Paysage de fantaisie ("Paisagem fantástica") é um romance do escritor francês Tony Duvert publicado em 1973 pela editora Minuit. Foi galardoado com o Prêmio Médicis em novembro de 1973. O título da obra provém do nome em francês de um quadro de Francesco Guardi conservado no museu do ErmitageFrancesco Guardi, Paysage de Fantaisie.
Enredo Numa casa de campo, umas crianças são treinadas para a prostituição.
Estilo Primeiro «ponto de inflexãoGilles Sebhan, Tony Duvert. L'Enfant silencieux, Paris: Denoël, 2010, p. 71» na obra de Duvert, é um livro subversivo (Madeleine Chapsal) que combina uma narrativa e um estilo muito desestruturados, inspirados no nouveau roman, na pornografia, na intransigência estilística e no realismo social. Posterior às primeiras obras de Duvert, Paysage de fantaisie é «uma espécie de novo romance, sem pontuação, sem maiúsculas, sem frases no sentido habitual da palavra, e com espaços em branco no interior dos parágrafosJack Kolbert, «L'Année Littéraire 1973», The French Review, Vol. 47, n°6 de maio 1974, p. 1048.». Contudo, ele a redigiu mais lentamente do que as precedentes, em três anos (1970-1972), e ao relato da fantasia adicionam-se «passagems de uma nitidez realista extraordinária, nos quais a pequena sociedade das crianças aparece representada como em nenhum outro livro da literatura publicado anteriormente».
Recepção crítica O romance foi especialmente bem acolhido, desde a sua publicação, pelos críticos literários das grandes mídias francesas (Claude Mauriac, Madeleine Chapsal, Jean-François JosselinJean-François Josselin, "Un romancier du plaisir", em Le Nouvel Observateur, n° 430, 5-11 de fevereiro de 1973, p. 66., François NourissierFrançois Nourissier, "Astucieusement faisandé", em Le Point, n° 21, 12 de fevereiro de 1973, p. 67., Dominique RollinDominique Rollin, "Superbement amoral", em Le Point, n° 21, 12 de fevereiro de 1973, p. 67., etc...). Para Madeleine Chapsal, de L'Express, ele é «um livro grande. De vez em quando, insuportável. Um livro no qual a leitura difícil recupera sua dimensão, perdida com demasiada frequência, de atividade subversiva»Madeleine Chapsal, "La fête cruelle de Tony Duvert", em L'Express, n° 1124, 22-28 de janeiro de 1973, p. 74-5. Para Bertrand Poirot-Delpech, de Le Monde, Duvert se afirma com esta obra como «o jovem autor que ascende, que não tardará em ser citado e imitadoContracapa de Paysage de Fantaisie.». Para Claude Mauriac, de Le Figaro «o autor (...) revela neste passe contínuo do abominável ao delicioso e do execrável ao excelente umas capacidades e uma arte que a palavra talento difícilmente pode expressar».Claude Mauriac, "Une littérature corrosive", Le Figaro littéraire, n° 1396, 17 de fevereiro de 1973, II, p. 16.
Em novembro de 1973, graças ao apoio de Roland Barthes, o romance obteve o Prêmio Médicis, enquanto a imprensa antes esperava o galardão para Bernard NoëlGilles Sebhan, op.cit., p. 75.
Esta publicidade suplementária permite a algumas vozes discordantes se expressarem. Jack Kolbert, da French Review, escreve assim no início de 1974 em um balanço do ano literário de 1973: «devemos confessar que o feito de uma obra, cujo erotismo roça, em nossa opinião, a mais baixa ponografia, ter sido recompensada com um dos grandes prêmios literários franceses, parece-nos abusivo».
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