thumb|269x269px|Bandeiras dos países nórdicos

O modelo nórdico (também chamado de socialismo nórdico ou social-democracia nórdicaNik Brandal, Øivind Bratberg, Dag Einar Thorsen. The Nordic Model of Social Democracy. Palgrave Macmillan, 2013. Swedish Government Resisting Calls for Saab Rescue. ThinkProgress, 2009) compreende as políticas econômicas e sociais dos países nórdicos (Dinamarca, Islândia, Noruega, Suécia e Finlândia). Essas políticas incluem um amplo e abrangente Estado de bem-estar social e negociações coletivas em vários níveis, com uma alta porcentagem da força de trabalho sindicalizada, baseando-se, ao mesmo tempo, nos fundamentos econômicos do capitalismo de livre mercado. O modelo nórdico começou a ganhar atenção após a Segunda Guerra Mundial.

Os países escandinavos eram todos monarquias, com a Finlândia e a Islândia se tornando repúblicas no século XX. Atualmente, os países nórdicos foram descritos como altamente democráticos. Embora existam diferenças significativas entre os países nórdicos, todos eles têm algumas características comuns. Entre elas, o apoio a um Estado universalista de bem-estar social, destinado especificamente a aumentar a autonomia individual e promover a mobilidade social; um sistema corporativista que envolve acordos em que representantes do trabalho e empregadores negociam salários e políticas de mercado de trabalho mediadas pelo governo; um compromisso com a propriedade privada (com algumas ressalvas), e uma economia mista com livre comércio.

Cada um dos países nórdicos tem seus próprios modelos econômicos e sociais, às vezes com grandes diferenças em relação aos seus vizinhos. Segundo dados de 2018, todos os países nórdicos têm uma classificação muito alta no Índice de Desenvolvimento Humano ajustado à desigualdade e no Índice Global da Paz. Em 2019, todos os cinco países nórdicos foram classificados nas dez primeiras posições do Relatório Mundial da Felicidade.

Características Publicações econômicas, tais como The Nordic Model - Embracing globalization and sharing risks, publicado pelo Research Institute of Finnish Economy de Helsinque, caracterizam o sistema da seguinte forma:

