thumb|O Monumento Tortura Nunca Mais, no Recife, foi o primeiro monumento construído no país em homenagem aos mortos e desaparecidos políticos brasileiros, e apresenta o corpo de um homem nu em posição da tortura de pau de arara No Brasil, o uso da tortura — seja como meio de obtenção de provas através da confissão, seja como forma de castigo a prisioneiros — data dos tempos da Colônia.ABI Legado da Inquisição, a tortura nunca deixou de ser aplicada no Brasil durante os 322 anos de período colonial e nem posteriormente, nos 67 anos do Império e no período republicano.Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados (Brasil).A Tortura no Brasil - Um estudo sobre a prática da tortura por agentes públicos, a ação da Justiça, alguns casos emblemáticos acompanhados pela CDH e propostas de ações superadoras. Subsídio ao trabalho do Relator da ONU para a Tortura, Nigel Rodley, em sua missão oficial ao Brasil. Brasília – DF, agosto de 2000].
Durante os chamados anos de chumbo, assim como na ditadura de Getúlio Vargas (período denominado Estado Novo, em alusão à República Velha, que findava), houve a prática sistemática da tortura contra presos políticos — aqueles considerados subversivos e que, alegadamente, ameaçavam a segurança nacional. Dossiê virtual Anistia e crimes de lesa humanidade. Videoteca Digital de documentos da Tortura no Brasil.
Primeira República Em 1910 a Liga dos direitos do homem enviou ao governo de Hermes da Fonseca uma carta de protesto contra a tortura, tratamento desumano e assassinato de prisioneiros da Revolta da Chibata. 16 dos 17 companheiros de cela de João Cândido, líder da revolta, morreram no seu cárcere na Ilha das Cobras.. p. 210, 268-269.
Nos períodos de estado de sítio de 1922 a 1927, a repressão às revoltas tenentistas e outros dissidentes resultou em novas denúncias de tortura, inclusive contra alguns indivíduos de posição social relativamente alta, como no caso do comerciante Conrado Niemeyer. Associados a este caso, o fabricante de fogos de artifício Narciso Ramalheda teria sido espancado na 4.ª Delegacia Auxiliar do Rio de Janeiro para confessar que fabricava dinamite para os militares conspiradores. O caso de Conrado Niemeyer, que morreu em custódia policial, foi mais tarde investigado, o que Everardo Dias atribuiu à sua posição social, pois numerosos deserdados e operários receberam tratamento equivalente. Autor de Bastilhas Modernas: 1924-1926, ele descreveu torturas como "pontapés, bofetadas, palmatória, o cano de borracha, as espetadas com faca, as queimaduras, as salas molhadas, dias a fio, e as pancadas contínuas sobre o coração". . p. 155-159. O historiador Hélio Silva caracterizou "o cano de borracha, a água fria, o isolamento, subnutrição e os maus tratos, de toda a hora" como a "página negra da reação legalista" contra a Revolta Paulista de 1924.. p. 387.
Ditadura militar
thumb|upright|esquerda|Quartel do 1º B.P.E. sede do DOI-CODI Rio de Janeiro, usado como centro de tortura durante a ditadura militar Durante o regime militar de 1964, os torturadores brasileiros eram, em sua grande maioria, militares das forças armadas, em especial do exército. Os principais centros de tortura no Brasil, nesta época, eram os Destacamentos de Operações de Informação - Centros de Operações de Defesa Interna (DOI/CODI), órgãos militares de defesa interna. No ano de 2006, Carlos Alberto Brilhante Ustra, coronel do Exército Brasileiro e ex-chefe do DOI/CODI de São Paulo, respondeu por crime de tortura em tribunal militar. Torturador Carlos Alberto Brilhante Ustra condenado pela Justiça de São Paulo. (visitado em 29 de Agosto de 2009)
Mas havia também torturadores civis, que atuavam sob ordens dos militares. Um dos torturadores mais famosos e cruéis foi Sérgio Paranhos Fleury, delegado do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) de São Paulo, que se utilizava de métodos brutais - e, por vezes, letais - para conseguir as confissões de seus suspeitos, à revelia de seus chefes.Rede de Direitos Humanos-dhnet.org. Segundo o relatório "Brasil: Nunca Mais",Projeto Brasil Nunca Mais pelo menos 1 918 prisioneiros políticos atestaram ter sido torturados entre 1964 e 1979 (15 de março de 1979 era a data-limite do período a ser investigado). Grupo Tortura Nunca Mais - RJ Projeto Brasil Nunca Mais - Projeto de Pesquisa coordenado pela Arquidiocese de São Paulo O documento descreve 283 diferentes formas de tortura utilizadas na época pelos órgãos de segurança.
