The Heart of a Woman é uma autobiografia da escritora americana Maya Angelou lançada em 1981. O livro é o quarto volume da série de sete obras autobiográficas. The Heart of a Woman relata eventos de sua vida entre os anos de 1957 a 1962, e segue suas viagens para a Califórnia, Nova Iorque, Cairo e Gana enquanto ela cria seu filho adolescente, até se tornar uma autora publicada e ativa no movimento pelos direitos civis dos negros ao ter um envolvimento amoroso com um lutador anti-apartheid sul-africano. Uma das temáticas mais importantes do livro é a maternidade, no qual a escritora abordou esse processo desde o nascimento da criança até seu ingresso na faculdade. Por fim, a obra termina com Angelou ansiosa por sua recém-descoberta da independência e liberdade.
Tal qual aos volumes anteriores, esta obra foi descrita como ficção autobiográfica pela crítica, apesar de a autora tê-la caracterizado como autobiografia. Além disso, embora os especialistas de literatura consideram a primeira autobiografia da escritora, intitulada I Know Why the Caged Bird Sings, como mais notabilizada, The Heart of a Woman recebeu críticas positivas. Foi escolhida como parte do clube de livros Oprah's Book Club em 1997.
A crítica Mary Jane Lupton diz que a obra tem "uma estrutura narrativa insuperável na autobiografia americana" e que é a autobiografia "mais introspectiva" da autora. O título é tirado de um poema da poetisa Georgia Douglas Johnson, figura importante do Renascimento do Harlem, o qual conecta Angelou com outras escritoras afro-americanas. O crítico de literatura afro-americana Lyman B. Hagen afirma: "Fiel aos temas contínuos de sobrevivência, senso de identidade e educação continuada, The Heart of a Woman move suas figuras centrais para um ponto de plena personalidade". O livro segue a história dela em vários lugares nos Estados Unidos e na África, mas a viagem mais importante que ela descreve é "uma viagem a mim mesma".
Antecedentes The Heart of a Woman, publicado em 1981, é o quarto volume da série de sete autobiografias de Maya Angelou. O sucesso de suas autobiografias anteriores e a publicação de três volumes de poesia já haviam-lhe trazido uma notabilidade considerável em 1981. And Still I Rise, seu terceiro volume de poesia, publicado em 1978, reforçara seu sucesso como escritora. Seu primeiro volume de poesia, Just Give Me a Cool Drink of Water 'fore I Diiie (1971), foi indicado ao Prêmio Pulitzer.
O escritor Julian Mayfield afirma que o trabalho de Angelou criou um precedente não apenas para outras escritoras negras, mas para o gênero de autobiografia como um todo. A autora tornou-se reconhecida e altamente respeitada como porta-voz de negros e mulheres através da escrita de suas histórias de vida. Isso a destacou, conforme as palavras da acadêmica Joanne Braxton, "sem dúvida (...) A autobiógrafa negra mais visível da América." Braxton, Joanne M. (1999). "Symbolic Geography and Psychic Landscapes: A Conversation with Maya Angelou". In Joanne M. Braxton, Maya Angelou's I Know Why the Caged Bird Sings: A Casebook (em inglês). New York: Oxford University Press, p. 4. . É considerada uma das primeiras escritoras afro-americanas a discutir publicamente sua vida pessoal e uma das primeiras a usar a si mesma como personagem central em seus livros. A escritora Hilton Als a descreve como pioneira da autoexposição, disposta a se concentrar honestamente nos aspectos mais negativos de sua personalidade e escolhas. Enquanto escrevia sua segunda autobiografia, Gather Together in My Name, Angelou estava preocupada com a forma como seus leitores reagiriam à sua revelação de que tinha sido uma prostituta. Seu marido, Paul Du Feu, convenceu-a a publicá-la, encorajando-lhe "dizer a verdade como escritora" e "ser honesta sobre isso".