Uma elaborada rede de segurança social, além de serviços públicos, como educação pública e gratuita e assistência universal à saúde em um sistema amplamente financiado por impostos; Fortes direitos de propriedade, cumprimento de contratos e facilidade geral de fazer negócios; Planos públicos de previdência e aposentadoria; O livre comércio combinado com o compartilhamento coletivo de riscos (programas sociais, instituições do mercado de trabalho), que têm fornecido uma forma de proteção contra os riscos associados à abertura econômica; Pouca regulamentação do mercado de produtos. Os países nórdicos têm uma classificação muito alta na liberdade do mercado de produtos, de acordo com as classificações da OCDE; Baixos níveis de corrupção. No Índice de Percepção de Corrupção de 2015 da Transparência Internacional, Dinamarca, Finlândia, Suécia e Noruega foram classificadas entre os 10 primeiros menos corruptos dos 167 países avaliados; Alta porcentagem de trabalhadores pertencentes a um sindicato. Em 2013, a taxa de trabalhadores sindicalizados era de 88% na Islândia, 69% na Dinamarca, 67% na Suécia, 66% na Finlândia e 51% na Noruega. Em comparação, a densidade sindical foi de 18% na Alemanha, 11% nos Estados Unidos e 8% na França. No Brasil, em 2012, a taxa era de 17% entre a população economicamente ativa. A menor densidade sindical na Noruega é explicada principalmente pela ausência de um sistema de Ghent (um acordo existente em alguns países, em que a principal responsabilidade pelos pagamentos de assistência social, especialmente as formas de proteção no desemprego, é realizada por sindicatos, em vez de uma agência governamental) desde 1938. Por outro lado, Dinamarca, Finlândia e Suécia possuem fundos de proteção no desemprego administrados por sindicatos; Uma parceria entre empregadores, sindicatos e o governo, por meio do qual esses parceiros sociais negociam os termos para regular o local de trabalho entre si, em vez dos termos impostos por lei. A Suécia descentralizou a coordenação salarial, enquanto a Finlândia é classificada como a menos flexível. As condições econômicas em mudança deram origem ao medo entre os trabalhadores, bem como à resistência dos sindicatos em relação às reformas. Ao mesmo tempo, reformas e desenvolvimento econômico favorável parecem ter reduzido o desemprego, que tradicionalmente tem sido mais alto. O Partido Social-Democrata da Dinamarca conseguiu avançar com as reformas em 1994 e 1996, durante o governo do primeiro-ministro Poul Nyrup Rasmussen (ver flexigurança); O Relatório Mundial da Felicidade divulgado pelas Nações Unidas mostrou por vários anos que as nações mais felizes estão concentradas no norte da Europa. Os nórdicos foram os mais bem classificados nas métricas do PIB real per capita, expectativa de vida saudável, ter alguém com quem contar, liberdade percebida para fazer escolhas de vida, generosidade e liberdade contra a corrupção. Os países nórdicos estão entre os 10 melhores do Relatório Mundial de Felicidade de 2018, com a Finlândia e a Noruega entre os primeiros lugares; Os países nórdicos receberam a classificação mais alta por proteger os direitos dos trabalhadores no Índice de Direitos Globais da Confederação Sindical Internacional de 2014, com a Dinamarca sendo o único país a receber uma pontuação perfeita; A Suécia, com 56,6% do PIB, a Dinamarca, com 51,7% e a Finlândia, com 48,6%, refletem gastos públicos muito altos. Uma das principais razões para os gastos públicos é o grande número de funcionários públicos. Esses funcionários trabalham em vários campos, incluindo educação, saúde e para o próprio governo. Eles geralmente têm maior segurança no emprego e representam cerca de um terço da força de trabalho (mais de 38% na Dinamarca). Os gastos públicos em transferências sociais, como benefícios de desemprego e programas de aposentadoria antecipada, são altos. Em 2001, os subsídios de desemprego baseados em salários representavam cerca de 90% do salário na Dinamarca e 80% na Suécia, em comparação com 75% nos Países Baixos e 60% na Alemanha. Os desempregados também foram capazes de receber benefícios vários anos antes das reduções, em comparação com a rápida redução de benefícios em outros países. Os gastos públicos em saúde e educação são significativamente maiores na Dinamarca, Suécia e Noruega em comparação com a média da OCDE; A carga tributária geral (como porcentagem do PIB) está entre as mais elevadas do mundo: Suécia (44,1%), Dinamarca (45,9%) e Finlândia (44,1%). Em comparação, a carga tributária do Brasil é de 33,58% e a do Reino Unido é de 32,6%. Os países nórdicos têm alíquotas de impostos relativamente fixas, o que significa que mesmo aqueles com renda média e baixa são tributados em níveis relativamente altos.

Aspectos

Política do mercado de trabalho Os países nórdicos compartilham políticas ativas do mercado de trabalho como parte de um modelo econômico corporativista destinado a reduzir o conflito entre o trabalho e os interesses do capital. O sistema corporativista é mais amplo na Suécia e na Noruega, onde federações de empregadores e representantes trabalhistas negociam em nível nacional mediado pelo governo. As intervenções no mercado de trabalho visam proporcionar reciclagem e realocação no trabalho.

O mercado de trabalho nórdico é flexível, com leis que tornam mais fácil para os empregadores contratar e demitir trabalhadores ou introduzir tecnologia de economia de trabalho. Para mitigar o efeito negativo sobre os trabalhadores, as políticas do mercado de trabalho do governo são projetadas para proporcionar bem-estar social generoso, reciclagem e realocação de empregos para limitar quaisquer conflitos entre capital e trabalho que possam surgir nesse processo.

