A Prunus insititia, comummente conhecida como abrunheiro (não confundir com a espécie Prunus spinosa, mais comummente conhecida como «abrunheiro-bravo»), é uma espécie de planta com flor pertencente à família das Rosáceas.
A autoridade científica da espécie é L., tendo sido publicada em Amoenitates Academici 4: 273. 1755.
No que toca ao seu tipo fisionómico, pertence ao grupo dos microfanerófitos.
Nomes comuns
Dá ainda pelos seguintes nomes comuns: ameixieira e cagoiceiro.
Quanto aos frutos, dão pelos seguintes nomes comuns: abrunho, brunho, cabrunho ou cagoiço.
Etimologia Os nomes comuns «abrunheiro», abrunho, brunho, cabrunho provêm do étimo latino prunus. Este étimo latino, por sua vez, deriva de prunum, que significam respectivamente «ameixeira» e «ameixa».
Quanto ao nome científico desta espécie:
O nome genérico, Prunus, provém do latim, prūnus, e significa «ameixeira».
O epíteto específico, insititia, também provém do latim, tratando-se de uma declinação do étimo, insĭtŭs, e significa «enxertada; inata».
Descrição Esta espécie consiste num arbusto ou pequena árvore que pode medir até 6 metros de altura. É caducifólia e muito ramificada, por vezes, pode estar dotada de espinhos.
Os ramos do abrunheiro são tortuosos, contando com ritidoma liso e de coloração castanho-avermelhado. Os ramículos, por seu turno, têm coloração acinzentada e revestimento pubescente, quando jovens, por vezes espinescentes.
Quanto às folhas, são de feitio obovado, elíptico largo ou ovado-lanceolado, com ápice obtuso a sub-agudo, margem crenada ou serrada, provida de dentes glandulíferos. A face adaxial da folha do abrunheiro é verde-escura e glabrescente, ao passo que a face abaxial é mais ou menos pubescente, sobretudo ao longo das nervuras.
O pecíolo é pubescente e as estípulas são caducas, de formato linear ou lanceolado, e borda dentado-laciniada, com dentes glandulíferos.
As flores solitárias ou em fascículos de 2-3, coetâneas com as folhas jovens ou emergindo antes destas. Os pedicelos são pubescentes.
O receptáculo da flor é campanulado e glabro. As sépalas são de formato erecto-patentes, triangular ou ovado e de ápice obtuso, de borda denticulada e pubescente.
As pétalas, por sua vez, são de formato erecto-patente, obovado ou inteiro e de coloração branca. O ovário é glabro. A drupa desta espécie - o abrunho - é de feitio subgloboso ou ovóide-oblongo, tem uma coloração entre o violáceo, o purpúreo e, por vezes, até o amarelado ou esverdeado, encontrando-se recoberta de pruína. O mesocarpo do abrunho tem sabor entre o amargo e ácido e o adocicado. O endocarpo, por seu turno, é rugoso e ligeiramente carenado.
Distribuição Trata-se de uma espécie presente da Europa Central e do Sul, do Norte de África e do Sudoeste asiático.
Portugal Trata-se de uma espécie presente no território português, nomeadamente em Portugal Continental.
Encontrando-se, mais concretamente, em todas as zonas do Nordeste, na Terra Fria e na Terra Quente transmontanas, no Centro-Oeste olissiponense, no Centro-Leste montanhoso, no Centro-Sul miocénico e no Sudoeste meridional.
Em termos de naturalidade é nativa da região atrás indicada.
Ecologia Trata-se de uma espécie ruderal, que medra em bosques húmidos, sebes e orlas de matas.
Protecção
Não se encontra protegida por legislação portuguesa ou da Comunidade Europeia.
Usos
Alimentação O abrunho pode ser consumido cru ou cozinhado. Pauta-se pelo seu sabor mais ácido do que a ameixa, mas ainda assim muito aceitável cru, desde que completamente maduro.
A semente do abrunho contém cerca de 20% de um óleo semi-secante comestível, possuindo um odor agradável.
As flores do abrunheiro são comestíveis, usando-se como guarnição para saladas e gelados ou para preparar chá
Etnobotânica O abrunho seco é usado como um laxante, sendo-lhe também reconhecidas propriedades estomacais.
A casca do abrunheiro é por vezes utilizada em preparados com finalidades febrífugas.
As flores podem ser usadas na confecção de uma infusão com propriedades purgante ligeiras, destinada a crianças.
Todos os membros do género Prunus contêm amigdalina e prunasina, substâncias que se decompõem em água formando ácido cianídrico.
Agroflorestal Os abrunheiros são bastante resistentes ao vento, pelo podem ser cultivadas como sebes Outros Usos
Das folhas do abrunheiro pode obter-se um corante verde, ao passo que do abrunho se pode obter-se um corante cinzento-escuro esverdeado.
Da casca do abrunheiro obtém-se um corante amarelo.
Usam-se as sementes moídas do abrunho, em cosmética, para a confecção de de máscaras faciais para pele seca.
A madeira do abrunheiro é dura e compacta, tem cor castanho-avermelhada e exibe uma granulação muito fina. No entanto, como é propensa a empenar e rachar, não se usa em construção, em vez disso é utilizada para fazer instrumentos musicais.
Referências
Prunus insititia - Checklist da Flora de Portugal (Continental, Açores e Madeira) - Sociedade Lusitana de Fitossociologia Checklist da Flora do Arquipélago da Madeira (Madeira, Porto Santo, Desertas e Selvagens) - Grupo de Botânica da Madeira Prunus insititia - Portal da Biodiversidade dos Açores Tropicos.org. Missouri Botanical Garden. 11 de janeiro de 2014 <http://www.tropicos.org/Name/27803465> Prunus insititia - The Plant List (2010). Version 1. Published on the Internet; http://www.theplantlist.org/ (consultado em 11 de janeiro de 2014). Prunus insititia - International Plant Names Index Castroviejo, S. (coord. gen.). 1986-2012. Flora iberica 1-8, 10-15, 17-18, 21. Real Jardín Botánico, CSIC, Madrid.
Ligações externas
Prunus insititia - Flora Digital de Portugal. jb.utad.pt/flora. Prunus insititia - Flora-on Prunus insititia - The Euro+Med PlantBase Prunus insititia - Flora Vascular Prunus insititia - Biodiversity Heritage Library - Bibliografia Prunus insititia - JSTOR Global Plants Prunus insititia - Flora Europaea Prunus insititia - NCBI Taxonomy Database Prunus insititia - Global Biodiversity Information Facility Prunus insititia - Encyclopedia of Life
Categoria:Flora de Portugal insititia Categoria:Plantas descritas por Lineu Categoria:Flora de Portugal Continental