Terrorismo de direita ou terrorismo de extrema-direita é um terrorismo motivado por uma variedade de ideologias e crenças de extrema-direita, incluindo nazismo, neofascismo, neonazismo, anticomunismo, ecofascismo, etnonacionalismo, nacionalismo religioso, racismo, xenofobia, oposição à imigração e, ocasionalmente, é motivado pela oposição ao aborto, resistência fiscal e homofobia. Este tipo de terrorismo tem sido esporádico, com quase nenhuma cooperação internacional.Aubrey, p. 45 Os atos terroristas são geralmente mal coordenados, e poucas organizações identificáveis têm sido envolvidas. O terrorismo de direita moderno surgiu primeiramente na Europa Ocidental na década de 1970 e na Europa Oriental após a dissolução da União Soviética.Moghadam, p. 57

Usualmente, terroristas de direita pretendem derrubar governos e substituí-los por governos nacionalistas ou fascistas. No entanto, estes indivíduos geralmente não possuem uma ideologia rígida, que por muitas vezes se adapta às características políticas locais.Moghadam, p. 58 O cerne deste movimento inclui skinheads neo-fascistas, hooligans da extrema-direita, jovens simpatizantes e guias intelectuais que acreditam que suas sociedades deveriam expurgar elementos estrangeiros, a fim de proteger os cidadãos de bem, a quem estes grupos consideram como "legítimos".Moghadam, pp. 57-58

Nos últimos anos, o terrorismo de extrema-direita no Ocidente aumentou em conjunto com a crescente agitação política, polarização e aumento da popularidade de novos movimentos políticos e políticas populistas. Segundo relatório de 2020 da Europol, o terrorismo político de extrema-direita havia aumentado 250% nos últimos cinco anos - sendo que entre 2002 e 2019, o Ocidente contabilizou 332 ataques terroristas de extrema-direita, que resultaram em 286 mortes — 49 desses ataques tendo ocorrido apenas em 2019.

Ainda, de acordo com dados compilados pelo relatório Global Index for Terrorism 2020, 82% das mortes por terrorismo no Ocidente foram perpetrados por grupos ou pessoas desta tendência ideológica. O relatório do Instituto para Economia e Paz - onde são analisados os impactos do terrorismo em 163 países que representam 99,7% da população mundial - registra que, com o declínio do Estado Islâmico, o terrorismo religioso vem perdendo protagonismo, revelando o extremismo de direita como a nova ameaça à segurança do Ocidente.

Por país

Alemanha Vítimas do extremismo de direita são contabilizadas na Alemanha desde a Reunificação do país, em 1990. Desde então, foram 94 mortos registrados. No entanto, analistas afirmam que muitos casos são registrados de forma errada pelas autoridades e que o número real de vítimas é bem maior, devendo chegar a, no mínimo, 198 mortos.

Em 26 de Setembro de 1980, o Atentado na Oktoberfest em Munique, causou a morte não apenas do terrorista, como também de outras 14 pessoas, além de ferir outras 215 vítimas. A primeira vítima notória do terror de extrema-direita após a reunificação alemã foi o angolano Amadeu Antonio Kiowa, que foi brutalmente espancado e assassinado por grupos neonazistas em Eberswalde, Alemanha, em 6 de dezembro de 1990.Ben Reichardt: „Eberswalde war ein übles Nest“, Artigo online de novembro de 2015 auf www.welt.de; Consultado o 13 de agosto de 2019Spiegel TV Magazin: Eberswalde und der Mord an Amadeu Antonio Kiowa. Publicación do 27 de agosto de 2012, dispoñible en YouTube; consultado o 13 de agosto de 2019 Além de vários assaltos a bancos, o grupo extremista Nationalsozialistischer Untergrund foi o responsável pelos assassinatos em série no Bósforo (2000-2006), pelo atentado em Colônia em 2004 e pelo assassinato da policial Michéle Kiesewetter em 2007. Em novembro de 2011, dois membros do Nationalsozialistischer Untergrund cometeram suicídio para evitar a prisão depois de um assalto a banco, e um terceiro membro foi preso alguns dias depois e sentenciado à prisão perpétua.