Sistema econômico O modelo nórdico é sustentado por um sistema econômico capitalista de livre mercado que apresenta altos graus de propriedade privada, com exceção da Noruega, que inclui um grande número de empresas públicas e participação do Estado em empresas de capital aberto.

O modelo nórdico é descrito como um sistema de capitalismo competitivo combinado com uma grande porcentagem da população empregada pelo setor público (aproximadamente 30% da força de trabalho). Em 2013, a The Economist descreveu os países nórdicos como "fortes comerciantes livres que resistem à tentação de intervir até para proteger empresas icônicas", enquanto também procuravam maneiras de atenuar os efeitos mais severos do capitalismo e declaravam que os países nórdicos "são provavelmente os melhores governados no mundo". Alguns economistas se referiram ao modelo econômico nórdico como uma forma de capitalismo "fofinho", com baixos níveis de desigualdade, estados de bem-estar generosos e concentração reduzida de rendimentos superiores e o contrastam com o capitalismo mais "cruel" dos Estados Unidos, que apresenta altos níveis de desigualdade e uma maior concentração de rendimentos superiores.

A partir da década de 1990, a economia sueca adotou reformas neoliberais que reduziram o papel do setor público, levando ao crescimento mais rápido da desigualdade em qualquer economia da OCDE. No entanto, a desigualdade de renda da Suécia ainda permanece menor do que a maioria dos outros países.

Particularidades da Noruega O Estado da Noruega possui participação em muitas das maiores empresas listadas em bolsa do país, detendo 37% da Bolsa de Valores de Oslo e operando as maiores empresas não-listadas no país, incluindo a Equinor e Statkraft. A The Economist relata que "após a Segunda Guerra Mundial, o governo nacionalizou todos os interesses comerciais alemães na Noruega e acabou detendo 44% das ações da Norsk Hydro. A fórmula de controlar os negócios através de ações, em vez de regulamentação, parecia funcionar bem; portanto, o governo a utilizava sempre que possível. 'Nós inventamos a maneira chinesa de fazer as coisas antes dos chineses', diz Torger Reve, da Norwegian Business School".

O governo também opera um fundo soberano de riqueza, o Fundo Estatal de Pensões do Governo da Noruega - cujo objetivo parcial é preparar a Noruega para um futuro pós-petróleo, mas "de maneira incomum entre os países produtores de petróleo, é também um grande defensor dos direitos humanos - e poderoso, graças ao controle do Prêmio Nobel da Paz".

A Noruega é a única grande economia do Ocidente em que as gerações mais jovens estão ficando mais ricas, com um aumento de 13% na renda disponível para 2018, contrariando a tendência observada em outras nações ocidentais da Geração Y, ficando mais pobres do que as gerações anteriores.

Modelo nórdico de bem-estar social O modelo de bem-estar social nórdico refere-se às políticas de bem-estar dos países nórdicos, que também se vinculam às políticas do mercado de trabalho. O modelo nórdico de bem-estar se distingue de outros tipos de Estados de bem-estar social por sua ênfase em maximizar a participação da força de trabalho, promover a igualdade de gênero, níveis igualitários e de benefícios extensivos, a grande magnitude da redistribuição de renda e o uso liberal da política fiscal expansionista.Esping-Andersen, G. (1991). The three worlds of welfare capitalism. Princeton, NJ: Princeton University Press.

Embora existam diferenças entre os países nórdicos, todos compartilham um amplo compromisso com a coesão social, uma natureza universal da provisão de bem-estar, a fim de salvaguardar o individualismo, fornecendo proteção a indivíduos e grupos vulneráveis na sociedade e maximizando a participação pública na tomada de decisões sociais. É caracterizada pela flexibilidade e abertura à inovação na provisão de bem-estar. Os sistemas de bem-estar nórdicos são financiados principalmente através de impostos.