Baeza (historicamente também chamada de Baeça) é um município da Espanha na província de Jaén, comunidade autónoma da Andaluzia. Tem de área e em tinha habitantes (). Foi declarada Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO em 3 de julho de 2003, juntamente com Úbeda, a cidade vizinha, segundo os critérios (ii) e (iv). A cidade, em especial, seu centro histórico, é marcada pela influência cultural e arquitetônica dos árabes. A conquista de Baeza pelos reis cristãos, foi um ponto chave para a vitória espanhola nas Guerras de Reconquista, devido à sua localização mais ao sul da Espanha.

Baeza é atualmente conhecida pela sua produção de azeite, e por abrigar uma das sedes da Universidad Internacional de Andalucía, além do seu legado monumental como Patrimônio. Os séculos de ocupação e transformação humana, na cidade fazem de sua malha urbana, uma rica colcha de história e cultura, muito atraente para visitantes e turistas.

Topografia Baeza está localizada 766 metros acima do nível do mar, em uma posição importante da região histórica de La Loma, na margem direita do Rio Guadalquivir (o maior da Andaluzia). A cidade está situada sobre três colinas e um pequeno vale no meio, uma posição bastante elevada sobre o vale do Rio Guadalquivir, localização favorável por ser uma região muito importante na antiguidade.

Clima Baeza, como o resto da La Loma, tem um clima mediterrâneo-continental, com invernos bastante frios, temperatura média de 6°C em janeiro, e verões quentes. A temperatura média anual é de cerca de 15 ° C, e as chuvas concentram-se principalmente entre os meses de outubro e maio, com verões muito secos.

Melhor época do ano para visitar O índice de turismo, dá preferência a dias pouco encobertos e sem chuva, com sensação de temperatura entre 18 °C e 27 °C. Portanto, a melhor época do ano para visitar Baeza e realizar atividades turísticas gerais ao ar livre é entre os meses de junho e setembro.

Demografia

História

Pré-história As primeiras ocupações do município de Baeza, segundo a arqueologia, iniciam-se no Paleolítico Médio, sendo encontrados sítios Mousterianos nas proximidades dos cursos d'água de maior relevância. O primeiro registro de presença humana se deu na zona de Las Montalvas, por grupos nômades, caçadores e coletores, a nordeste da zona urbana da atual Baeza, onde foram encontrados produtos microlíticos, da fase Epipaleolítica. Já no Neolítico, as ocupações se limitaram à esquerda do rio Guadalquivir, às Montanhas Subbétias, com a formação de pequenos povoados na encosta da Sierra Mágina. Os primeiros assentamentos da planície de La Loma são calcolíticos, mas também há registros de outros da Idade do Bronze, quando se iniciou a sedentarização do ser humano e de certa estratificação social. Na colina do Alcazar há registro de diversas povoações ibéricas ao longo do tempo.

História antiga Durante o domínio romano da região, Baeza era uma cidade romana denominada Vivatia, pertencente à Hispânia Citerior, uma das duas províncias em que a Espanha foi dividida após ser conquistada pela República Romana. Nesse período a cidade era livre para promulgar suas próprias leis e possuía certa autonomia, mas pagava tributos, além de ser subordinada a seus conquistadores. Durante o Império, Vivácia é elevada à condição de Município Flavio devido à sua posição estratégica tanto na comunicação entre as regiões, como no âmbito comercial, em virtude da extração de insumos agrícola e minerais. Com essa ascensão, a cidade passou a fazer parte do aparato administrativo imperial, ampliando seus poderes. Com a crise do Império Romano do Ocidente, Vivácia foi alvo de invasões bárbaras, que culminaram no domínio visigodo da cidade por volta do século 550, a qual passou a se chamar Biácia. Essa passou a ser dominada pela aristocracia goda, que se funde com a hispano-romana, dando origem à miscigenação e sincretismo cultural entre os dois povos. O restante da sociedade era composto pelo campesinato, classe mais numerosa, formada predominantemente por hispano-romanos, e também por um incipiente grupo judeu muito ligado ao comércio. Biata era considerada um importante centro urbano, além de ser a sede episcopal da igreja, e muitas relíquias do período estão conservadas e ainda podem ser observadas em Baeza.