Em 1957, ano que marcou sua história de vida contada em The Heart of a Woman, Angelou apareceu em uma teatro de revista off-Broadway que inspirou seu primeiro filme, Calypso Heat Wave, no qual cantou e interpretou suas próprias composições, algo que ela não menciona em seu livro. Naquele mesmo ano, também não foi abordado o lançamento de seu primeiro álbum, Miss Calypso; posteriormente, foi relançado como um CD em 1995.Angelou, Maya (1993), Wouldn't Take Nothing for My Journey Now (em inglês). New York: Random House, p. 95. . De acordo com Als, Angelou cantou e tocou o gênero musical Calipso porque era popular na época, e não para se desenvolver como artista. Conforme descrito em The Heart of a Woman, eventualmente desistiu de se apresentar para seguir a carreira de escritora e poeta. De acordo com Chuck Foster, que escreveu o encarte de álbum do relançamento de Miss Calypso em 1995, sua carreira musical de calipso é "desconsiderada" e descartada no livro.
Título do livro O coração quebrado de uma mulher é como o raiar do dia, Age igual uma gaivota sozinha, voa lentamente, e fica caladinha,Longe dos amores, não há dores, ela procura um mar,<br/ />No barulho desses ecos, a gaivota clama por um lar.<br/ />
O coração quebrado de uma mulher é como uma noite aterrorizante,Se sente presa numa gaiola alienígena que a deixa angustiante,Ela tenta esquecer que sonhou com as estrelas,Enquanto quebra todas as suas poucas certezas. — "The Heart of a Woman", por Georgia Douglas Johnson.Johnson, Georgia Douglas (1922). "The Heart of a Woman". In James Weldon Johnson (ed.), The Book of American Negro Poetry (em inglês). New York: Harcourt, Brace, and Company. . Acesso em 16 de janeiro de 2014.
O título de sua quarta autobiografia é inspirado por meio de um poema de Georgia Douglas Johnson, uma escritora notável pelo Renascimento do Halem. O crítico Lyman B. Hagen afirma que, embora o título seja "menos impressionante ou oblíquo do que os títulos de seus livros anteriores", é apropriado porque o poema de Johnson menciona um pássaro engaiolado e fornece uma conexão com a primeira autobiografia de sua autoria, cujo título foi retirado de um poema de Paul Laurence Dunbar. A nomenclatura sugere a dolorosa solidão da autora expõe um dilema espiritual também presente em seu primeiro volume.Tinnie, Wallis (2002). "Maya Angelou". In Carolyn Perry and Mary Louise Peaks. The History of Southern Women's Literature (em inglês). Baton Route, Louisiana: Louisiana State University Press. p. 521. . O uso da metáfora por Johnson têm uma conotação distinta de Dunbar, uma vez seu pássaro é uma fêmea, cujo isolamento é sexual, e não racial. No ponto de vista de James R Saunders, o pássaro engaiolado também pode se referir ao pós-casamento fracassado de Maya Angelou, mas a escritora Mary Jane Lupton alega que "a autora de The Heart of a Woman é muito forte e autodeterminada para ser mantida em uma gaiola".
The Heart of a Woman também mostra que é a primeira vez no qual ela se identifica com outra escritora afro-americana. Suas primeiras influências literárias foram homens como James Weldon Johnson, Paul Laurence Dunbar e William Shakespeare. Angelou afirmou que sempre admirou mulheres escritoras tais quais Anne Spencer, Jessie Fauset, Nella Larsen e Zora Neale Hurston. A escolha do título para este livro é um reconhecimento de seu legado como escritora negra.
