Lancia Oppidana foi uma importante cidade romano-lusitana e a capital administrativa da comunidade indígena dos lancienses (Lancienses Oppidani), situada, segundo as investigações arqueológicas contemporâneas, na região montanhosa do centro de Portugal, especificamente no vale da Cova da Beira, na área de transição entre Belmonte e a Guarda. O nome do povoado associa a raiz hidronímica ou topográfica pré-celta lancia (que fazia referência a uma planície aberta ou a cursos de água) ao termo latino oppidum (cidade fortificada), encontrando-se esta civitas amplamente documentada na famosa inscrição da ponte romana de Alcântara, em Espanha, como uma das comunidades lusitanas que contribuíram financeiramente para a edificação daquele monumento dedicado ao imperador Trajano, surgindo também mencionada por Plínio, o Velho, na sua Naturalis Historia, sob a denominação equivalente de Ocelum Lancienses (onde ocelum representa a tradução céltica para oppidum). No seu apogeu sob o Império Romano, Lancia Oppidana registou um profundo processo de monumentalização urbana segundo o modelo de Roma, beneficiando de um fórum público e de um templo imponente cujos vestígios são hoje identificados por uma parte significativa dos historiadores no interior do célebre e enigmático complexo arqueológico da Torre de Centum Cellas. A economia desta próspera comunidade baseava-se na agricultura, na pastorícia e na exploração das ricas minas de estanho e ouro da região. Paralelamente, a sua população, embora romanizada nos planos jurídico e linguístico, continuou a prestar culto a divindades indígenas locais — como Bandua e Reve — até à cristianização completa do território e ao declínio progressivo da cidade, motivado pelas invasões bárbaras na Antiguidade Tardia.

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