Kiss Me Once é o décimo segundo álbum de estúdio da artista musical australiana Kylie Minogue. O seu lançamento ocorreu em 14 de março de 2014, através da Parlophone e da Warner Bros.. O disco possui uma sonoridade inspirada por gêneros dançantes como o dance, também possuindo elementos do EDM, funk, dubstep e disco. Liricamente, as faixas se refletem ao amor, sexo e ao empoderamento, com a utilização de instrumentos como baixo, guitarra, percussão, piano e teclado. Tendo a própria cantora e Sia Furler como produtoras executivas, o disco foi desenvolvido e gravado durante todo o ano de 2013. Nele, Minogue colaborou com uma série de produtores como Bloodshy, Peter Wallevik, Daniel Davidsen, Cutfather, GoodWill & MGI, Greg Kurstin, Metrophonic, MNEK, The Monsters and the Strangerz, Ariel Rechtshaid, Mike Del Rio, Peter Wade Keusch e Pharrell Williams.
Após a terminação da comemoração de vinte e cinco anos de carreira da musicista, intitulada K25, ocorrida em 2012 e que contou com a digressão Anti Tour, o lançamento de The Best of Kylie Minogue e de The Abbey Road Sessions — além da emissão do livro Kylie / Fashion e do lançamento do single "Timebomb" —, Minogue separou-se de seu gestor Terry Blamey e, posteriormente, assinou um contrato de gestão com a Roc Nation; nisto, começou a produção de seu novo álbum. Durante a gravação do projeto, a artista disse que iria manter o DNA que uma "faixa Kylie" é, também dizendo que estaria experimentando diferente sons. Mais tarde, disse que sentiu uma epifania durante a campanha de comemoração K25, afirmando que "o apoio foi grande" em relação ao álbum e que conseguiu chegar ao que queria em Kiss Me Once.
Após o lançamento do disco, este obteve análises mistas dos críticos de música contemporânea, que complementaram o retorno de Minogue para a música dance mainstream, considerando isto à altura das expectativas. No entanto, alguns foram divididos com o conteúdo; alguns elogiaram e descreveram como "sólido", enquanto alguns sentiram que este foi datado, e criticaram a falta de inovação na perspectiva de Minogue. Comercialmente, o álbum teve um desempenho mediano, atingindo o topo das tabelas da Austrália e Hungria, ao passo que se qualificou nas dez melhores posições em países como Alemanha, Escócia, Espanha, França, Irlanda, Reino Unido e Suíça. Nos Estados Unidos, Kiss Me Once debutou na 31ª colocação da Billboard 200 e, durante a primeira e única semana na parada, atingiu a terceira posição no Billboard Dance/Electronic Albums como pico. Pelo mundo, faturou 215 mil exemplares comercializados até junho de 2014; O disco ainda obteve uma certificação de prata pela British Phonographic Industry (BPI).
A fim de promover o disco, dois singles oficiais foram lançados, além de um promocional. O primeiro, "Into the Blue", atingiu um baixo sucesso comercial, culminando as tabelas musicais de dezessete países. O segundo, "I Was Gonna Cancel", foi pior no comercial, listando-se na oitenta melhores colocações de tabelas como a da região da Valônia da Bélgica, do Reino Unido e da Escócia. Os singles lançados do CD, no entanto, entraram nas cinco melhores posições da Hot Dance Club Songs, tabela genérica e feita pela Billboard. A faixa de trabalho promocional foi "Sexercize", que teve como melhor posição no também periódico genérico Hot Dance/Electronic Songs, feita pela Billboard, a 30ª colocação. Como forma de divulgação, a cantora se apresentou em premiações de pequeno porte, foi capa de várias revistas e embarcou na turnê Kiss Me Once Tour (2014–15), que conseguiu arrecadar $17 milhões em dinheiro bruto (contando 28 shows feitos na Europa) e teve um registro gravado, intitulado Kiss Me Once: Live at the SSE Hydro e lançado em março de 2015.