Sinopse esquerda|miniaturadaimagem|267x267px|Angelou desenvolveu sua obra para Martin Luther King Jr., na Conferência de Liderança Cristã do Sul Os acontecimentos registrados em The Heart of a Woman ocorreram entre 1957 e 1962, começando logo após o final da autobiografia anterior, Singin' and Swingin' e Gettin' Merry Like Christmas. Angelou e seu filho adolescente, Guy, mudaram-se para uma comuna em Sausalito, na Califórnia. Depois de um ano, eles se mudam para uma casa alugada perto de San Francisco. A cantora Billie Holiday visita ambos e canta "Strange Fruit", sua notável canção sobre o linchamento de homens negros, para Guy. Ela diz a Angelou: "Você vai ser conhecida. Mas não será para cantar." Em 1959, os dois se mudaram para Nova Iorque. A transição foi difícil para ele, e a mãe foi forçada a protegê-lo de um líder de gangue. Não mais satisfeita em se apresentar em boates, ela se dedica à atuação, à escrita, à organização política e ao filho. Seu amigo, o romancista John Killens, a convida para se juntar ao Harlem Writers Guild. Também conheceu outros importantes artistas e escritores afro-americanos como James Baldwin, que se tornaria seu mentor. Posteriormente, tornaria-se uma escritora com obras publicadas pela primeira vez.
Angelou tornou-se mais ativa politicamente e participou de comícios de protesto afro-americanos e africanos, inclusive ajudando a organizar um protesto na Organização das Nações Unidas após a execução de Patrice Lumumba, o primeiro-ministro deposto da República Democrática do Congo. Ela conhece o ativista Malcolm X e fica impressionada com sua boa aparência e magnetismo. Depois de ouvir Martin Luther King Jr. falar, na presença do amigo dela, o ativista Godfrey Cambridge, os dois foram inspirados a produzir um evento de angariação de fundos bem-sucedido para a Conferência de Liderança Cristã do Sul de King (abreviado do inglês: SCLC), intitulado Cabaret For Freedom. King a escolheu como sua coordenadora de escritório da SCLC em Nova Iorque. Diante disso, atuou na peça The Blacks, de Jean Genet, ao lado de outros nomes como Roscoe Lee Brown, James Earl Jones e Cicely Tyson.
Em 1961, Angelou conhece o lutador da liberdade, o sul-africano Vusumzi Make. Embora nunca tenha se casado com ele, ela e seu filho mudaram-se com Make para Londres e Cairo, onde atuou como sua esposa política enquanto ele estava no exílio. O relacionamento deles é cheio de conflitos culturais; ele imaginava uma esposa africana submissa, enquanto ela preferia a liberdade de uma mulher trabalhadora. Nesse contexto, após descobrir que Make é muito amigável com outras mulheres e irresponsável em lidar com dinheiro, optou por aceitar um cargo de editora assistente no Arab Observer. Seu relacionamento é observado pelos seus amigos, ocasionando-se pela separação. Posteriormente, ao receber um convite de emprego na Libéria, viajou com seu filho para Accra, onde ele conseguiu ingressar na faculdade. Guy fica gravemente ferido em um acidente automobilístico, então ela começa a trabalhar na Universidade de Gana e permanece lá enquanto ele se recupera. The Heart of a Woman termina com Guy indo para a faculdade e a escritora comentando consigo mesma: "Finalmente, poderei comer o peito inteiro de um frango assado sozinha".
Gênero literário Todos os sete capítulos da história de vida de Angelou seguem a tradição da autobiografia afro-americana. Começando com I Know Why the Caged Bird Sings, a escritora desafia a estrutura usual da autobiografia criticando, mudando e expandindo o gênero. Em 1989, ela afirmou que é a única escritora séria a escolher a autobiografia para se expressar, mas relata não a história de uma única pessoa, mas do coletivo.Gilbert, Susan (1999). "Paths to Escape". In Joanne M. Braxton. Maya Angelou's I Know Why the Caged Bird Sings: A Casebook (em inglês). New York: Oxford University Press, pp. 104–105. . O acadêmico Selwyn R. Cudjoe acrescenta que a autora representa, na convenção da autobiografia afro-americana, como um gesto público que fala em prol de um grupo inteiro de pessoas. Seu uso de dispositivos comuns na escrita ficcional, como diálogo, caracterização e desenvolvimento temático, levou alguns críticos a categorizar seus livros como uma ficção autobiográfica.