Júlio Pereira de Sousa (Santos-o-Velho, Lisboa, 7 de janeiro de 1906 — Campo Grande, Lisboa, 1 de Agosto de 1966) foi um escultor, pintor, compositor e poeta português.
Biografia / Obra Nasceu na freguesia de Santos-o-Velho, Lisboa. Era filho do comerciante João Crisóstomo de Sousa, natural de Lisboa, e de Amélia Pereira de Sousa, doméstica, natural de Figueira de Castelo Rodrigo.
Frequentou a Escola de Belas-Artes de Lisboa. Dedicou-se a uma multiplicidade de áreas, nomeadamente à escultura e pintura, ao desenho de figurinos para o teatro, à cenografia. Foi também declamador, compositor e poeta, tendo publicado livros de poemas, entre os quais: Jogo Perdido (1956), História da Menina Triste, Saudade Vai-te Embora (1963) e Beijei a Lua (1965). Foi autor de fados como Fado da Loucura (interpretado pela sua irmã, a fadista Maria Amélia). Foi proprietário de uma casa de fados na Rua da Barroca, Lisboa, onde expunha os seus trabalhos e declamava versos (com acompanhamento ao piano de Mariana Silva).
Pertencente à segunda geração de artistas modernistas portugueses, Júlio de Sousa realizou, entre outras obras, "estatuetas humorísticas de barro, ou num processo seu original, de trapo, em caricaturas notáveis que também praticava em desenho"França, José Augusto – A arte em Portugal no século XX . Lisboa: Bertrand Editora, 1991, p. 278. ISBN 972-25-0045-7 (veja-se, por exemplo, a sua caricatura de Adelina Ramos). Assinalem-se ainda dois conjuntos de baixos-relevos com cenas alusivas a atividades rurais e piscatórias das diferentes regiões do País, instalados na fachada poente do Museu de Arte Popular, Lisboa (os relevos foram realizados no âmbito do projeto de adaptação do anterior Pavilhão da Secção da Vida Popular da Exposição do Mundo Português, 1940, que deu origem ao atual Museu de Arte Popular, inaugurado em 1948).
Está representado em coleções públicas e particulares, nomeadamente no Museu Nacional do Teatro; algumas das suas obras integraram a exposição "Os Anos 40 na Arte Portuguesa", Fundação Calouste Gulbenkian, 1982.A.A.V.V. – Os Anos 40 na Arte Portuguesa (tomo 2). Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1982, p. 100
Nunca casou. Morreu vítima de enfarte do miocárdio a 1 de agosto de 1966, no Hospital de Santa Maria, freguesia do Campo Grande, em Lisboa. Foi sepultado no Cemitério do Lumiar.
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