Lavatera arborea, commumente conhecida como malvaísco (não confundir com a Althaea officinalis, que consigo partilha este nome) e malva-arbórea, é uma espécie de planta com flor, pertencente à família das Malváceas e ao tipo fisionómico dos hemicriptófitos.
Descrição Trata-se de uma planta arbustiva perene.
Tem caules robustos, ramosos e lenhosos na base, que podem medir entre 2 a 3 metros de altura, sendo que, em locais de influência marítima, costumam apresentar menores dimensões.
Do que toca às folhas e aos cálices, mostram-se sensivelmente revestidos de pêlos macios, em forma de estrela. As folhas têm o limbo verde, membranáceo e as margens apresentam um formato dentado-crenado.
Quanto ao pecíolo das folhas inferiores, este é mais largo do que o limbo, ao passo que o pecíolo das folhas medianas e superiores, por seu turno, já é mais largo ou subigual. As estípulas são caducas e exibem formato ovado-lanceolado e agudo.
As flores, por sua vez, destacam-se pela corola de 5 pétalas lilases, com nervuras e base arroxeada, sendo ligeiramente emarginadas. Além disso, agrupam-se em conjuntos de 2 a 7 exemplares, dispostos em fascículos axilares.
Do que toca ao cálice, este conta com sépalas de formato triangular e agudo, que se volvem coniventes na frutificação. Relativamente ao epicálice, encontra-se significativamente dividido em segmentos de 8 a 10 milímetros, de feitio suborbicular ou ovado-oblongo, cujas dimensões ultrapassam as do cálice, enquanto a planta ainda é jovem.
Do que concerne ao fruto, é múltiplo, composto por aquénios separáveis na maturação, de aspecto rugoso, que tanto podem ser glabros ou tomentosos.
Distribuição Encontra-se presente na orla Mediterrânica e na Europa Ocidental, até à Irlanda.Flora Europaea: Lavatera arboreaBotanica. The Illustrated AZ of over 10000 garden plants and how to cultivate them p. 514. Könemann, 2004. ISBN 3-8331-1253-0 Está naturalizada na África Austral e nalguns pontos do NorteCalFlora: Information on California plants for education, research and conservation; Abrams, L. 1960. An illustrated flora of the Pacific States; Hickman, J.C. (ed.). 1993. The Jepson manual; Specimen Management System for California Herbaria (SMASCH). e do Sul do continente americano.
Marca, ainda, presença na Macaronésia, salvo no arquipélago de Cabo Verde.
Portugal Trata-se de uma espécie presente no território português, nomeadamente em Portugal Continental no Arquipélago dos Açores e no Arquipélago da Madeira..
Mais concretamente, do que toca a Portugal continental, encontra-se presente nas zonas do Noroeste ocidental; Terra Quente Transmontana, todas as zonas do Centro-Oeste, salvo o Centro-Oeste Olissiponense; no Sudoeste setentrional; no Sudoeste meridional; no Barrocal Algarvio e nas Berlengas.
Em termos de naturalidade é nativa de Portugal Continental e introduzida nos Arquipélago dos Açores e da Madeira. Ecologia Trata-se de uma espécie ruderal, que medra ermos sáfaros, taludes, nas orlas de caminhos, em arribas, atoleiros e junto à beira mar, privilegiando os solos de substracto nitroso. Por vezes, podem surgir em courelas agricultadas.
A malva-arbórea tolera a água do mar em graduações diferentes, podendo prosar mesmo com uma graduação de 100% de água do mar, graças à sua capacidade de excretar o sal através das glândulas das suas folhas.Veitch, C. R., and Michael Norman Clout (editors). (2002.) The World Conservation Union (IUCN): Gland, Switzerland and Cambridge, UK, pages 254-259. ISBN 2-8317-0682-3. Retrieved on 2007-09-28.Okusanya, O. T., and T. Fawole. (March 1985.) The Possible Role of Phosphate in the Salinity Tolerance of Lavatera Arborea. The Journal of Ecology, Vol. 73, No. 1, pp. 317-322, doi:10.2307/2259785, via JSTOR. Retrieved on 2007-09-28. Esta tolerância ao sal pode afigurar-se como uma vantagem competitiva em relação a outras espécies de plantas do interior das zonas costeiras. Com efeito, crê-se que quanto maior for o conteúdo de fosfato dos solos, ou o enriquecimento dos mesmos com guano, maior será a capacidade de tolerar altos níveis de salinidade da malva-arbórea.
