Bestã (; ) foi um nobre da família Ispabudã, tio materno do xá sassânida . Ele ajudou Cosroes a retomar seu trono após a rebelião de , mas depois liderou uma revolta, que abrangeu o Oriente iraniano inteiro antes de ser suprimido.

Nome

Bestã (, Bestám / Bestán) é a forma grega de um nome iraniano, com provável origem em Vistacma (*vistaxma), mas cuja atestação não ocorre no Avestá, nas inscrições em persa antigo aquemênida ou persa médio sassânida. Segundo Ferdinand Justi, o nome significa "detentor de um poder de longo alcance". Foi registrado em armênio como Vestã (, V(ē)stam); quiçá de Vaistacma, *Vaistaxma) e em persa novo como Bestã (, Besṭām) e Gostaã (Gostah(a)m). É provável que esteja relacionado ao nome Histecmas citado por Ésquilo.

Biografia Início da vida

Bestã era filho de Sapor (Asparapete) e neto de Aspebedes (Baui). Pertencia a família Ispabudã, um dos sete clãs partas que formaram a elite da aristocracia do Império Sassânida. Sabe-se que teve um irmão chamado Bindoes e uma irmã de nome incerto que se casou com o xá e foi a mãe do herdeiro dele, . No final do reinado de Hormisda, a família de Bestã sofreu, junto com os outros clãs aristocráticos, durante as perseguições lançadas pelo xá: Sapor foi assassinado, e ele sucedeu seu pai como aspabedes do Ocidente. Finalmente, tais perseguições levaram o general Barã Chobim (que intitulou-se Vararanes VI) a revolta em 590. Vararanes, cuja revolta rapidamente atraiu grande apoio, marchou sobre a capital, Ctesifonte.

Nesse tempo, na capital, Hormisda tentou marginalizar Bestã e seu irmão Bindoes, mas foi dissuadido, de acordo com Sebeos, por seu filho Cosroes II. Bindoes foi preso, mas Bestã aparentemente fugiu da corte; logo depois, contudo, os dois irmãos aparecem como os líderes de um golpe palaciano que depôs, cegou e matou Hormisda, elevando seu filho Cosroes ao trono. Incapaz de opor-se a marcha de Vararanes VI sobre Ctesifonte, Cosroes e os dois irmãos fugiram para o Azerbaijão. Bestã ficou para trás para reunir tropas, enquanto Bindoes escoltou Cosroes para o Império Bizantino. No começo de 591, Cosroes retornou com auxílio militar dos bizantinos e foi acompanhado por cavaleiros armênios e oito mil tropas do Azerbaijão recrutadas por Bestã. Na batalha do Blaratão, o exército de Vararanes VI sofreu uma derrota decisiva, e Cosroes II reclamou Ctesifonte e seu trono.

Últimos anos e rebelião

thumb|esquerda|Dracma de Vararanes VI thumb|esquerda|Dinar de ouro de Cosroes II

Após sua vitória, Cosroes II recompensou seus tios com altas posições: Bindoes tornou-se tesoureiro e primeiro ministro e Bestã recebeu o posto de aspabedes do Oriente, englobando Tabaristão e Coração. Logo, contudo, Cosroes mudou suas intenções: tentando dissociar-se de seu pai assassinado, o xá decidiu executá-los. Bindoes foi logo condenado à morte e de acordo com uma fonte siríaca capturado enquanto tentava fugir para junto de seu irmão no Oriente. Ao saber do assassinato de seu irmão, Bestã ergue-se em revolta aberta. De acordo com Abu Hanifa de Dinavar, Bestã enviou uma carta para Cosroes anunciando sua pretensão ao trono através de sua herança parta (arsácida):

A revolta de Bestã, como a de Vararanes VI, encontrou apoio e espalhou-se rapidamente. Magnatas locais bem como os restos dos exércitos de Vararanes VI reuniram-se com ele, especialmente após casar-se com Gordia, a irmã de Vararanes. Bestã repeliu vários esforços dos leais a Cosroes de dominá-lo, e ele logo dominou todo o quadrante Oriental e norte do Império Sassânida, um domínio que se estendeu do rio Oxo à região de Ardabil, no Ocidente. Ele até fez campanha no Oriente, onde subjugou dois príncipes heftalitas da Transoxiana, Xaugue e Pariouque. A data da revolta de Bestã é incerta. De suas moedas sabe-se que sua rebelião durou por sete anos. As datas comumente aceitas são ca. 590–596, mas alguns estudiosos como J.D. Howard–Johnston e P. Pourshariati empurram o evento para mais tarde, em 594/5, para coincidir com a rebelião armênia da família Vanúnio.

Como Bestã começou a ameaçar a Média, Cosroes enviou vários exércitos contra seu tio, mas não conseguiu alcançar um resultado decisivo: Bestã e seus seguidores retiraram-se para a região montanhosa de Guilão, enquanto vários contingentes armênios do exército real rebelaram-se e desertaram para Bestã. Finalmente, Cosroes convocou os serviços do armênio Simbácio Bagratúnio, que enfrentou Bestã próximo de Cumis. Durante a batalha, Bestã foi assassinado por Pariouque, incitado seja por Cosroes, seja por sua esposa Gordia. No entanto, as tropas de Bestã conseguiram repelir o exército real em Cumis, e foi necessário outra expedição de Simbácio no ano seguinte para finalmente debelar a rebelião.

Legado

A cidade de , no Irã, pode ter seu nome derivado de Bestã, bem como o sítio monumental de . Apesar da rebelião e morte de Bestã, o poder da família Ispabudã era grande demais para ser quebrado. De fato, um dos filhos de Bindoes foi instrumental no julgamento de Cosroes II após sua deposição em 628, e dois dos filhos de Bestã, e , junto com o primo deles Narsi, foram comandantes do exército persa que confrontou os árabes muçulmanos em 634.

Bibliografia

Categoria:Partas do século VI Categoria:Aspabedes do Ocidente Categoria:Rebeldes do Império Sassânida Categoria:Guerra bizantino-sassânida de 572-591 Categoria:Casa de Ispabudã Categoria:Xás do Império Sassânida‎ Categoria:Hormisda IV Categoria:Generais de Cosroes II Categoria:Guerra Civil Sassânida de 589–591