Euromaidan (, , literalmente 'Europraça') ou Revolução da Maidan,Ucrânia assinala Revolução da Maidan. Por Patricia Tavares, pt.euronews.com, 20 de fevereiro de 2022 Tudo depende de 25 de maio na Ucrânia. Por Thomas Friedman. UOL, 25 de abril de 2014.Guerra na Ucrânia: como os museus estão salvando a arte de ataques da Rússia. Valor, 13 de março de 2022. foi uma onda de manifestações e agitação civil ocorrida na Ucrânia entre novembro de 2013 e fevereiro de 2014. Os protestos foram desencadeados pela decisão do presidente Viktor Yanukovytch de suspender as negociações do Acordo de Associação com a União Europeia em favor de uma aproximação com a Rússia. Considerado o maior movimento democrático de massas na Europa desde 1989, reuniu centenas de milhares de pessoas na Maidan Nezalezhnosti (Praça da Independência) de Kiev e em outras cidades do país.
A agitação iniciou na noite de 21 de novembro de 2013, convocada inicialmente nas redes sociais por jovens e estudantes universitários. O movimento rapidamente se ampliou após a violenta dispersão policial dos manifestantes em 30 de novembro, passando a reunir amplos setores da população — intelectuais, trabalhadores, igrejas e organizações civis — descontentes com a corrupção generalizada, o abuso de poder e as violações de direitos humanos pelo governo do Partido das Regiões.Yanukovych Offers Opposition Leaders Key Posts, Radio Free Europe/Radio Liberty (25 de janeiro de 2014)
Os confrontos atingiram o auge em fevereiro de 2014, quando forças de segurança abriram fogo contra os manifestantes, matando mais de 100 pessoas — os chamados Heróis do Centurião Celestial. Diante da pressão, Yanukovytch fugiu para a Rússia em 21 de fevereiro de 2014, o parlamento ucraniano votou pela sua deposição e a ex-primeira-ministra Yulia Tymoshenko foi libertada da prisão. O Acordo de Associação com a UE foi assinado pelo governo interino em março de 2014.
O Euromaidan teve consequências profundas na geopolítica regional. Em resposta à queda de Yanukovytch, a Rússia anexou a Crimeia em março de 2014 e apoiou separatistas no Donbass, desencadeando um conflito armado que se tornaria prelúdio da invasão russa da Ucrânia em 2022. Internamente, os protestos marcaram uma reorientação definitiva da Ucrânia em direção à integração europeia e ao abandono da neutralidade entre Rússia e Ocidente.
Antecedentes Etimologia O termo "Euromaidan" foi inicialmente utilizado como um hashtag no Twitter. Uma conta no Twitter chamada Euromaidan foi criada no primeiro dia dos protestos. Logo tornou-se popular na imprensa internacional. O nome é composto de duas partes: "Euro" é a abreviação para Europa e "Maidan" ("esplanada" ou "praça") refere-se Praça da Independência (Maidan Nezalejnosti) a principal praça da capital ucraniana Kiev, onde os protestos estão centrados. Durante os protestos a palavra "Maidan" passou a significar o ato da própria política pública.Fascism, Russia, and Ukraine
As redes sociais desempenharam um papel determinante no surgimento e na expansão do Euromaidan. Na noite de 21 de novembro de 2013, o jornalista ucraniano Mustafa Nayyem publicou uma mensagem no Facebook convocando os seus seguidores a reunirem-se na Praça da Independência para protestar contra a decisão de Yanukovytch. A publicação foi partilhada mais de mil vezes em poucas horas e atraiu cerca de 1 500 pessoas na primeira noite. A hashtag surgiu imediatamente e tornou-se o instrumento de comunicação central dos manifestantes, com entre 1 500 e 3 000 publicações por hora no Twitter durante a primeira semana de protestos. A página oficial do Euromaidan no Facebook tornou-se a de crescimento mais rápido na rede ucraniana, reunindo perto de 140 000 seguidores em duas semanas. O Financial Times descreveu os protestos de 2013 como "em grande parte espontâneos, desencadeados pelas redes sociais", em contraste com os seus predecessores, mais dependentes de estruturas partidárias.