Idade média Com a chegada dos muçulmanos à Península Ibérica no século VIII, o território da Espanha foi distribuído entre hispânicos, tribos árabes e omíadas, e a maior parte ficou sob domínio islâmico, do Califado de Córdova. Sob esse novo governo, Baeza foi chamada de Baiaça e não houve grandes mudanças nas estruturas sociais, ocorrendo, mais uma vez, sincretismo e miscigenação. Era permitido aos cristãos, que não se converteram ao islamismo, e a outras minorias religiosas, manter a sua religião, com a condição de que aceitassem e respeitassem a autoridade do Islã e pagassem a jizia, imposto específico para os não islâmicos. Nesse período, houve um crescimento populacional associado a um processo de urbanização e à crescente importância das cidades. O domínio do Califado durou até 1031, quando esse se desfez, após um intenso período de instabilidade e revoltas contra o Emir de Córdova, evento esse nomeado Fitna do Alandalus ou Guerra civil do Alandalus, culminando na divisão da Alandalus em vários reinos Taifas. A partir do , as guerras de reconquista passaram a ocorrer, com investidas militares dos reinos cristãos ibéricos contra os muçulmanos. Em 1147, Baeza é reconquistada por Afonso VII, no entanto dez anos depois foi tomada pelos almoádas, alternando sua posse ao longo dos anos entre islâmicos e cristãos. Somente em 1227 foi definitivamente reconquistada por Fernando III de Castela, sendo os muçulmanos expulsados para o Albaicín de Granada. Baeza recupera então seu status de centro diocese, gerando o repovoamento da cidade, cuja população, durante os anos de conflito, procurou abrigo no campo. No final do século XV, duas famílias nobres da cidade, os Benavides e os Carvajales, enfrentaram-se pelo domínio do Alcazar e do Conselho, ou seja, pelo poder, fato este conhecido como Guerra Civil Baezana. Esse conflito foi encerrado com a ação da rainha Isabel a Católica, a qual ordenou a demolição do Alcazar e de algumas outras fortificações a fim de garantir a paz e evitar novos confrontos.

Idade moderna Foi o período de magnificência arquitetônica, riqueza e prosperidade de Baeza. Isso devido ao grande crescimento econômico vivenciado pela cidade, consequência do aumento da produção agrícola, dos preços de venda e da indústria de tecidos. Nesse contexto houve um considerável crescimento populacional, de modo que o número de habitantes no século XVI era praticamente o dobro do anterior, gerando expansão urbana. Em suma, foi uma época marcada pela modernização da cidade medieval, de acordo com a mentalidade humanista, renascentista, na busca pela beleza e harmonia estética. Sendo assim, ocorreu substancial melhoria da cidade, mediante ampliação de ruas e praças, criação de novas áreas urbanas, edifícios públicos, civis, privados e religiosos, que refletiam esse momento de prosperidade e enriquecimento de Baeza, concedendo-lhe suntuosidade e aura de capital. A partir do final do século XVII, a cidade, marcada pela concentração fundiária pela Igreja e nobreza, enfrentou um período de recessão econômica, tal como ocorria nas demais regiões da Espanha, devido a uma série de guerras estéreis, altos impostos, variações climáticas que geraram a redução da produção agrícola, crises epidêmicas e retração populacional, sinalizando, desse modo, a decadência de Baeza.

