O Experimento do marshmallow se refere a uma série de estudos de recompensa postergada, realizados no final dos anos de 1960 e início dos anos de 1970 liderados pelo psicólogo Walter Mischel, então professor da Universidade de Stanford. Nos estudos era oferecido a crianças a escolha entre uma pequena recompensa (algumas vezes um marshmallow, mas também um cookie ou um pretzel, etc.) entregue imediatamente ou duas pequenas recompensas se ela esperasse até o retorno do pesquisador (depois de uma ausência de aproximadamente 15 minutos). Em estudos de seguimento, os pesquisadores descobriram que as crianças que foram capazes de esperar por mais tempo pela possível recompensa apresentaram tendência de ter melhor êxito na vida, conforme mensurado por SAT scores, desempenho escolar, índice de massa corporal (IMC) e outros parâmetros de medição. Contudo, recente trabalho levanta a questão se o autocontrole, em oposição ao raciocínio estratégico, determina o comportamento das crianças.

Experiência original

Experimento de Stanford O propósito do estudo original era entender como o mecanismo de controle da gratificação negada e a habilidade de esperar para obter algo que se quer se manifesta nas crianças. O experimento tomou corpo na Escola Bing Nursery localizada na Universidade de Stanford, com crianças de idade entre quatro e seis como objeto de estudo. As crianças foram deixadas em uma sala, isoladas de distrações, onde a tentação a ser escolhida (cookie, marshmallow ou pretzel) era exposta em uma mesa, com uma cadeira próxima. As crianças podiam comer o marshmallow, diziam os pesquisadores, mas se elas esperassem por quinze minutos sem cair na tentação, elas seriam recompensadas com um segundo marshmallow. Mischel observou que algumas queriam "cobrir seus olhos com suas mãos ou virar-se para que não vissem a guloseima, outras começavam a chutar a mesa, puxar suas tranças, afagar o marshmallow como se ele fosse um pequeno bicho de pelúcia", enquanto outras queriam simplesmente comer o marshmallow tão logo os pesquisadores saíam.

Das mais de 600 crianças que fizeram parte do experimento, a minoria comeu o marshmallow imediatamente. Das que resistiram por algum tempo em busca da recompensa retardada, um terço postergou a recompensa por tempo suficiente para conseguir o segundo marshmallow. A idade foi o maior determinante para a não obtenção da gratificação.

O primeiro “Teste do marshmallow” foi conduzido por Walter Mischel e Ebbe B. Ebbesen na Universidade de Stanford em 1970.

Método

Objeto O objeto dos testes foram 16 garotos e 16 garotas que frequentavam a Escola Bing Nursery da Universidade de Stanford. Três outros estavam incluídos, mas foram eliminados por causa de seu fracasso em compreender as instruções. As crianças tinham faixa de idade de 3 anos e seis meses a 5 anos e 8 meses (com média de idade de 4 anos e 6 meses). Os procedimentos foram conduzidos por 2 experimentadores do sexo masculino. Oito das crianças testadas (4 meninos e 4 meninas) foram selecionadas randomicamente para cada das quatro condições experimentais. Em cada condição cada um dos experimentadores trabalhou com 3 meninos e 2 meninas de modo a, sistematicamente, evitar o efeito de birras em relação a sexualidade das crianças ou dos experimentadores.

As condições 1) Tanto a recompensa imediata (menos preferida) como a retardada (mais preferida) eram expostas às crianças, sendo ambas disponibilizadas a sua apreciação

2) Nenhuma das recompensas era disponibilizada às crianças, sendo ambas removidas de sua apreciação

3) Somente a recompensa retardada era exposta às crianças, sendo disponibilizada a sua apreciação enquanto ela esperava

4) Somente a recompensa imediata era exposta às crianças, sendo disponibilizada a sua apreciação enquanto ela esperava

