Axi () (Rabino Axi) (Babilônia, 352 – 427) foi um rabino judeu babilônico, da sexta geração dos amoraítas (comentadores da Lei oral). Ele restabeleceu a Academia de Sura e foi o primeiro editor do Talmude babilônico.Hans Erler: Judentum verstehen / Die Aktualität jüdischen Denkens von Maimonides bis Hannah Arendt, editora Campus, Frankfurt am Main, 2002, página 38
A pronúncia original de seu nome pode ter sido Asheh, conforme sugerido pela rima de seu nome com “Mosheh” nos escritos de Maimônides,Em Iggeret Teiman e por uma possível rima com a palavra mikdashei () no próprio Talmude.
Biografia thumb|300px|Uma representação de Axi ensinando na Academia de Sura Segundo uma tradição preservada nas academias, Axi nasceu no mesmo ano em que Rabá (o grande mestre de Maoza) morreu,Kiddushin 72b e foi o primeiro mestre importante nas Academias judaicas na Babilônia após a morte de Rabá. Simai, pai de Axi, era um homem rico e erudito, aluno da faculdade de Narexe, perto de Sura, dirigida pelo rabino Papa, discípulo de Rabá. O professor de Axi foi o rabino Kahana III, membro da mesma faculdade, que mais tarde se tornou presidente da academia em Pumbedita. Axi casou-se com a filha de Rami bar Hamá,Beitzah 29b; no entanto, segundo Aharon Heimann (Toldot Tanaaim veAmoraim), trata-se de um erro de impressão. ou de Rami bar Aba, segundo outros textos.Hullin 111a
Axi era rico e influente, possuindo muitas propriedades e florestas.Moed Kattan 12b; Nedarim 62b O Talmude o cita como um exemplo de “Torá e grandeza combinadas em um só lugar”, ou seja, ele possuía tanto realizações acadêmicas quanto autoridade política,Gittin 59a; Sanhedrin 36a e tinha autoridade até mesmo sobre o exilarca Huna bar Natan.
Ascensão de Sura Ainda jovem, Axi tornou-se diretor da Academia de Sura, tendo seu vasto conhecimento sido reconhecido pelos professores mais experientes. A instituição estava fechada desde a morte de Hisdá (309), mas, sob a liderança de Axi, voltou a ser o centro intelectual dos judeus da Babilônia. Axi também contribuiu para sua grandeza material, reconstruindo a academia e a sinagoga a ela ligada em Mata Mehasya, sem poupar despesas e supervisionando pessoalmente a reconstrução.Talmude Babilônico (Shabbat 11a; Baba Bathra 3b) Como resultado direto da fama de Axi, o exilarca vinha anualmente a Sura no mês seguinte ao Rosh Hashaná para receber as homenagens dos representantes reunidos das academias e congregações babilônicas. Essas festividades e outras convenções em Sura eram tão esplêndidas que Axi expressou sua surpresa pelo fato de alguns dos residentes gentios de Sura não se sentirem tentados a aceitar o judaísmo.Berachot 17b
Sura manteve a proeminência que lhe foi conferida por Axi por vários séculos, e somente durante os dois últimos séculos do período gaonita é que Pumbedita voltou a ser sua rival. O filho de Axi, Tabiomi (conhecido como Mar bar Rav Axi), era um estudioso reconhecido, mas somente em 455, 28 anos após a morte de seu pai, ele assumiu o cargo que seu pai havia ocupado com tanto sucesso por mais de meio século.
Compilação da Guemará Sua personalidade imponente, seu prestígio acadêmico e sua riqueza são suficientemente evidenciados pelo ditado, então em voga, de que, desde os dias do rabino Judá, o Príncipe, o conhecimento e a distinção social nunca estiveram tão unidos em uma única pessoa como em Axi. De fato, assim como Judá, o Príncipe, compilou e editou a Mixná; Axi dedicou a obra de sua vida a reunir e editar, sob o nome de Guemará, as explicações da Mixná que vinham sendo ensinadas nas academias babilônicas desde os tempos de Abá Aricá, juntamente com todas as discussões a elas relacionadas e todo o material haláquico e agádico abordado nas escolas.