Antecedentes e desenvolvimento esquerda|miniaturadaimagem|Kylie Minogue no Sydney Mardi Gras, em março de 2012, onde performou seus sucessos. Neste ano, a artista estava divulgando o K25 — projeto que comemorava seus vinte e cinco anos de carreira. Posterior a comemoração dos vinte e cinco anos da carreira de Minogue, ocorrida em 2012 e divulgada com a digressão Anti Tour, a emissão de The Best of Kylie Minogue e The Abbey Road Sessions, além do lançamento do livro Kylie / Fashion e do single "Timebomb", a artista separou-se de seu gestor Terry Blamey, assinando um contrato de gerenciamento com a empresa americana Roc Nation, dirigida pelo rapper Jay-Z, em fevereiro de 2013. Nisto, a artista ainda continou a trabalhar em seu álbum durante 2013, com relatórios emergindo, em fevereiro deste mesmo ano, que a cantora estaria trabalhando com musicista compatriota Sia Furler. O disco foi principalmente gravado em Los Angeles, com sessões de gravação mais distantes ocorrendo em Nova Iorque e Londres. Em março de 2013, Minogue postou no Twitter uma foto de um microfone com a dupla de produção Stargate abaixo dela, indicando que estaria trabalhando com a equipe no novo álbum. Outras colaborações durante 2013 incluiram Darkchild, Brooke Candy, MNDR e Will.i.am. Na véspera do aniversário de Minogue em 2013, foi revelado que a mesma tinha gravado recentemente uma colaboração "interessante", sendo mais tarde Enrique Iglesias revelado como quem era a colaboração. No mesmo dia, ela revelou uma canção promocional, intitulada "Skirt", como um single de espera para Kiss Me Once.
Em maio de 2013, discutindo o álbum com a Rolling Stone, a artista estabeleceu que o álbum estava "apresentando algo diferente [...] o que é legal". Ela também reconheceu que tinha de "fazer algo diferente", mas adicionou que o CD iria "manter o DNA que uma faixa Kylie tem, porque eu estou nele. Eu gostaria de tentar mover a trave e me experimentar com sons diferentes". Falando com a Idolator sobre o involvimento de Sia Furler como produtora executiva para o disco, Minogue disse que elas tinham trabalhado juntas "um monte de vezes", escrevendo músicas, e relatou: "Eu fiquei tão bem com ela. [...] Eu perguntei se ela queria ser produtora executiva. Eu estava esperando que ela diria que sim. Eu não sabia se era algo que tinha feito ou estava interessada, ou se ela preferia talvez só escrever e fazer a sua própria música". Em uma entrevista com a Billboard, a cantora expressou que ela sentiu uma epifania durante sua campanha do "Kylie 25" em 2012, declarando: "Eu senti como se eu precisasse de uma nova paisagem, e uma vez que você tem seu pé no chão, você está ansioso para ir. [...] Até agora, o apoio tem sido grande, e é apenas uma outra parte de 'novo' desta fusão que eu tinha desejado e foi atingida".
Composição
Kiss Me Once é um álbum predominantemente derivado dos gêneros dance, EDM e da música disco. Grande parte de suas canções utilizam em sua base instrumentos como baixo, guitarra, percussão, piano e teclado. O álbum inicia-se com seu primeiro single, "Into the Blue". A letra foi escrita por Jacob Kasher Hindlin, Kelly Sheehan e Mike del Rio, enquanto a produção ficou a cargo do último. Musicalmente, é uma canção derivada do EDM e power pop, em quanto em termos líricos, trata-se do empoderamento, com a artista descrevendo como se sente ao ser arrastada para baixo pela solidão e tristeza, mas no refrão, tudo isso dá lugar à alegria pura e resiliente, como na linha "Porque não estou esperando por milagre nenhum/Sim, hoje estou correndo livre". Seguindo-se com a segunda faixa do disco, "Million Miles" é uma balada dance "com um arranjo exuberante incluindo guitarras brilhantes, sintetizadores suaves e todos os tipos de batidas pulsantes e rígidas", sendo ainda comparada com os esforços em seu álbum Fever (2001). Segundo alguns críticos, a faixa poderia ter sido lançada como um single do disco. Utilizado como o segundo single do disco, "I Was Gonna Cancel" é uma canção disco e funk, contendo elementos do gênero synthpop. Sua escrita foi inspirada logo após a artista estar um dia ruim, e o qual ela tinha marcado sessões de gravação com Pharrell Williams, que escreveu e produziu a faixa. Segundo Matt Bagwell do The Huffington Post, sua sonoridade lembra algumas canções de seu álbum Body Language (2003). "Sexy Love", quarta faixa do disco, também é inspirada pelo funk, com um crítico a descrevendo como uma junção de "Wow" e "Love at First Sight", também da artista. A quinta obra feita para o CD e também lançada como single promocional, "Sexercize", é uma canção dubstep com elementos do urban-R&B, EDM e electro que, de acordo com o crítico Michael McCarthy, "é mais do que apenas a forma dos sons de zumbido de baixo electro".
