Os gibeonitas foram um povo pré-israelita de origem heveia ou amorreia que habitava o planalto central de Canaã, cuja capital, Gibeão (atual el-Jib), liderava uma confederação de quatro cidades fortificadas. Durante a conquista da região no século XV a.C., este grupo celebrizou-se por uma audaciosa estratégia diplomática descrita no Livro de Josué: cientes da destruição israelita de Jericó e Ai, os gibeonitas simularam pertencer a uma nação longínqua, apresentando-se com vestes gastas e provisões bolorentas para garantir um tratado de paz. Enganados pela encenação, os líderes de Israel juraram poupar-lhes a vida e, embora a fraude tenha sido descoberta três dias depois, o juramento sagrado foi honrado, resultando na submissão perpétua dos gibeonitas como «rachadores de lenha e tiradores de água» para o Tabernáculo. Esta aliança teve repercussões duradouras na monarquia unificada: a tentativa posterior do rei Saul de exterminar este povo violou o antigo pacto, o que, segundo o relato bíblico, gerou uma fome de três anos sobre a nação e forçou o rei David a entregar sete descendentes de Saul para execução como expiação jurídica. Gibeão consolidou-se como um dos principais centros religiosos antes da construção do Primeiro Templo — local onde a Tenda do Encontro foi guardada e onde o rei Salomão ofereceu os seus sacrifícios —, permitindo que os gibeonitas se integrassem gradualmente na classe dos netineus (servos do templo) e mantivessem a sua identidade comunitária até ao período pós-exílico, quando participaram ativamente na reconstrução das muralhas de Jerusalém sob a liderança de Neemias.
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