Arnoul, senhor de Audrehem, (Pas-de-Calais, Jacquelot du Boisrouvray, 1909, página 301 "Nasceu entre 1305 e 1306" – Saumur, dezembro de 1370) foi um marechal de França de 1351 a 1368 e porta-estandarte da França de 1368 a 1370.
Biografia Origens Ele descendia da pequena nobreza da região de Boulonnais, localizada na costa do Canal da Mancha, no departamento de Pas-de-Calais. Sabe-se muito pouco sobre sua família, exceto que seu pai, cujo nome era Baudouin, era cavaleiro em 1307 e ainda estava vivo em 1327. Ele também tinha um sobrinho chamado Jean de Bréard, que foi marechal interino entre 1356 e 1359 e serviu sob suas ordens até 1368. Casou-se com Jeanne de Hamelincourt, viúva de Jean de Walincourt, entre 1348 e 1351.
Primeiras batalhas, antes do cerco de Calais Ele surge na corte da França em 1332, e depois participa, de 1335 a 1337, de uma expedição de socorro ao rei da Escócia, Davi II, liderada por Raul I de Brienne, condestável de Eu.
Participou de uma segunda expedição à Escócia após julho de 1340, e, em seguida, a uma terceira em maio de 1341. Ele deve ter participado das operações dos escoceses em Northumberland, no cerco de Newcastle e na tomada de Durham.Livro “Memória à Academia de Inscrições e Belas Letras — Estudo sobre a vida de Arnoul d’Audrehem, marechal da França”, ano de 1883, página 9.
Deixou a Escócia por volta de meados do ano de 1342 e, logo após seu retorno, foi nomeado capitão do rei na Bretanha por Filipe de Valois. Participou da defesa de Ploërmel, mas não conseguiu impedir sua rendição no final de 1342. Em janeiro de 1346, entrou ao serviço do duque da Normandia, João, futuro rei João II, o Bom e pode-se supor que tenha acompanhado esse príncipe ao Sul e participado do cerco de Aiguillon até o final de agosto, quando o exército tomou conhecimento do desastre da Batalha de Crécy e retornou para o norte.
Arnoul, acompanhado por um certo número de cavaleiros de Artois e da Picardia, seguiu então para Calais por mar para participar de sua defesa e é feito prisioneiro quando a cidade se rende em 3 de agosto de 1347. Enviado para Londres, na Inglaterra, é libertado mediante o pagamento de resgate após um ano e meio.
Novos combates, após o cerco de Calais João, o Bom o nomeou capitão de guerra do condado de Angoulême em 2 de outubro de 1349, sob o comando do condestável Carlos de Lacerda. Ele mantinha um exército, inicialmente composto por cem homens. Dirigiu-se a Reims para assistir à coroação de João II, o Bom.
Ele foi capturado novamente pelos ingleses durante a batalha de Saint-Georges-la-Valade, no dia 1 ou 8 de abril de 1351.
Rapidamente libertado, Arnoul estava em Paris em 25 de maio e participou de um combate perto de Saint-Omer em 6 de junho, contra quinhentos ingleses.
Marechal de França Arnoul foi nomeado marechal de França entre o 21 de junho e 1 de julho de 1351, e recebeu as terras de Wassigny, até 27 de fevereiro de 1352, quando o rei as confisca para entregá-las a Carlos de Blois, mediante uma indenização.Livro “Mémoires à l’Académie des inscriptions et belles lettres”, página 26.
Nessa época, participou da tomada de Fréthun, após a qual o senhor daquela cidade, Aimeri de Pavie, foi levado a Saint-Omer para ser torturado até a morte.
Em 6 de março, foi nomeado tenente do rei em Poitou, Saintonge, Limusino, Angoumois, Périgord e das regiões entre o rio Loire e o Dordonha. Ele se encontrou em Saint-Jean-d'Angély, em Saintes, Angoulême, Limoges, onde supervisionou a concentração das tropas e o reforço das defesas dessas regiões.