"Feels So Good", sexta faixa do projeto, é uma versão de "Indiana" do cantor Tom Aspaul, sendo um tema midtempo e principalmente inspirada pelo gênero electro. Os vocais de Minogue na obra foram descritos pelo The Huffington Post do Reino Unido como "sem falhas". Já a sétima obra, "If Only", é inspirada pelo electro e R&B, é descrita como "excessivamente produzida, e em algum lugar ao longo do caminho, Kylie fica completamente inundada e perdida entre a produção totalmente imaginável". Segue-se "Les Sex", uma faixa electropop que foi descrita por críticos como a melhor do álbum. A faixa-título, nona total do CD, é uma balada pop que, liricamente, é "uma celebração do amor vencer a adversidade", algo exemplificado nas linhas "Eu e você / Querido, nós superamos". A décima faixa, "Beautiful", uma colaboração de Minogue com Enrique Iglesias, também é uma balada que teve os vocais criticados por parecerem "robóticos". A a décima primeira e última faixa da edição padrão, "Fine", é uma faixa dance e midtempo que contém riffs de teclados com um estilo de "house dos anos 90". Na versão deluxe do disco, existem duas canções inéditas: "Mr. President", que é um tema electropop com "muitos sons agudos curtos e batidas electro", e "Sleeping with the Enemy", que é uma balada produzida por Greg Kurstin.
Recepção crítica
O portal Metacritic, com base em dezenove resenhas recolhidas, concedeu ao disco uma média de sessenta e seis pontos, de uma escala que vai até cem, indicando "resenhas geralmente favoráveis". Alexis Petridis, da The Guardian, deu a Kiss Me Once três de cinco estrelas, descrevendo o álbum como um "pop brilhante e superficial". Ele ainda sentiu que o álbum tem "um punhado de bons momentos, um bando de preenchimentos, e algumas letras excruciantes sobre sexo". Brittany Spanos, da Spin, deu a Kiss Me Once uma nota de sete, em uma escala que vai até dez, declarando que o disco tem "falta de coesão, mas isso não importa". Spanos considerou que a maioria do disco era composta por "club pronto, fortemente produzida com joias pop românticas". Ben Cardew, um revisor da NME, deu uma nota de sete a dez, mesma nota que Spanos. Cardew disse que o álbum prova que "depois de 26 anos no negócio, Kylie ainda pode retirar um álbum pop muito moderno". Andy Gill, do The Independent, deu ao álbum três estrelas de cinco, chamando ele de "um sucesso parcial". Ele sentiu que o CD é "mais atraente e caracterizado do que X ou Aphrodite". Philip Matusavage, do musicOMH, foi misto em sua análise, dando ao álbum duas estrelas. Matusavage disse que Minogue deveria ter escolhido este momento para uma "reinvenção radical", chamando o álbum de o seu "maior oferta de anônimo até a data". Joe Sweeney, da Slant Magazine, deu ao álbum uma resenha favorável, dando ao disco quatro estrelas de cinco. Sweeney disse que Minogue, juntamente com seus compositores e produtores, "fica com a fórmula vencedora de cafeína synthpop e disco, com um toque de dubstep atirados para as crianças".