Juntamente com seus discípulos e os estudiosos que se reuniram em Sura para a kallah, ou conferência semestral da faculdade, ele concluiu essa tarefa. A atitude benevolente do rei Isdigerdes I, bem como o reconhecimento dedicado e respeitoso de sua autoridade pelas academias de Neardeia e Pumbedita, favoreceram grandemente o empreendimento. Um elemento particularmente importante para o sucesso de Axi foi a duração de seu mandato como diretor da Academia de Sura. Conforme uma tradição transmitida por Hai ben Xerira, ele ocupou o cargo por 60 anos, embora, considerando que viveu aproximadamente 75 anos, seja possível que esse número tenha sido arredondado para cima. Segundo a mesma tradição, esses 60 anos foram distribuídos de forma tão simétrica que cada tratado exigia seis meses (incluindo uma única kallah) para o estudo de sua Mixná e a redação das exposições tradicionais da mesma (Guemará), totalizando 30 anos para os 60 tratados. O mesmo processo se repetiu nos 30 anos seguintes. De fato, o próprio Talmude menciona uma versão anterior e uma posterior dos ensinamentos de Axi sobre pelo menos um assunto.
Além disso, o próprio Talmude não contém a menor indicação da atividade que Axi e sua escola exerceram nesse campo por mais de meio século. Nem mesmo se esse trabalho editorial foi registrado por escrito e, portanto, se a transcrição do Talmude Babilônico ocorreu sob a liderança de Axi ou não, pode ser respondido a partir de qualquer afirmação no Talmude. É, no entanto, provável que a fixação do texto de uma obra literária tão abrangente não pudesse ter sido realizada sem o auxílio da escrita. Axi frequentemente apresenta comentários no final de amplas discussões talmúdicas, ocasionalmente oferecendo conclusões para questões que permaneciam sem solução até aquele momento.
O trabalho iniciado por Axi foi continuado nas duas gerações seguintes e concluído por Ravina II, outro presidente da escola de Sura, que faleceu em 499. À obra deixada por Ravina, os savorains fizeram apenas pequenas adições. A uma dessas adições — aquela a uma antiga declaração relativa ao Livro de Adão, o Primeiro Homem —, está anexada a seguinte afirmação: “Axi e Ravina II são os últimos representantes da decisão independente (hora'ah)”, uma referência evidente ao trabalho desses dois na edição do Talmude Babilônico, que, como objeto de estudo e fonte de “decisão” prática, viria a ter a mesma importância para as gerações futuras que a Mixná havia tido para os amoraítas.
Ensinamentos Um Talmid Chakham (título honorífico concedido a um homem que domina bem a lei judaica) que não seja forte como o ferro não é um Talmid Chakham.Taanit 4a Quem for arrogante está manchado.Megillah 29a thumb|150px|Entrada do túmulo do rabino Axi no Monte Xanam, nas montanhas da Galileia, na fronteira entre o Líbano e Israel
Túmulo do rabino Axi Alguns judeus ultraortodoxos da seita chassídica Breslov acreditam que o rabino Axi está enterrado em um local situado no Monte Xanam, no Líbano, na fronteira com Israel, com vista para o kibutz Manara.
A população local libanesa contesta isso, pois acredita que um clérigo xiita muçulmano do século XVI chamado xeique Abadá está enterrado ali. O xeique Abadá é considerado um dos fundadores do movimento xiita no Líbano.
Em maio de 2000, quando Israel se retirou do sul do Líbano, após a ocupação israelense do sul do Líbano (1982–2000), o principal obstáculo que impedia o envio das forças de paz das Nações Unidas (UNIFIL) ao longo da fronteira era a atribuição desse local disputado. Essa foi uma das últimas questões a ser resolvida entre o Estado de Israel e o Líbano. Uma opção era erguer uma barricada ao redor do túmulo para impedir que muçulmanos e judeus visitassem o local. Após o traçado da Linha Azul pelas Nações Unidas, a cerca de fronteira atravessa o meio do túmulo disputado.
Em fevereiro de 2025, durante o frágil cessar-fogo entre Israel e o Líbano após a invasão israelense do Líbano, veio a público que um grupo de israelenses haredi entrou em território libanês para chegar ao suposto túmulo, realizou obras no local e o cercou. Eles tentaram transformá-lo em um local de oração e culto. Não foi especificado quando eles entraram nem quanto tempo permaneceram no Líbano.
Bibliografia Adin Steinsaltz, Rav Achi, em Personnages du Talmud, páginas 181-189, editora Pocket, ISBN 2-266-11129-9 Carta de Xerirá ben Haniná; Jehiel ben Solomon Heilprin, Seder HaDoroth; Abraão Zacuto, YuḦasin; Isaac Hirsch Weiss, iii. 208 et seq.; Wilhelm Bacher, Agada der Babyl. Amoräer, p. 144.
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