Em junho de 1353, foi nomeado tenente do rei na Normandia, passou a residir em Pontorson e supervisionou a mobilização dos homens e dos recursos necessários para a retomada das hostilidades contra os ingleses. Em 8 de julho, voltou a Limoges e participou de um combate em que por pouco não é feito prisioneiro. Em seguida, retornou a Pontorson, enquanto uma trégua foi assinada entre os reis da Inglaterra e da França. Um torneio é organizado nessa cidade por Bertrand du Guesclin e Baudouin de Lens, senhor de Annequin.
Em abril de 1354, com a retomada das hostilidades, ele tomou de surpresa o castelo de Landal em Broualan. Em seguida, empreendeu uma cavalgada até Bécherel e, no caminho de volta, fez uma parada em Combourg, mas a guarnição inglesa de Bécherel o havia seguido sem que ele percebesse. Esta entrou na cidade de surpresa enquanto os franceses estavam descansando, matou alguns deles e fez numerosos prisioneiros. Arnoul e alguns de seus homens conseguiram recuar para Pontorson. No entanto, uma nova incursão foi realizada durante uma semana até Combourg. Hugh de Calverly, capitão da guarnição de Bécherel, ao saber que Arnoul estava em Combourg, organizou uma expedição para tentar capturá-lo, mas caiu em uma emboscada comandada por Du Guesclin. Arnoul acorreu em socorro; muitos ingleses foram mortos ou feitos prisioneiros, entre eles Hugh de Calverly. Du Guesclin foi nomeado cavaleiro naquele campo de batalha.
Arnoul esteve em Paris no mês de agosto e, em outubro, acompanhou o rei a Reims.
Em 1 de janeiro de 1355, perdeu suas anteriores tenências em favor das de Artois, Picardia e Boulonnais. Visitou as fortalezas dessas regiões. Em setembro, Eduardo III desembarcou em Calais e começou a devastar a região. Arnoul acompanhou seus movimentos e relatou ao rei da França, que chegou com seu exército a Fauquembergues em 11 de novembro. Mas Eduardo tomou conhecimento da tomada de Berwick pelos escoceses e retornou à Inglaterra.
Ao lado do rei da França Para arcar com as despesas geradas pela guerra, os impostos foram aumentados, o que provocou distúrbios populares em Arras e uma rebelião dos senhores feudais em Rouen em abril de 1356. O próprio rei da França liderou uma expedição contra esta última cidade, acompanhado por Arnoul, e mandou executar os sediciosos. Arnoul seguiu então para Arras e mandou executar quatorze líderes rebeldes.
A guerra recomeçou na Normandia, liderada por Godefroi de Harcourt, Filipe de Navarra e o duque de Lencastre. O campo ficou em chamas, cidades cairam, e Arnoul participou ao lado de João II na reconquista de Évreux e de Breteuil, a partir do mês de agosto de 1356.
Foi nesse momento que Eduardo de Woodstock, o “Príncipe Negro”, vendo que seus aliados navarros estavam em desvantagem na Normandia, iniciou uma campanha, devastando as regiões entre seus domínios da Aquitânia e da Turena. Isso culminou no desastre da batalha de Poitiers, em 19 de setembro, onde João II, o Bom, e Arnoul foram feitos prisioneiros.
Uma trégua de dois anos foi assinada em 23 de março de 1357. João II e Arnoul foram levados para a Inglaterra e, em 8 de maio de 1360, foi assinado o Tratado de Brétigny.
Arnoul atuou várias vezes como intermediário, munido de salvo-condutos, entre seu rei e personalidades na França. Por volta de 3 de maio de 1360, foi libertado mediante a promessa de pagamento de um resgate vultoso, que, na verdade, nunca foi integralmente pago.
Luta contra as Grandes companhias Em 24 de outubro de 1360, ele foi nomeado conselheiro do rei,Em 4 de novembro, em Saint-Omer, pelo próprio João II, o Bom, segundo o livro “Mémoires à l’Académie des inscriptions et belles lettres”, página 87. depois capitão do rei em Languedoc em 1361, e posteriormente tenente do rei para essa mesma região em 1362.
A conclusão do Tratado de Brétigny provocou um novo e terrível desastre: milhares de combatentes, na França, ficaram sem trabalho, sem meios de subsistência, e se agruparam em “Grandes companhias”, devastando, a partir de 1360, o Sul da França. Pont-Saint-Esprit caiu em suas mãos em 28 de dezembro. O Papa Inocêncio VI, que residia em Avinhão, excomungou-os e pregou uma cruzada contra eles.
