Na música, o tecnobrega é um gênero musical brasileiro que surgiu na cidade de Belém do Pará, no final da década de 1990 e inicio da década de 2000, como uma evolução do gênero brega tradicional, caracterizado pelo remix de músicas com batidas dançantes e samples no sintetizador, que combinam influências da musica regional e global. O tecnobrega tornou-se popular principalmente através das festas de aparelhagens onde DJs e equipamentos de som de alta potência animam multidões. Por sua vez, o tecnomelody é uma vertente recente, focado em vocais melódicos, uso de autotune e uma sonoridade próxima do pop eletrônico, devido a introdução de música eletrônica e música pop. Além da mistura dos gêneros regionais paraenses, como o calypso, carimbó e a lambada.

História Segundo o historiador José Leandro Nunes, as primeiras músicas do gênero brega no estado paraense foram surgindo por volta de 1980. Os primeiros artistas foram: Teddy Max, Mauro Cotta, Juca Medalha, Luiz Guilherme e Frankito Lopes, o “Rei dos Bregueiros” (com as músicas Linda Rosa e Eu te amo meu amor), que atualmente são enquadrados na "vertente" do brega paraense chamado flashbrega. Em 2021, o ritmo foi reconhecido como Patrimônio Cultural e Imateral do Estado do Pará, e em Maio de 2025, Belém foi reconhecida oficialmente pela ONU Turismo como a "Capital Mundial do Brega".

Década de 2000 thumb|200x200px|Gaby Amarantos foi a pioneira do gênero ainda como líder da Banda Tecno Show, em 2002 Em 2002 a banda paraense Tecno Show, liderada por Gaby Amarantos, decidiu se aventurar a misturar os tradicional carimbó e calypso – também conhecido como brega pop – realizado na região Norte naquele momento com gêneros musicais internacionais que dominavam as rádios e as festas, como música pop, música eletrônica e forró eletrônico. A mistura entre o que era bem visto e sofisticado com o que era considerado "brega" e regional foi intitulado como tecnobrega. Nas músicas, eles passaram a mesclar riffs acelerados de guitarra da música brega tradicional com batidas eletrônicas e arranjos criados por programas de computadores, o que foi considerado como uma ruptura no mercado fonográfico paraense da época.

As temáticas das músicas, apesar de em geral serem românticas, possuem grande amplitude, podendo ter desde cunho humorístico até feministas. Com o sucesso do gênero, outras bandas surgiram dentro dele ou passaram a aderi-lo, incluindo Ravelly, Viviane Batidão, Xeiro Verde e Eletro Batidão, ganhando amplitude nacional. Em 2009 a Banda Djavú, apesar de ter surgido na Bahia, se tornou conhecida como um expoente do gênero no sul e sudeste do país, repercutindo nas rádios e programas de televisão com canções como "Me Libera" e "Não Desligue o Telefone". Apesar de ter disseminado o tecnobrega pelo resto do país, a banda foi acusada de não fazer parte do movimento e plagiar as bandas já conhecidas no Pará, utilizando o gênero para lucrar sem ter a representatividade da cultura paraense.

Em 2009, foi lançado o DVD ao vivo do 1º Festival Tecnomelody do Pará, que reuniu a aparelhagens e bandas, como: Banda Ravelly; Bruno e Trio; Viviane Batidão; Tecno Show; Fruto Sensual; Jurandy; Xeiro Verde; Quero Mais; Eletro Batidão; Mega Príncipe, e; Tupinambá.

Década de 2010 e 2020 thumb|200x200px|Apesar da controvérsia, a Banda Djavú ajudou a popularizar o gênero a partir de 2009. Em 2010, Gaby Amarantos já em carreira solo e com apelido de "Beyoncé do Pará" começou a atingir popularidade no restante do país, apresentando o gênero no Domingão do Faustão pela primeira vez. Em 2011, em função da ampla divulgação do estado do Pará perante todo o Brasil, foi apresentada uma proposta de lei ao então governador do Estado, Simão Jatene, para que o estilo fosse reconhecido como Patrimônio Cultural do Pará. Em 2011 a Banda Uó, originária de Goiás, despontou como o principal expoente do gênero nas rádios e na televisão ao investir na produção de videoclipes com grandes diretores e alta verba, conquistando um contrato com a Deckdisc, chegando a vencer o MTV Video Music Brasil 2011.

