Tomás Francisco de Saboia (em italiano: Tommaso Francesco di Savoia; em francês: Thomas François de Savoie; Turim, 21 de dezembro de 1596 – Turim, 22 de janeiro de 1656), príncipe de Carignano, foi um nobre e militar italiano, fundador do ramo Carignano da Casa de Saboia, que reinou como reis do Piemonte-Sardenha de 1831 a 1861 e como reis da Itália de 1861 até a abolição da monarquia em 1946.

Família Nascido em Turim, Tomás era o mais jovem dos cinco filhos legítimos do soberano duque Carlos Emanuel I de Saboia e de sua consorte Catarina Micaela da Espanha, filha do rei Filipe II. Sua mãe morreu no ano seguinte. Quando jovem, Tomás serviu o rei da Espanha em campanhas na Itália.

Embora em reinados anteriores os filhos mais novos recebessem ricos apanágios na Suíça (Genevois, Vaud), na Itália (Aosta) ou na França (Nemours, Bresse), os duques de Saboia perceberam que isso inibia seu próprio engrandecimento, ao mesmo tempo em que incentivava disputas dinásticas internas e secessões regionais. Além de ter irmãos mais velhos, Tomás era apenas um dos vinte e um filhos reconhecidos de Carlos Emanuel. Embora apenas nove fossem legítimos, os outros — filhos do duque viúvo com nobres amantes — parecem ter sido generosamente assistidos financeiramente durante toda a vida do pai.

O feudo de Carignano pertencia aos Saboia desde 1418, e o fato de fazer parte do Piemonte, apenas vinte quilômetros ao sul de Turim, significava que ele poderia ser um "principado" para Tomás apenas de nome, pois não possuía independência nem rendas significativas. Em vez de receber um patrimônio substancial, Tomás casou-se, em 1625, com Maria de Bourbon; ela era irmã e co-herdeira de Luís, conde de Soissons, que seria morto em 1641 enquanto instigava uma rebelião contra o Cardeal Richelieu.

Tomás e Maria de Bourbon tiveram sete filhos:

Cristina Carlota (1626–1626), morreu na infância; Luísa Cristina (1627–1689), casou-se em 1654 com Fernando Maximiliano de Baden-Baden; Emanuel Felisberto (1628–1709), príncipe de Carignano, governador de Ivrea e de Asti, casou-se em 1684 com a princesa Maria Ângela Catarina d'Este. Como era surdo-mudo, o casamento chocou sua mãe, enfureceu sua cunhada, prejudicou as perspectivas de herança de seus sobrinhos franceses e ofendeu tanto Luís XIV que o duque Francisco II de Módena sentiu-se obrigado a banir de seu domínio o parente da noiva que atuara como intermediário do casal; Amadeu (1629–1629), morreu na infância; José Emanuel (1631–1656), não se casou, morreu aos 24 anos; Eugênio Maurício (1635–1673), conde de Soissons e de Dreux, casou-se em 1657 com Olímpia Mancini; Fernando (1637), morreu na infância.

Carreira militar Anos iniciais e serviço na Espanha esquerda|miniaturadaimagem|290px|Retrato equestre de Tomás de Saboia, Príncipe de CarignanoAnthony van Dyck, c. 1634-1635, Galleria Sabauda O primeiro registro conhecido do serviço militar de Tomás data de 1630, quando atuou como comandante no exército piemontês sob as ordens de seu pai, durante a guerra contra a França (ver Guerra da Sucessão de Mântua). Provavelmente foi nessa época que ele conheceu o cardeal Mazarin, que — embora ocupasse uma posição pública bastante ambígua — atuava, entre 1630 e 1632, como agente francês na corte do Piemonte. Quando o novo duque Vítor Amadeu I foi forçado a aceitar a ocupação francesa de Pinerolo (Paz de Cherasco, de 26 de abril de 1631, e acordos secretos associados, implementados em 1632), espalhou-se um grande descontentamento em todo o Piemonte. Tomás, junto de seu irmão Maurício, decidiu então se aliar aos espanhóis — o que levou Vítor Amadeu a confiscar suas rendas. (A data exata dessa mudança não é mencionada, mas foi provavelmente em 1632, e certamente não depois de 1634.) Embora tenha sido bem recebido pelos espanhóis, devido a seus laços de parentesco com as famílias reais da França e da Espanha, Tomás não gozava de total confiança entre eles e foi obrigado a enviar sua esposa e filhos para Madrid como reféns.

