Para o Espiritismo, Jesus é o modelo de ser humano mais perfeito que Deus ofereceu, para servir de guia. Neste sentido é que Allan Kardec afirma que, "para o homem, Jesus constitui o tipo da perfeição moral a que a Humanidade pode aspirar na Terra. Deus no-lo oferece como o mais perfeito modelo e a doutrina que ensinou é a expressão mais pura da lei do Senhor, porque, sendo ele o mais puro de quantos têm aparecido na Terra, o Espírito Divino o animava".Comentário à questão 625, in:

Ainda segundo a doutrina espírita, Jesus veio com a missão divina de cumprir a lei, que fora anteriormente revelada por Moisés (constituindo este a primeira e Jesus a segunda revelação); ele, contudo, não disse tudo, muitas vezes se limitou a desvelar o "gérmen da verdade", que foi completada pela "terceira revelação": o Espiritismo. O médium Francisco Cândido Xavier, na obra "Emmanuel", resume: "Jesus foi a manifestação do amor de Deus, a personificação de sua bondade infinita".

Natureza corpórea de Jesus Uma divisão profunda no movimento espírita brasileiro, contudo, ocorreu acerca da natureza corpórea de Jesus, colocando em confronto as ideias de Kardec e as defendidas por Jean-Baptiste Roustaing, seu contemporâneo, que defendia ter o Cristo um corpo diverso dos demais, de natureza fluídica (docetismo), ponto este que fora refutado pelo próprio Kardec em um artigo de 1866; a obrigatoriedade da obra de Rousteing, contudo, é indicada nos estatutos da Federação Espírita Brasileira e uma tentativa de retirar este item foi contestada judicialmente.

Kardec menciona a questão, em A Gênese, reportando que não trataria do assunto naquele momento: “Sem nada prejulgar quanto à natureza do Cristo, natureza cujo exame não entra no quadro desta obra, considerando-o apenas um Espírito superior...”.

Este exame da natureza do Cristo, de fato, só veio a público após sua morte, na obra que reúne seus escritos publicados na ’’Revista Espírita’’ e outros inéditos – Obras Póstumas; ali, Kardec é taxativo: as discussões sobre a natureza corpórea do Cristo foi causa dos principais cismas da Igreja e refuta, no capítulo “Estudo sobre a natureza do Cristo”, todos os fundamentos da Igreja para o dogma da divindade de Jesus, razão pela qual a crença na “trindade” não tem qualquer embasamento, no Espiritismo.

Jesus e mediunidade Ressaltando que dada a missão que cumpriu foi um mensageiro direto de Deus, mais que um profeta e que “como homem, tinha a organização dos seres carnais; porém, como Espírito puro, desprendido da matéria, havia de viver mais da vida espiritual, do que da vida corporal”; Jesus não agia como “médium”, atuando por si mesmo e por conta de seu poder pessoal – a não ser nos momentos em que agia como intermediário do poder de Deus.

Ver também Fundação Espírita André Luiz

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