miniaturadaimagem|Pessoa com lesão no pescoço causada pelo Paederus. Pederismo é o denominação preferível da dermatite causada pela hemolinfa do inseto popularmente chamado de potó, também chamada de pederose ou dermatite Paederus),
Histórico Os efeitos tóxicos do potó foram conhecidos mais largamente na medicina ocidental há cerca de cem anos, mas encontra-se descrito na medicina chinesa há cerca de 1.200 anos.
Os casos de dermatites causadas pelo potó ocorrem em diversas partes do mundo, mas a maior delas verificou-se no Peru, quando em 1998 o fenômeno climático El Niño causou um crescimento anormal da vegetação e, no começo do ano seguinte, levou mais de 1400 pessoas a necessitarem de atendimento médico por causa das lesões pelo Paederus irritans, num caso que se tornou epidêmico.
O surto ocorreu na região peruana de Piura, afetando os 13 municípios da província de Morropón e ainda o distrito de Canchaque na província de Huancabamba, como consequência das mudanças favoráveis no habitat dos insetos, em que as chuvas se prolongaram nos meses iniciais de 1999, e o ataque dos potós da espécie irritans recebeu da população o nome de "latigazo" (chicotada).
Caracteres clínicos Uma vez ocorrido o contato da pederina com a pele a dermatite vem a manifestar-se num período entre 18 a 24 horas, com diagnóstico eminentemente clínico, como a seguir descrito.
As lesões são em geral lineares, como o desenho do leito de um riacho ou uma chibatada, formando vesículas ou pústulas na área central da lesão; elas seguem o caminho formado quando o inseto foi arrastado durante o ato de coçar, e podem atingir 15 cm de comprimento.
A dermatite vesicante pode ser confundida clinicamente com outras causas, tais como queimaduras, herpes simples ou a zóster, celulite orbitária ou dermatite de contato alérgico aguda.
Somente depois de 8 a 10 horas do contato é que surge o eritema e durante os dois dias seguintes a lesão provoca uma sensação de queimadura e prurido; após estas 48 horas é que surgem vesículas e bolhas que vão crescendo até que, em mais dois dias, se umbilicam; após 6 a 8 dias do contato as vesículas e bolhas esfoliam, deixando no lugar escaras pigmentadas por mais 20 a 60 dias. A mão contaminada pela pederina pode, se levada aos olhos, causar lesões na mucosa ocular como conjuntivite e/ou blefarite.
Um exame anatômico da patologia exibe a formação de bolhas intra-epidérmicas com múltiplos buracos, e necrose da epiderme; as lesões podem apresentar desde a necrose aguda até uma acentuada acantose; focos distantes com atrofia e desprendimento da camada espinhosa da pele (acantólise), sugere que isto possa também ser efeito indireto da pederina.
Efeitos e tratamento
As áreas lesionadas podem provocar uma limitação funcional do local atingido que têm os sintomas dolorosos aumentados pelo sol, calor, suor e contato com as vestes.
A cura ocorre após várias semanas, deixando no local uma cicatriz de cor escura.
Os cuidados são superficiais com sulfato de magnésio e creme de Darier e, se ocorrem infecções secundárias, mister o uso de antibióticos.
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