Procedimento Na mesa da sala de experiência havia 5 pretzels e uma bandeja de bolo não transparente. Debaixo da forma de bolo estavam 5 pretzels e dois biscoitos de bichinhos. Havia 2 cadeiras em frente da mesa, em uma delas uma caixa de papelão vazia. No chão, próximo da cadeira com a caixa de papelão, ficavam 4 brinquedos a bateria. Os experimentadores mostravam os brinquedos, mas antes que as crianças pudessem brincar com eles, pediam que ela se sentasse. Eles então demonstravam cada brinquedo rápida e amigavelmente, dizendo que elas poderiam brincar com eles mais tarde – o experimentador colocava cada um dos brinquedos na caixa de papelão, fora da vista das crianças. Ele explicava que teria que sair em alguns momentos da sala mas se ela comesse um pretzel ele voltaria. Estas instruções eram repetidas até que as crianças demonstravam entende-las completamente. O experimentador saía da sala e esperava que a criança comesse um pretzel – elas o fizerem por 4 vezes.

Em seguida o experimentador abriu a bandeja de bolo e revelou as 2 recompensas: 5 pretzels e 2 biscoitos de bichinhos. O experimentador perguntou qual dos dois a criança preferia mais (recompensa preferida)e, assim que a criança escolhia, explicava que ela poderia continuar esperando por mais recompensas preferidas até que ele retornasse ou ela podia deixar de esperar chamando o experimentador de volta. Se a criança desistisse de esperar, ela receberia a recompensa menos saborosa e deveria esquecer a preferida. Dependendo das condições e da escolha da recompensa preferida, o experimentador levava a bandeja de bolo e não deixava nenhuma recompensa. O experimentador retornava tão logo a criança sinalizava ou depois de 15 minutos.

Segundo Experimento

Propósito O primeiro estudo de seguimento, conduzido por Mischel, Ebbesen e Zeiss em 1972 é o mais reconhecido, por ser o que usa marshmallows como a melhor recompensa possível. Usando da informação obtida em pesquisas anteriores acerca de autocontrole, a equipe teorizou que qualquer atividade que distraísse um participante da recompensa que antecipavam iria aumentar a tolerância pelo atraso da recompensa. Esperava-se que atividade explícita, cognições internas e imaginação ajudaria nessa auto-distração. Através de tal distração, também foi teorizado que o indivíduo seria capaz de tomar a natureza frustrante da situação e transformá-la em uma experiência menos psicologicamente sofrida. Para testar essas expectativas, os pesquisadores prepararam três cenários para testar os participantes; um com uma atividade explícita, um com uma atividade sutil e outro sem atividade alguma.

Eles previam que, tanto com atividades explícitas quanto implícitas, a tolerância pelo atraso da recompensa iria aumentar, enquanto, no terceiro cenário, ela diminuiria. Para se assegurar que as crianças eram capazes de compreender as instruções que lhes foram dadas, lhes foram feitas três perguntas: "Pode me dizer qual desses doces você vai ganhar se me esperar voltar por conta própria?", "Mas se você quiser que eu volte, como pode me fazer voltar?", e "Se você tocar o sino e me trouxer de volta, então qual dos doces você ganha?" Foram conduzidos três experimentos diferentes sob múltiplas condições divergentes.

Experimento 1

Participantes Os participantes consistiam em 50 crianças (25 meninos e 25 meninas) da Bing Nursery School na Universidade de Stanford. Suas idades iam de 3 anos e 6 meses a 5 anos e 6 meses. A idade média era de 4 anos e 6 meses. Seis Destes foram eliminados por terem falhado em compreender as instruções dadas pelos pesquisadores. Whitney Tilson, que depois viria a se tornar um gerente de fundo de cobertura, filantropo, escritor e ativista político do Partido Democrata dos Estados Unidos, foi uma das crianças participantes.