Em 9 de Outubro de 2019, durante o Yom Kippur (um dos feriados mais importantes para os judeus), terroristas da extrema-direita alemã abriram fogo contra os frequentadores de uma sinagoga em Halle, cidade localizada a cerca de 170 quilômetros da capital Berlim. A ação do terrorista resultou em duas mortes, e foi transmitida ao vivo na Internet pelo próprio criminoso, que inclusive publicou um manifesto político confirmando a motivação antissemita, xenófoba e racista na escolha de seus alvos. De acordo com investigadores, o atirador, identificado como Stephan Balliet, queria promover um massacre na sinagoga para servir de exemplo a extremistas de direita e antissemitas em geral. O terrorista lançou um explosivo por cima do muro de um cemitério judaico e tentou entrar em uma sinagoga repleta de pessoas nas proximidades, mas não conseguiu passar pela porta, que estava trancada. Sem conseguir entrar, começou a disparar contra pedestres matando uma mulher que passava pelo local e atirando contra os clientes de uma lanchonete turca, a duas quadras da sinagoga, alvejando mortalmente um homem. Este ataque ocorreu poucos meses depois do assassinato de Walter Lübcke, um político pró-migrantes do partido conservador da chanceler Angela Merkel (UDC), cujo principal suspeito do assassinato é um membro do movimento neonazista.

Em dezembro de 2022, autoridades Alemãs prenderam 25 extremistas de direita acusados de organizar um golpe contra o governo. Entre os presos, há um "príncipe", um militar da ativa e uma ex-deputada de ultradireita que também atua como juíza. Vários reservistas estão sendo investigados. O inquérito policial descobriu que o grupo de extrema-direita autodenominado "Reichsbürger" ("Cidadãos do Império Alemão", em tradução literal), tentava recrutar membros das Forças Armadas e policiais do país, e planejava uma invasão violenta do Parlamento alemão. Os extremistas não reconheciam a legitimidade da República Alemã moderna, e após fechar o Bundestag, pretendiam restaurar o sistema monárquico, empossando Heinrich XIII Príncipe Reuss como chefe de Estado.

Brasil

O Brasil vivenciou entre as décadas de 1960 e início da década de 1980 uma série de eventos que poderiam ser classificados como atentados terroristas da extrema-direita ou pelo menos sua tentativa. Os casos mais famosos são o Caso Para-Sar e Atentado do Riocentro que ocorreram durante a ditadura militar brasileira entre 1964-1985. Houve também uma série de atentados à bomba de menor alcance realizadas pelo Grupo Secreto e pela Aliança Anticomunista Brasileira neste período, sendo o atentado no qual veio a falecer Lyda Monteiro da Silva na OAB-RJ o mais conhecido destes.A essa altura, Rosário já figurava como um quadro de grupos terroristas cevados pelo regime. Em depoimento ao livro "A direita explosiva no Brasil", Gilberto Corrales (nome da agenda do sargento e irmão do marceneiro Hilário Corrales, artesão das bombas do "Grupo Secreto"), declarou que, se havia dúvidas sobre a participação de Ronald Watters na morte de Lyda Monteiro, secretária da OAB, no atentado à entidade em 1980, "não existiam dúvidas sobre a atuação do sargento. De acordo com o livro, "era um dos principais agentes operativos do Grupo Secreto".Nesta terça-feira (27) é lembrada uma das datas mais tristes na história da Ordem dos Advogados do Brasil. Completa-se 33 anos do atentado sofrido no Rio de Janeiro, que vitimou com uma carta-bomba a secretária da presidência da entidade, dona Lyda Monteiro da Silva. Em 1980, período em que o Brasil encaminhava sua saída de um dos momentos políticos mais conturbados, em que o autoritarismo e a violência insistiam em não dar o tão esperado espaço para a democracia, a OAB era a voz mais forte na luta pela defesa do Estado Democrático de Direito.