Durante o período de otimismo que se seguiu à inesperada grande vitória espanhola na Batalha de Nördlingen em 1634, a Espanha planejou grandes operações militares na Alemanha, com o objetivo de encerrar a guerra contra os protestantes e também na República Neerlandesa. Esses planos incluíam a nomeação de Tomás para comandar um exército na Vestfália, sob o comando geral do Cardeal-Infante Fernando, irmão de Filipe IV. Nada, porém, resultou desse projeto. Em 1635, quando a França declarou guerra à Espanha (Guerra Franco-Espanhola de 1635–1659), Tomás serviu sob o comando do Cardeal-Infante nos Países Baixos Espanhóis. Foi-lhe confiado o comando de um pequeno exército — variando nas fontes entre 8.500 e 13.000 homens — destinado a enfrentar as forças francesas que haviam avançado sobre Luxemburgo, com ordens para observá-las ou impedir que se unissem a um exército neerlandês. Em 22 de maio de 1635, na Batalha de Les Avins, ao sul de Huy, no então bispado de Liège, Tomás foi derrotado pelo exército francês comandado por Brézé e Châtillon. Conseguiu, contudo, reunir os sobreviventes em Namur, antes de recuar diante das forças francesas e neerlandesas, numericamente superiores. É provável que tenha servido o restante da campanha junto de Fernando. No final daquele ano, o duque Carlos IV da Lorena, então exilado, chegou a Bruxelas e encontrou-se com Tomás; ambos podem ter formado uma pequena corte conjunta, e é certo que Tomás participou de justas organizadas pelo duque. Nessa guerra entre França e Espanha, o Piemonte foi arrastado relutantemente para o conflito ao lado dos franceses, embora inicialmente evitasse uma declaração formal de guerra; assim, tecnicamente, Tomás combatia contra sua própria pátria.

Em 1636, o Cardeal-Infante Fernando organizou um exército conjunto hispano-imperial para uma grande invasão da França a partir dos Países Baixos Espanhóis, e Tomás recebeu o comando inicial das operações, derrotando o exército francês liderado por Soissons, às margens do Somme — embora Fernando logo assumisse o comando supremo. A invasão teve início com grande sucesso e chegou a ameaçar Paris, onde instalou-se o pânico; se Fernando e Tomás tivessem prosseguido, talvez pudessem ter encerrado a guerra naquele momento, mas ambos julgaram o avanço até Paris arriscado demais e interromperam a ofensiva. Mais tarde, durante a campanha, Tomás teve desentendimentos com o general imperial Ottavio Piccolomini, que se recusava a aceitar ordens do príncipe enquanto comandante espanhol, alegando que suas tropas imperiais eram uma força independente. Não há registro de ações militares de Tomás em 1637, mas nesse mesmo ano, quando seu cunhado conde de Soissons fugiu da França após uma conspiração fracassada contra o Cardeal Richelieu, Tomás atuou como intermediário entre ele e os espanhóis em negociações que resultaram numa aliança formal entre o conde e Filipe IV da Espanha, concluída em 28 de junho de 1637 — embora, dentro de um mês, Soissons já tivesse se reconciliado com a França! Em 1638, Tomás serviu em Flandres espanhola, auxiliando na defesa da cidade-fortaleza de Saint-Omer durante um cerco francês. Em meados de junho, conseguiu levar reforços à cidade e, com o restante de seu pequeno exército, fortificou-se cerca de 15 km ao noroeste, em Ruminghem, diante do exército francês comandado por Jacques-Nompar de Caumont, duque de La Force, acampado em Zouafques. Após a chegada de reforços imperiais sob o comando de Ottavio Piccolomini, Tomás marchou para atacar La Force, mas foi derrotado, perdendo cerca de dois mil homens entre mortos e prisioneiros (ação de Zouafques, data exata desconhecida, provavelmente em torno de 21 de junho). Ainda assim, ele conseguiu retornar com o restante de suas tropas ao cerco de Saint-Omer, levando novos reforços à guarnição e fortificando-se de modo tão eficaz que os franceses se viram incapazes de continuar o cerco e acabaram desistindo. Em seguida, Tomás e Piccolomini mantiveram-se tão próximos das forças de La Force que os franceses não puderam realizar novas operações de grande porte.

Guerra Civil Piemontesa Depois de buscar o apoio da Espanha no fim de 1638 para se opor à regente Cristina Maria da França, Tomás partiu para Milão, então sob domínio espanhol, no início de 1639. Lá, juntou-se às forças espanholas e invadiu o Piemonte, onde foi acolhido com entusiasmo por várias cidades. Conquistou Turim por meio de um ardil, embora os franceses continuassem a controlar a cidadela. Em 1640, manteve a cidade durante o complexo cerco de Turim. Após sucessivas rodadas de negociações com a regente e com os franceses, Tomás firmou a paz com ambos na primeira metade de 1642 e, sem o menor constrangimento, mudou novamente de lado, passando a combater ao lado dos franceses contra os espanhóis.

Serviço na França miniaturadaimagem|290px|Tomás Francisco, Príncipe de Saboia-Carignano