thumb|198x198px|Manu Bahtidão aderiu ao tecnobrega durante sua carreira Nos anos seguintes a banda disseminou o tecnobrega com os álbuns Me Emoldurei de Presente Pra Te Ter (2011), Motel (2012) e Veneno (2015). Paralelamente, Gaby colocou a faixa "Ex Mai Love" como tema de abertura da telenovela "Cheias de Charme", sendo a primeira vez que um tecnobrega atingia tal posto. Já em 2013, foi reconhecido como patrimônio artístico e cultural do Pará, durante o então governo estadual de Simão Jatene (sancionou Lei 7.708) por unanimidade em 10 de abril na Assembleia Legislativa do Pará (Alepa). Em 2021, a classificação de patrimônio foi estendida a todo o gênero do brega-paraense, incluindo todas as suas vertentes.

Em 2017 Pabllo Vittar passou a também utilizar o gênero em seu álbum Vai Passar Mal. A faixa "Corpo Sensual" conquistou boas posições dentro da Billboard Brasil e foi certificado como diamante pelo Pro-Música Brasil. Em 2023 com a canção "Voando pro Pará", um tecnobrega, Joelma tornou-se a primeira artista paraense a entrar no top 200 do Spotify Brasil com uma canção solo.

Descrição Tecnobrega esquerda|thumb|200x200px|Viviane Batidão é uma das maioes representantes do tecnobrega. Surge como uma vertente do brega tradicional, incorporado elementos para modernizar o som. É caracterizado por batidas eletrônicas marcantes e melodias que misturam instrumentos tradicionais e regionais com sintetizadores. E de acordo com Gerson Dias, produtor cultural e diretor do festival Psica, o tecnobrega é o novo POP brasileiro.

Artistas como Tonny Brasil, Gaby Amarantos e, os DJs de Aparelhagem, são vistos como artistas decisivos para a consolidação e popularização do gênero, junto com artista de notoriedade nacional como Pabllo Vittar, Banda Uó e Manu Bahtidão ajudaram a alavancar a cena do tecnobrega para além da Região Norte do Brasil.

Uma das características desde gênero era o uso de tecnologia acessível e muitas vezes improvisada, que incluia teclados eletrônicos simples, caixas de ritmo e, sistemas de som de baixo custo. Os shows de tecnobrega são conhecidos por suas performances teatrais extravagantes e coreografias elaboradas, os artistas muitas vezes se vestem de maneira exuberante e usam adereços chamativos para criar um espetáculo visual.

Tecnomelody O tecnomelody é uma evolução recente do tecnobrega, com o foco em: vocais melódicos, uso de autotune e, a pegada eletro-pop modernizando o som característico do brega. Mas chamar de “melody” é uma forma comercial e preconceituosa de negar o termo "brega", que antes representava: prostíbulo e medíocre) e, representava genericamente todas as músicas românticas que tocavam nas regiões periféricas e nos prostíbulos nordestinos (música medíocre com trivialidades sentimentais).

Os shows são uma mistura do cultural com eletrônica, tornando o audiovisual mais sofisticado e chamativo. Sem o apoio de gravadoras, a expansão informal do gênero ocorreu através de: festas de aparelhagem, gravações independentes e, a distribuição de CDs feitas por camelôs. Bandas e artistas regionais, como: Viviane Batidão, Banda Ravelly, Gang do Eletro e, Banda Dejavu, ajudaram a consolidar o tecnomelody com produções e efeitos visuais mais elaborados, levando o gênero a festivais nacionais e até colaborações internacionais. A Banda Ravelly e a Banda Dejavu foram envolvidas em uma polêmica no inicio de suas carreiras devido a acusações de plágio e apropriação de repertório.