No final dos anos 1960 e início dos anos 1970, as ditaduras militares do Brasil e de outros países da América do Sul criaram a chamada Operação Condor para perseguir, torturar e eliminar opositores. Receberam o apoio de especialistas militares norte-americanos ligados à Agência Central de Inteligência (CIA), que ensinaram novas técnicas de tortura para obtenção de informações. A Escola das Américas, instalada nos Estados Unidos, foi identificada por historiadores e testemunhas como um centro de difusão de técnicas de tortura. O americano Dan Mitrione foi um dos enviados americanos que, posando como agente da Embaixada Americana no Brasil, treinou policiais brasileiros em técnicas de tortura "científicas" para a obtenção de informações de suspeitos presos.Costa-Gavras e Solinas (1974) Estado de Sítio, Arcádia. Ele se utilizava de mendigos para dar demonstrações de suas técnicas.Gauer, Ruth Maria Chittó (Organizadora) "Criminologia e sistemas jurídico-penais contemporâneos, II" EDIPUCRS 2010 ISBN 9788574309910 Pág.96 visualização google livros A história de Mitrione no Brasil foi objeto do filme Estado de Sítio, de Costa-Gavras.
Com a redemocratização, em 1985, cessou a prática da tortura com fins políticos. Mas as técnicas foram incorporadas por muitos policiais, que passaram a aplicá-las contra os presos comuns, suspeitos ou detentos, principalmente quando negros e pobres, ou, nas áreas rurais, indígenas. Entre as principais técnicas de tortura aplicadas no período, podem ser citadasː o afogamento, a cadeira do dragão (espécie de cadeira elétrica), espancamentos, soro da verdade (droga injetável que deixa a vítima em estado de sonolência), a geladeira (pequena caixa em que a vítima era confinada e sofria com oscilações extremas de temperatura e barulhos perturbadores) e pau de arara."Os poucos suspeitos ricos, se privados de liberdade em absoluto ou até condenados, podem comprar tratamento e condições de detenção toleráveis ou, no mínimo, menos intoleráveis do que muitos que são pobres e geralmente negros ou mulatos ou, nas áreas rurais, indígenas." Relatório sobre a Tortura no Brasil produzido pelo Relator Especial sobre a Tortura da Comissão de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU). Genebra, 11 de abril de 2001. Quais foram as torturas utilizadas na época da Ditadura Militar no Brasil? Site da revista Mundo Estranho. Retrieved 30 April 2014.
Treinamento em técnicas de tortura As técnicas de tortura utilizadas no Brasil, ao contrário da ideia de que seriam improvisos dos que aplicam a tortura, têm, na verdade, estreita conexão com técnicas desenvolvidas através de experimentos como os do Projeto MKULTRA. Técnicas trazidas para o Brasil e América Latina, através de treinamento e treinadores americanos, estão contidas nos Manuais KUBARK Documentos Oficiais - Manuais KUBARK da CIA de Técnicas Coercitivas (Tortura Física e Psicológica) e Não Coercitivas (Tortura Psicológica) de Interrogatórios nos arquivos de Domínio público da Universidade George WashingtonUniv. George Washington.em Inglês e Espanhol. utilizados para treinamento de militares e agentes de segurança brasileiros na Escola das Américas além de em outros programas de intercâmbio. Instituto de Cooperação para a Segurança Hemisférica-anteriormente chamado "Escola das Américas", patrocinada pelo governo americano e chamada de "Escola de Assassinos" Brasileiros treinados pela Escola das Américas atualmente chamada Instituto de Cooperação para a Segurança Hemisférica Agência Brasil de Fato. consultado em 24 de Agosto de 2009.