Dispersão dos propágulos As sementes da planta podem ser transportadas entre zonas costeiras distantes, porquanto o fruto esquizocárpico é flutuante e porque as aves marinas também se afiguram como um meio provável de disseminação. Estas sementes têm uma testa impermeável e conseguem manter-se viáveis durante anos, inclusive despois de imersas em água salgada.Veitch, C. R., and Michael Norman Clout (editors). (2002.) The World Conservation Union (IUCN): Gland, Switzerland and Cambridge, UK, pages 254-259. ISBN 2-8317-0682-3. Retrieved on 2007-09-28.
Protecção
Não se encontra protegida por legislação portuguesa ou da Comunidade Europeia.
Taxonomia A autoridade científica da espécie é L., tendo sido publicada em Species Plantarum 2: 690. 1753.Biodiversity
Sinonímia Mavatera arborea Philip Barker Webb & Sabin Berthelot em Histoire Naturelle des Îles Canaries 3(2, 1): 30 en 1836.; Lavatera eriocalyx Steud. Flora 39: 438, 1856 - basónimo Althaea arborea (L.) Alef, Oestr. Bot. Zeitschr., 12: 260, 1862 Anthema arborea (L.) Medik., Malv., 42, 1787 Lavatera arborea var. berlengensis (Boiss. &Reut.) Cout. Lavatera arborea var. genuina (Boiss. & Reut.) Cout. Lavatera arborea var. lasiocalyx Sennen Malva dendromorpha M.F.Ray, Novon, 8(3): 292, 1998, nom. illeg. Malva eriocalyx Steud., Nomencl. Bot. (Steudel), ed. 2. 2: 94, 1841, nom. inval. Lavatera veneta Mill., Gard. Dict. ed., VIII. n. 6 Malva fastuosaSalisb., Prod., 381en Stewart Robert Hinsley,The Lavatera Pages, 2004
Usos As folhas desta espécie foram usadas, historicamente, para tratar de entorses, pondo-se de molho em água quente e aplicando um cataplasma sobre a zona afectada.Rippey, Elizabeth and Barbara Rowland. (2004.) Coastal Plants: Perth and the South-west Region, 2nd Edition. University of Western Australia Press, page 153. ISBN 1 920694 05 6. Retrieved on 2007-09-28.Royal Irish Academy (1883.) Proceedings of the Royal Irish Academy, Second Series, Volume III: Science Royal Irish Academy: Dublin, pages 370, 375. Retrieved on 2007-09-28.Tree Mallow: What is Tree Mallow? (Website). Invasion of Scottish seabird islands by tree mallow, Centre for Ecology and Hydrology, UK Natural Environment Research Council. Retrieved on 2007-09-28.
A planta foi usada como forragem para animais, na Europa durante o séc. XIX.
A malva-arbórea chegou a ser cultivada em jardins ingleses, como espécie decorativa, de acordo com a obra British Phaenogamous Botany de 1835.Baxter, William. (1835). British Phaenogamous Botany, Or, Figures and Descriptions of the Genera of British Flowering Plants Vol. II. (Self-published): Oxford, pages 112-113. Retrieved on 2007-09-28.
Lavatera arborea - Checklist da Flora de Portugal (Continental, Açores e Madeira) - Sociedade Lusitana de Fitossociologia Checklist da Flora do Arquipélago da Madeira (Madeira, Porto Santo, Desertas e Selvagens) - Grupo de Botânica da Madeira Lavatera arborea - Portal da Biodiversidade dos Açores Tropicos.org. Missouri Botanical Garden. 24 de dezembro de 2013 <http://www.tropicos.org/Name/19601016> Lavatera arborea - The Plant List (2010). Version 1. Published on the Internet; http://www.theplantlist.org/ (consultado em 24 de dezembro de 2013). Lavatera arborea - International Plant Names Index Castroviejo, S. (coord. gen.). 1986-2012. Flora iberica 1-8, 10-15, 17-18, 21. Real Jardín Botánico, CSIC, Madrid.
Ligações externas
Lavatera arborea - Flora Digital de Portugal. jb.utad.pt/flora. Lavatera arborea - Flora-on Lavatera arborea - The Euro+Med PlantBase Lavatera arborea - Flora Vascular Lavatera arborea - Biodiversity Heritage Library - Bibliografia Lavatera arborea - JSTOR Global Plants Lavatera arborea - Flora Europaea Lavatera arborea - NCBI Taxonomy Database Lavatera arborea - Global Biodiversity Information Facility Lavatera arborea - Encyclopedia of Life
Categoria:Flora de Portugal arborea Categoria:Flora da Madeira Categoria:Flora dos Açores Categoria:Plantas descritas por Lineu Categoria:Flora de Portugal Continental