Idade contemporânea No século XIX, a invasão e ocupação napoleônica acentuaram os problemas socioeconômicos enfrentados por Baeza, aumentando as áreas de ruínas em seu perímetro. No final do século a cidade viveu uma suave recuperação, que foi logo interrompida, sucedida no século XX por tensões políticas, sociais, ideológicas, com a ascensão das doutrinas socialista e anárco-sindicalista, e crescimento do incipiente movimento operário. Com a Guerra Civil Espanhola, de 1936-1939, e a ditadura de Franco, a situação de Baeza se agravou em decorrência dos efeitos da guerra, simultaneamente com a desapropriação de terras e as precárias colheitas que deram origem ao período denominado de “Anos de fome”, resultando num fluxo emigratório. Somente em 1978, com o estabelecimento da Monarquia Parlamentar, que os índices econômicos e sociais começaram a melhorar. A entrada na União Europeia e o fornecimento de subsídios incentivaram a economia, gerando riqueza e melhores condições de vida. Em 2003, Baeza foi declarada, juntamente com Úbeda, Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco.

Patrimônio Cultural Introdução:

Ao longo da história Baeza sofreu sucessivas destruições de diversos edfícios mas, apesar disso a cidade ainda conserva uma grande riqueza de patrimônios monumentais que representam várias épocas, culturas e estilos arquitetônicos. Em Baeza, você pode ver vestígios da Idade do Bronze, da Era Romana e da Hispânia Visigótica, Islâmica e Cristã. No entanto, o mais rico patrimônio monumental preservado corresponde aos vários estilos artísticos presentes na Baeza Crista: desde o românico tardio e gótico, ao renascentista, maneirista, barroco e neoclássico. Não em vão que em 2003, o centro histórico da população, com sua antiga cidade dentro de muralhas, foi declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco.

Monumento ao Santo Fernando lll:

Esse monumento é uma estátua de Antonio Pérez Almohano (1201 - 1252) e retrata o Rei Fernando lll. A obra criada em bronze foi feita para comemorar a entrada do Rei em Baeza e está situada sob uma base de pedra.

Praça do Pópulo:

Esta praça está rodeada por elegantes edifícios do século XVI. A central fonte chamada de “Fuente de los Leones” é feita de esculturas da aldeia ibero-romana de Cástulo e tem a fama de representar Imilce, uma princesa local que se tornou uma das esposas do famoso general cartaginês Hannibal.

A “Puerta de Jaén” no lado oeste da praça era originalmente uma porta da cidade de Bayyasa muçulmana, embora tenha sido reconstruída em 1526. Junto a ela está o Arco de Villalar, erguido por Carlos I neste mesmo ano com o objetivo de comemorar a vitória contra uma greve em Castilla que ameaçou derrubá-lo.

No lado sul da praça está a adorável Casa del Pópulo do século XVI, anteriormente um tribunal e agora abrigando o posto de turismo de Baeza. Foi construído em estilo plateresco, uma fase inicial da arquitetura renascentista conhecida por suas fachadas decorativas. Hoje a função de tribunal é desempenhada pela Antigua Carnicería, de 1547, na parte oriental da praça, que deve ser considerada um dos ex-açougues mais elegantes do mundo, com o escudo de Carlos I estampado na fachada.

Câmara Municipal de Baeza:

O edifício onde reside a câmera municipal de Baeza é uma reforma, restauração e ampliação da antiga prefeitura de Baeza. Localizada no centro histórico, o conjunto possui características renascentistas que devem ser conservadas.

O projeto para a Câmara Municipal de Baeza estabeleceu uma relação com o edifício histórico sendo desde o início do projeto fundamental a reflexão sobre a condição temporal da arquitetura. Deste modo o conjunto se inscreve dentro do conceito de “durée” da arquitetura,sendo carregado de superposições e acumulando ações. Projeta-se pensando na condição aditiva da situação, não se tratando de restaurar e construir uma peça nova, mas atua-se construindo um substrato a mais.

No conjunto existem três partes:

O existente; o edifício ou fragmento histórico que contém a parte representativa e política (plenário, prefeitura, grupos políticos, salas de exposições e conferências); O novo; abriga escritórios, zonas de uso comum e atendimento ao público (área administrativa, obras e urbanismo, serviços gerais); O vazio; um novo espaço público, distribuidor e lugar de espera.