Procedimento Os procedimentos foram conduzidos por uma pesquisadora e um pesquisador. Durante os testes, o pesquisador se encarregou de 3 meninos e 2 meninas enquanto a pesquisadora se encarregou de 3 meninas e 2 meninos. A sala onde os testes foram conduzidos tinha uma mesa acoplada a uma barreira que separava o pesquisador e a criança. Nela, detrás da barreira, havia um brinquedo de mola e uma tigela de bolo opaca onde estavam um marshmallow e um palito de pretzel. Ao lado dessa mesa com a barreira, havia outra mesa com uma caixa de brinquedos manuais e eletrônicos, que estavam visíveis para a criança. Rente à parede da sala, havia uma cadeira, outra mesa, e um sinete.

No experimento 1, as crianças foram testadas sob as seguintes condições: (1) esperando pela recompensa tendo uma distração externa (o brinquedo), (2) esperando pela recompensa tendo uma distração interna (faz-de-conta), (3) esperando pela recompensa (sem distração), (4) tendo uma distração externa (brinquedo) sem outras opções, e (5) tendo uma distração interna (faz-de-conta) sem outras opções.

Experimento 2

Participantes Os participantes consistiam em 32 crianças da Bing Nursery School da Universidade de Stanford. Suas idades iam de 3 anos e 9 meses a 5 anos e 3 meses. A média de idade era de 4 anos e 9 meses. Seis delas foram eliminadas do estudo por terem falhado em compreender as instruções ou por terem comido um dos prêmios enquanto aguardavam pelo pesquisador.

Procedimento O experimento 2 se focou no quanto cognições com conteúdo substancial poderia afetar o comportamento durante o atraso subsequente. As condições do experimento 2 foram as mesmas do experimento 1, com a exceção de que após as três perguntas a respeito da compreensão das instruções foram feitas, os pesquisadores sugeriram ideias para as crianças pensarem sobre enquanto esperavam. Essas sugestões tinham como objetivo induzir nas crianças vários tipos de ideações durante o período de atraso na gratificação.

Experimento 3

Participantes Os participantes consistiam em 16 crianças (11 meninos e 5 meninas) cujas idades iam de 3 anos e 5 meses a 5 anos e 6 meses. A média de idade era de 4 anos e 6 meses.

Procedimento No experimento 3, todas as condições e procedimentos eram os mesmos dos experimentos 1 e 2, com a exceção de que os doces não estavam visíveis para aos olhos das crianças enquanto elas esperavam. Nos experimentos anteriores, os dois prêmios estavam diretamente disponíveis para elas durante o período de atraso. Para realizar essa mudança de condições, foi dito às crianças que os doces deviam ser mantidos frescos. O marshmallow e o palito de pretzel eram, em seguida, colocados sob a tigela de bolo opaca e então, debaixo da mesa, fora do campo de visão da criança. Nesse experimento, as mesmas sugestões do experimento 2 foram dadas às crianças.

Resultados gerais Os três experimentos, individualmente, demonstraram alguns resultados significativos: a capacidade efetiva de atraso na gratificação depende fortemente da evitação cognitiva ou ocultação dos prêmios enquanto se aguarda a sua entrega. Adicionalmente, quando as crianças pensavam sobre as recompensas escondidas, se tornava tão difícil de adiar a gratificação quando quando elas estavam visíveis logo à sua frente. Em contrapartida, quando as crianças apenas aguardavam pelo doce e ele não estava visivelmente presente, elas eram capazes de esperar mais e receber a recompensa que preferiam. O experimento do marshmallow de Stanford é importante porque demonstrou que a capacidade efetiva de aguardar não é alcançada simplesmente pensando sobre alguma outra coisa além do que queremos; ele depende de mecanismos de supressão ou evitação que auxiliam a reduzir a frustração.

A frustração de esperar por uma recompensa desejada foi demonstrada pelos autores durante sua descrição do comportamento das crianças: "Eles inventavam canções silenciosas... escondiam suas cabeças nos braços, pisoteavam o chão com os pés, remexiam no sinete para brincar, verbalizavam a continência... oravam para o teto, e assim por diante. Numa técnica de auto-distração dramaticamente eficiente, após claramente sentir muita agitação, uma menina encostou a cabeça, sentou molemente, relaxou o corpo e pegou no sono profundamente."

Estudos de seguimento