Vardanes (; , Bardánēs; , Vardan; ; -), dito o Oriental (Արևելցի, Areveltsi), de Ganzaca (Գանձակեցի, Gandzaketsi), da Albânia (Աղվանից, Ałvanits), da Cilícia (Կիլիկեցի, Kilikets’i), o Grande (մեծ, Mets), o Historiador (Պատմիչ, Patmich’) ou o Vardapetes (Վարդապետ, Vardapet), foi um historiador, geógrafo, filósofo e tradutor armênio do . É conhecido por ter fundado várias escolas e mosteiros, pela sua rica contribuição para a literatura armênia, e pela sua "História Universal", uma das primeiras tentativas de um historiador armênio para escrever uma história mundial.
Nome
Vardanes (; , Bardánēs / Ouardánēs) ou Vardânio (; , Bardánios) são as formas latinas do persa médio Vardã (*Wardān), que derivou do parta vard- (em iraniano antigo *vr̥da-), "rosa", ou do iraniano antigo vard-, "virar". Foi registrado em grego como Ordanes (, Ordánēs) e Ordones (, Ordōnēs) em aramaico de Hatra (wrdn) e armênio como Vardã (, Vardan) e em georgiano como Vardã (), Vardan) e Vardém (, Varden). Durante o Império Bizantino, por vezes foi usado como sinônimo do aparentado Bardas, a helenização do armênio Varde.
Biografia
Vardanes nasceu em Ganzaca ca. 1200. Recebeu sua educação antes de tomar os cursos de e em Nor-Getik (onde conheceu e fez amizade com Ciríaco de Ganzaca) e completar sua formação em Khoranachat, em Tavuxe, que incluiu o aprendizado de literatura, gramática e teologia, assim como línguas estrangeiras (hebraico, grego, latim e persa). Tornou-se monge, e obteve em 1235 o título de vardapet e implementou seus talentos de ensino, abrindo uma escola no mosteiro de Santo André de Caienaberde, onde ensinou em 1235 a 1239 e de 1252 a 1255. Em 1239-1240, partiu para Jerusalém e Armênia e em sua viagem de regresso, passou através da Armênia Menor onde foi convidado a permanecer por ; teria ficado até pelo menos o concílio ecumênico de Sis de 1243. Vardanes então retornou à Grande Armênia em 1245, produzindo uma encíclica do católico que os notáveis da Grande Armênia eventualmente assinaram.
thumb|esquerda|Mosteiro de Cor Virape. Ao fundo está o monte Ararate
Três anos depois, Vardanes retornou à Cilícia armênia e participou da vida política, opondo-se fortemente às usurpações e a influência das Igrejas romana e bizantina. Ele também trabalhou junto do católico na elaboração de um tratado, Escrito didático, destinado aos fieis da Armênia Oriental; particularmente enviou uma carta ao papa e participou do concílio ecumênico de Sis de 1251.
Vardanes retornou à Grande Armênia em 1252 a fim de organizar outro concílio ecumênico em Halpate e Zagavã. Voltando ao ensino, abriu escolas nos mosteiros de , , e , e emprestou sua experiência para Halpate até 1255, ano em que foi para Cor Virape e estabeleceu um seminário. Ele introduziu um programa incluindo filosofia, lógica, retórica e gramática, e ensinou muitos futuros intelectuais armênios como , , e . Em 1264, Vardanes também desempenhou um papel importante como negociador em uma viagem à Tabriz, a residência do suserano mongol Hulagu Cã ; obteve um privilégio em favor dos armênios que viviam sob julgo mongol e concluiu um acordo sobre a cobrança de impostos. Seus laços com os mongóis foram estreitos: foi conselheiro religioso da esposa de Hulagu, Docuz Catum. Vardanes morreu em 1271 em Cor Virape, deixando importante herança literária que abrange a vida política, cultura, religiosa e social da Armênia.
Obras
Mais de 120 obras atribuídas a Vardanes foram preservadas, incluindo o Matenadaran de Erevã. Eles incluem, entre outros, uma coleção de 66 textos (Análise de escrituras) escritos a pedido de Hetum em língua vernácula e abrangendo muitas disciplinas (astronomia, botânica, zoologia, linguística, filosofia, música, etc.). Sua principal obra, no entanto, é sua História Universal; como a história da Armênia de Moisés de Corene, este livro tenta traçar as origens da história armênia de em seu tempo (e dá grande número de informações sobre a dinastia zacárida), mas difere na medida que tenta documentar a história do mundo; começando com a Torre de Babel e a batalha épica de Haico e Bel, termina com a morte do católico Constantino I, em 1267. No entanto, é comumente referida como uma crônica.
Vardanes também traduziu várias obras em armênio, incluindo a crônica do patriarca siríaco Miguel, o Sírio em 1248 com um monge chamado Ichox. Além disso, também deixou uma Geografia (cuja autoria é por vezes questionada), homilias e comentários do Antigo Testamento, de estruturas gramaticais (partes de discursos e a Interpretação do Livro do Gramático), de discursos, de elogios, de xaracãs (sharakans; elementos do cânone, que honram aos santos tradutores como "Aqueles que embelezam"), etc.
Bibliografia
Categoria:Armênios do século XIII