O termo "Primavera Ucraniana" é por vezes utilizado em referência à Primavera Árabe, que foi desencadeada por causas similares como o autoritarismo opressivo, a corrupção generalizada das autoridades, a cleptocracia e a falta de oportunidade. Kerry in Moldova Supports Ukrainian 'Spring'Photo Essay: The Ukrainian Spring
Causas iniciais Em 30 de março de 2012, a União Europeia (UE) e Ucrânia deram início a um Acordo de Associação,European Neighbourhood Watch Issue 80 , Centre for European Policy (Março de 2012) no entanto, os líderes da UE declararam mais tarde que o acordo não seria ratificado a menos que a Ucrânia solucionasse a situação de uma "deterioração flagrante da democracia e do Estado de Direito", incluindo a prisão de Yulia Tymoshenko e Yuriy Lutsenko em 2011 e 2012.Ukraine's jailed Tymoshenko calls off hunger strike, Kyiv Post (16 de Novembro de 2012) Nos meses que antecederam os protestos, o presidente ucraniano, Viktor Yanukovich pediu ao parlamento a adoção de leis para que a Ucrânia cumprisse os critérios da UE. EU Commissioner Fule expects Rada to pass European integration bills on November 21, Interfax-Ukraine (20 de Novembro de 2013)Ukrainian president asks for laws to be passed to facilitate EU association agreement, Euronews (3 de Setembro de 2013)
Em 21 de novembro de 2013, um decreto do governo ucraniano suspendeu os preparativos para a assinatura do acordo de associação.Cox-Kwasniewski mission to continue until Eastern Partnership Summit, Interfax-Ukraine (21 de Novembro de 2013) A razão apresentada foi que nos meses anteriores a Ucrânia tinha experimentado "uma queda na produção industrial e nas nossas relações com os países da Comunidade dos Estados Independentes". O governo também assegurou que "a Ucrânia recomeçará a preparar o acordo quando a queda na produção industrial e as relações com os países da CEI fossem compensadas pelo mercado europeu".Ukraine to resume preparing agreement with EU when compensation for production drop found – Boiko, Interfax-Ukraine (21 de Novembro de 2013) Segundo o primeiro-ministro ucraniano Mykola Azarov "as condições extremamente duras" de um empréstimo do FMI (apresentadas pelo FMI em 20 de novembro de 2013), que incluía grandes cortes no orçamento e um aumento de 40% nas contas de gás, tinha sido o último argumento a favor da decisão do governo ucraniano de suspender os preparativos para a assinatura do Acordo de Associação.
O presidente Yanukovych participou da cúpula da UE em Vilnius nos dias 28 e 29 de novembro (onde originalmente estava previsto que o Acordo de Associação seria assinado em 29 de novembro de 2013), mas o acordo de associação não foi firmado.Ukraine fails to sign landmark deal at EU summit, Euronews (29 de Novembro de 2013)Ukraine's rejection of EU deal brings rival rallies at home, Euronews (29 de Novembro de 2013) Tanto Yanukovych como altos oficiais da UE sinalizaram que queriam assinar o Acordo de Associação em uma data posterior. Barroso: EU to continue its dialog with Ukraine on principles of mutual respect, transparency and responsibility, Interfax-Ukraine (29 de Novembro de 2013)EU and Ukraine say 'door still open' for future trade pact, Euronews (29 de Novembro de 2013)Yanukovych says Ukraine-EU deal is suspended, not cancelled, Euronews (29 de Novembro de 2013)
Opinião pública sobre o Euromaidan De acordo com pesquisas de dezembro de 2013 (por três pesquisas de opinião diferentes) entre 45% e 50% dos ucranianos apoiaram o Euromaidan, e entre 42% e 50% se opuseram. O maior apoio para o protesto pode ser encontrado em Kiev (cerca de 75%) e oeste da Ucrânia (mais de 80%).Ukraine protesters take rally to Yanukovich's residence, Financial Times (29 de dezembro de 2013) Entre os manifestantes Euromaidan, 55% são do oeste do país, com 24% da região central da Ucrânia e 21% do leste.
