado estilo “swatow” do reinado de Wanti (1573 - 1620). Este prato apresenta-se moldado numa porcelana espessa e grosseira com elementos decorativos provavelmente inspirados em cartas geográficas onde figuram duas embarcações qsobre um mar encapelado com um monstro marinho semelhante a uma baleia, animal que se reproduz nos mares da China do Sul. miniaturadaimagem|349x349px|Prato covo da dinastia Ming, reinado de Wanli na coleção do Museu