Vários militares e agentes de segurança do Brasil receberam treinamento na Escola das Américas, cujo nome foi modificado para Instituto do Hemisfério Ocidental para a Cooperação em Segurança. Vários membros da força policial brasileira foram treinados por especialistas em tortura que vieram para o Brasil com o objetivo de difundir os métodos e meios de interrogatório compilados pela CIA.] Revelan identidades de torturadores brasileños - Revista Punto Final - Edición 665
Foi o caso do conhecido Dan Mitrione. Em meados dos anos 1960, Mitrioni foi contratado pela Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) para treinar as polícias do Brasil e do Uruguai, ensinando métodos de tortura que espalharam, no Brasil e no Uruguai, mais violações de direitos humanos e brutalidade policial.La Jornada: EU promovió amenazas contra tupamaros para rescatar a su agente Mitrione en 1970Estados Unidos fez ameaças contra tupamaros para resgatar o agente Mitrione em 1970 — CartaCapitalTo Save Dan Mitrione Nixon Administration Urged Death Threats for Uruguayan Prisoners Alguns documentos liberados pelo governo americano sobre as atividades de Mitrione na América do Sul estão arquivados pelo projeto The National Security Archive. Veja aqui os documentos já revelados sobre Dan Mitrione (em inglês)Dan Mitrione, un maestro de la tortura Jornal Clarín, 2 de Setembro de 2001 - Dan Mitrione, un maestro de la tortura. em espanhol, [visitado em 29 de Agosto de 2009 Nixon afirma: "Brasil ajudou a desestabilizar as eleições no Uruguai Nixon afirma: "Brasil ajudou a desestabilizar as eleições no Uruguai. (visitado em 29 de Agosto de 2009)
A recente liberação pelo governo americano de uma lista parcial de nomes de participantes nos treinamentos da Escola das Américas revelou também o fato de que militares brasileiros treinaram e participaram de tortura, inclusive no Chile. Revelan identidades de torturadores brasileños - Revista Punto Final (espanhol) A organização Observador da Escola das Américas, desde 1983, pesquisa informações sobre países que enviam pessoal para treinamento na Escola das Américas e publica nomes de treinandos, fazendo campanha pelo fechamento da chamada "Escola de Assassinos", atualmente intitulada "Instituto do Hemisfério Ocidental para a Cooperação em Segurança" (Western Hemisphere Institute for Security Cooperation, em inglês). Análise de Instrutores e Lista de Alunos Brasileiros da Escola das Americas - Direitos Humanos na InternetLa Escuela de las Americas, La Escuela de Asesinos | SOA Watch: Close the School of the Americas Conheça a Escola das Américas, agora chamada Instituto do Hemisfério Ocidental para a Cooperação em Segurança, e nome em Inglês Western Hemisphere Institute for Security Cooperation (SOA/ WHINSEC ) (em espanhol)
Tipos de tortura A lista das tortura mais utilizadas no Brasil e Uruguai na altura incluiam: Pau-de-arara - prisioneiro nu com pulsos atados aos tornozelos é pendurado no ar durante horas (variações Galeto - sobre fogueira; e Hidráulica - pano embebido em água na boca); Banho Chinês - Imersão em balde de água; Choques elétricos - choques em zonas sensíveis; No Rio de Janeiro, São Paulo e Montevideu usa-se a moca de pilhas elétricas introduzida da vagina das mulheres e ânus dos homens; Cadeira do dragão - o prisioneiro é sentado em cadeira com assento metálico fazendo passar eletricidade; Golpes - o prisioneiro é repetidamente agredido; (versão Suspensão - suspenso pelos pés, o prisioneiro é agredido; ou versão Palmatória - o prisioneiro é repetidamente agredido nas mãos e palmas dos pés); Queimaduras - dos cigarros a instrumentos de soldar; Lata de Conservas - Prisioneiro descalço sobre latas de conservas abertas; Equilíbrio - Equilíbrio numa só perna aguentando pesos; Sódio-Pentotal - o soro da verdade; Solitário - cela muito pequena, sem luz;