Em 26 de Setembro de 2022, um adolescente de 14 anos abriu fogo contra estudantes da Escola Eurides Sant’anna, em Barreiras. Antes do ataque terrorista ele anunciou seu plano em uma rede social, que também utilizava para atacar gays, lésbicas, nordestinos e, ainda, exaltar ideais nacionalistas e de extrema-direita. O atirador é filho de um policial reformado da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), e usou a arma do próprio pai, um revólver calibre .38 para cometer o atentado. O criminoso ameaçou a porteira da escola para conseguir acesso ao interior do prédio onde passou a efetuar disparos, afugentando os estudantes. Entretanto, a jovem cadeirante Geane da Silva Brito, de 20 anos, não foi capaz de fugir e foi morta com golpes de facão. Depois disso o criminoso foi baleado três vezes por espectadores, e socorrido assim que a polícia chegou ao local.

No dia 25 de novembro de 2022, um jovem de 16 anos invadiu duas escolas de Aracruz/ES e efetuou disparos contra alunos, professores e funcionários que frequentavam o local. Quatro vítimas morreram e ao menos onze ficaram feridos. O terrorista era menor de idade, possuía um símbolo nazista nas roupas camufladas que utilizou durante o ataque. Aos policiais, ele confessou ser o autor do crime, afirmando que o planejava havia 2 anos. Era ex-aluno da Escola Estadual Primo Britti, e utilizou duas armas do pai, que é policial militar, além de seu carro. O pai do terrorista compartilhou em uma rede social a imagem do livro Mein Kampf, escrito por Adolf Hitler, no qual descreve ideais antissemitas. Após o crime, a publicação foi apagada.

Em 24 de dezembro de 2022, a Polícia Militar do Distrito Federal desativou um explosivo colocado em um caminhão de querosene, nas proximidades do Aeroporto Internacional de Brasília. No mesmo dia a Polícia Civil prendeu o empresário bolsonarista George Washington de Oliveira Sousa, 54 anos. O suspeito confessou que pretendia distribuir armas e munições para os apoiadores do presidente Jair Bolsonaro acampados em frente ao Quartel-General do Exército, bem como que tinha a intenção de cometer um atentado a bomba no aeroporto com o objetivo de chamar atenção para os movimentos a favor de Jair Bolsonaro. A polícia também apreendeu diversos armamentos, incluindo duas espingardas, um fuzil, dois revólveres, três pistolas, centenas de munições e outras cinco emulsões explosivas.

Ataques às sedes dos Três Poderes do Brasil em 2023

Canadá O atentado à mesquita de Quebec foi um ataque terrorista ocorrido em 29 de janeiro de 2017, contra o "Centro Cultural Islâmico", uma mesquita localizada em Sainte-Foy, na cidade de Quebec, no Canadá. Seis pessoas foram mortas e outras dezenove ficaram feridas. O ataque foi perpetrado às 20h00 por um atirador solitário. Havia pelo menos 53 pessoas presentes na mesquita na hora do atentado. O suspeito de ser responsável pelo ataque foi identificado como Alexandre Bissonnette, que se entregou às autoridades logo após praticar os crimes.

Colômbia

Os grupos paramilitares colombianos são conhecidos por serem os responsáveis pela maior parte das violações de direitos humanos na segunda metade do conflito armado colombiano em curso.

Os primeiros grupos terroristas paramilitares foram organizados por conselheiros militares dos Estados Unidos que foram enviados durante a Guerra Fria para a Colômbia para combater a propagação de políticos, ativistas e guerrilheiros esquerdistas.Rempe, 1995Livingstone, 2004: p. 155 De acordo com várias organizações de direitos humanos internacionais e governamentais, grupos paramilitares de direita têm sido responsáveis por pelo menos 70 a 80% dos assassinatos políticos na Colômbia por ano.

Estes grupos são conhecidos por serem financiados e protegidos por latifundiários da elite, traficantes de drogas, membros das forças de segurança, políticos de direita e corporações multinacionais.Brittain, 2010: pp. 129–131