Festas de aparelhagem

O mercado do tecnobrega e vertentes gira em torno das festas de aparelhagens (bailes com DJ e um sistema sonóro na forma de um “paredão” formado por caixas de som empilhadas semelhante a radióla e a rave), que contam com um sistema moderno com: iluminação, efeitos visuais e equipamento de som potente. Um ponto de encontro para dançar. As festas também servem como plataforma de difusão de novas músicas e possíveis sucessos - DJs recebem discos dos produtores (normalmente independentes) e tocam as novas canções. Quando uma música ou um artista se torna um sucesso em uma festa de aparelhagem, a divulgação no mercado aumenta através da reprodução não-autorizada dos discos, que se tornou cultural na expansão do Tecnobrega por falta de Apoio das Gravadoras. A maioria dos artistas desse mercado apoiam essa reprodução fonográfica informal ("pirataria do bem") devido ao aumento da publicidade de baixo valor, permitindo que as musicas se espalhem rapidamente sem a necessidade de grandes gravadoras.

As festas de aparelhagem são mais do que eventos musicais, são espaços de socialização e de fortalecimento da cultura periférica, onde o público reúne-se em massa, para dançar e celebrar a musica local, transformando essas festas em verdadeiros espetáculos culturais. No estado do Pará, algumas festas de aparelhagem são conhecidas pela gíria "rock-doido" (abreviado "rock", em referência ao rock'n'roll), onde o principal gênero tocado é o ritmo explosivo e a batida eletrônica do tecnomelody. Diferente das festas de aparelhagem que tocam as músicas chamadas "brega-marcante", o tecnobrega mais tradicional que foi pioneiro na evolução do tecnobrega no Pará.

O tecnomelody é o novo pop do Brasil. Em 2024 o DJ brasileiro Alok, fez um show no palco 360 graus em uma estrutura no formato de pirâmide com 30 metros de altura, que foi transmitido mundialmente no formato da festa de aparelhagem e do rock-doido; este show fez parte do início da contagem regressiva para a COP-30, que pela primeira vez será sediada por uma cidade amazônica.

A festa de aparelhagem surgiu na periferia da cidade de Belém do Pará na década de 1940 inicialmente usando o sistema de som simples no formato "boca-de-ferro", batizado com a gíria "sonoro" (aparelhagem sonora) ou "picarpe" (em referência a pick-up do DJ).

Legados do brega Na cidade de Belém do Pará, o brega além de gênero musical é uma expressão cultural que mistura ritmos populares com histórias e estilos locais, consolidando-se como um símbolo da identidade paraense. Originado como uma vertente musical simples e romântica nos anos 1960/1970, o brega inicialmente utilizava letras sobre temas cotidianos e relacionamentos, que atualmente essas músicas são chamados de flashbrega (em referência ao flashback) ou baile da saudade Foi base no processo de criação, ao longo dos anos, do Tecnobrega transformando-se em um fenômeno cultural com forte apelo popular. O gêero ganhou notoriedade em eventos como a abertura das Olimpíadas de 2016. Nos anos 2000, movimentos como o tecnobrega, impulsionados por bandas e DJs paraenses, renovaram o interesse pelo gênero, destacando a capacidade do brega de se adaptar às novas tecnologias e tendências. Essa modernização consolidou Belém como o berço do ritmo, valorizando a expressão artística e a produção regional. Os primeiros passos do brega no Pará ocorreram na década de 1960,

A dança O tecnobrega tradicionalmente é dançado em pares, sendo uma dança malandra e sensual (menos erótica que o funk), onde o ponto forte do seu repertório coreográfico é o gingado e a malemolência. Características historicamente presentes na cena cultural brasileira desde o século XIX com gêneros periféricos como o lundu e o maxixe, que começaram a quebrar a solenidade da música no país, herança da música erudita europeia.

Esta dança também é marcada pelo "caquiado”, um tipo de floreio na dança (trejeitos) caracterizado por movimentos rápidos com os pés.

Ligações externas Tecnomelody para o Brasil e o mundo

, Festival Folclórico de Tracuateua

Tecnomelody Categoria:Música brega Categoria:Música popular Categoria:Gêneros de música eletrônica Categoria:Patrimônio cultural do Pará *