De acordo com uma pesquisa de janeiro, 45% dos ucranianos apoiaram os protestos e 48% dos ucranianos desaprovavam o Euromaidan.
Opinião pública sobre a adesão à UE De acordo com um estudo de agosto de 2013 pela empresa de Donetsk, Research & Branding Group, 49% dos ucranianos apoiaram a assinatura do Acordo de Associação, enquanto 31% se opuseram e o restante não havia decidido ainda. No entanto, em uma enquete de dezembro pela mesma empresa, apenas 30% afirmaram que os termos no Acordo de Associação seriam benéficos para a economia da Ucrânia, enquanto 39% disseram que eram desfavoráveis para a Ucrânia. Na mesma pesquisa, apenas 30% disse que a oposição seria capaz de estabilizar a sociedade e governar bem o país, caso chegasse ao poder, enquanto 37% discordou.
Os autores da pesquisa da GfK Ukraine, conduzida entre 2-15 de outubro de 2013, reivindicaram que 45% dos entrevistados acreditavam que Ucrânia deveria assinar um Acordo de Associação com a UE, ao passo que apenas 14% favoreceu a adesão à União Aduaneira da Bielorrússia, Cazaquistão e Rússia, e 15% preferiram o não-alinhamento.
Outra pesquisa realizada em novembro pelo IFAK Ukraine para o DW-Trend mostrou 58% dos ucranianos apoiam a entrada do país na União Europeia. Por outro lado, uma pesquisa de novembro de 2013 pelo Kyiv International Institute of Sociology apontou 39% apoiando a entrada do país na União Europeia e 37% apoiando à adesão da Ucrânia à União Aduaneira da Bielorrússia, Cazaquistão e Rússia. Poll: Ukrainian public split over EU, Customs Union options, Kyiv Post (26 November 2013)
Início das manifestações thumb|Protesto inflamado na rua Hrouchevskoho, 22 de janeiro de 2014|302x302px As manifestações começaram na noite de 21 de novembro de 2013, quando protestos espontâneos irromperam na capital, Kiev, após o governo ucraniano ter suspendido os preparativos para a assinatura de um Acordo de Associação e de um Acordo de Livre Comércio com a União Europeia, em favor de relações econômicas mais estreitas com a Rússia. Depois de alguns dias de manifestações, um número crescente de estudantes universitários juntou-se aos protestos.Students in Ukraine threaten indefinite national strike, Euronews (26 de novembro de 2013)
Apesar das exigências não atendidas até ao momento para renovar a integração da Ucrânia na UE, o Euromaidan tem sido repetidamente caracterizado como um acontecimento de grande simbolismo político para a própria União Europeia, em particular como "a maior manifestação pró-europeia da história".
Os protestos decorreram apesar de forte presença policial,Live updates of the protests, Kyiv Post (27, 28 e 29 de novembro de 2013)Protests continue in Kyiv ahead of Vilnius EU summit, Euronews (27 de novembro de 2013) temperaturas periodicamente abaixo de zero e neve. A escalada da violência das forças do governo no início da manhã de 30 de novembro fizeram com que o nível dos protestos subissem, com a manifestantes em Kiev nos fins de semana de 1 de dezembro e 8 de dezembro. Nas semanas posteriores, o número de manifestantes nos protestos oscilou entre e .Ukraine pro-Europe protesters hold first big rally of 2014, Reuters (12 de janeiro de 2014) Revoltas violentas ocorreram em 1º de dezembro e entre 19 de janeiro e 25 de janeiro em resposta à brutalidade policial e à repressão do governo. Desde 23 de janeiro, vários edifícios governantes e conselhos regionais nos Oblasts da Ucrânia Ocidental foram ocupados em uma revolta por ativistas Euromaidan. Nas cidades russófonas de Zaporizhzhya, Sumy e Dnipropetrovsk, os manifestantes também tentaram assumir o edifício do governo local, mas foram recebidos com violência policial considerável e força.