O condestável Robert de Fiennes foi nomeado tenente do rei em todo o território de língua d’Oc. Arnoul serviu sob suas ordens. Os mercenários abandonaram Pont-Saint-Esprit.
Arnoul e Robert de Fiennes retomaram Frontignan, mas este último foi chamado de volta em 20 de setembro de 1361, e Arnoul o substitui em suas funções. Em seguida, foram retomadas a fortaleza de Peyroux, perto de Cussac, e a cidade fortificada de Saugues, ambas no Velay. Ele mandou reforçar todas as fortificações.
Em 3 de junho de 1362, diante de Montpensier, bem ao norte de Clermont-Ferrand, Henrique de Trastâmara, enviado por ele, derrotou uma companhia de 1 200 combatentes comandada por Bour de Breteuil. A guerra estava por toda parte.
Em setembro de 1363, Arnoul participou de uma operação contra as tropas mercenárias que ocupavam Mirepoix Outras operações foram realizadas em outros locais, nos arredores de Chaudes-Aigues, por exemplo, sem sua presença, mas sob sua orientação à distância, enquanto ele percorria as terras entre Toulouse e Nîmes a fim de resolver diversos problemas administrativos. O que não impediu que a vila de Peyriac, não muito longe de Carcassona, de ser tomada pelos mercenários em 11 de novembro (ele foi libertado em 19 de junho seguinte), o que por si só é prova da anarquia reinante.
Em março de 1364, mais de cem mercenários espanhóis do exército de Arnoul foram massacrados pelos habitantes de Narbonne, em consequência de crimes cometidos contra a população. Jean de Neuville quase perdeu a vida no incidente.
Em junho, Arnoul reconquistou o castelo de Gabian, ao norte de Béziers. E então, apesar de uma luta incessante contra eles em todos os lugares, os mercenários são “praticamente os senhores do Velay”.Livro “Mémoires à l’Académie des inscriptions et belles lettres”, página 164. Durante todo o mês de setembro, operações são realizadas em Gévaudan pela Corte Senescal de Beaucaire
Arnoul foi substituído em seu cargo por Luís de Anjou em 15 de novembro de 1364, mas permaneceu por algum tempo ao seu lado como conselheiro. Os mercenários agora travaramm abertamente a guerra em nome do rei de Navarra.Livro “Mémoires à l’Académie des inscriptions et belles lettres”, página 168.
Últimas batalhas Por volta de junho de 1365, o marechal d’Audrehem foi enviado por Carlos V à Hungria como embaixador.
Em seguida, ele acompanhou Bertrand du Guesclin à Espanha para prestar auxílio a Henrique de Trastâmara (acordos firmados entre as autoridades e as Companhias colocavam estas últimas sob o comando exclusivo de Du Guesclin, em troca de importantes compensações, sobretudo financeiras, com o objetivo de fazê-las deixar o solo da França para ir guerrear na Espanha). No caminho, em novembro, em Avinhão, as Companhias exigiram do Papa Urbano V, sob pena de verem seus domínios devastados, que lhes pagasse 200 mil francos. Foi Arnoul quem ficou encarregado de tratar dessa delicada questão.
O exército estava em Barcelona em janeiro de 1366. Em março, Hugues de Calverly deu início às hostilidades ao tomar Borja. Em seguida, Henrique de Trastâmara foi coroado rei; as Companhias são dispensadas e retornaram à França, enquanto Arnoul e du Guesclin, juntamente com mil e quinhentas lanceiros, permaneceram na Espanha.
Mas Pedro, o Cruel não desistiu, reuniu um exército, o que culminaria na batalha de Nájera em abril de 1367. Du Guesclin e Arnoul são feitos prisioneiros. Libertados sob fiança no início do ano de 1368, encontravam-se em Montpellier em 26 de fevereiro, juntando-se ao duque de Anjou para sua campanha na Provença.
Após a assinatura de uma trégua em 1 de maio, Arnoul foi convocado a Paris, onde Carlos V o destitui do cargo de marechal da França em 20 de junho, por motivo de idade avançada, e o nomeou porta-estandarte com uma pensão de 2 mil francos por mês.
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