Canal do Otário foi uma rede de canais do YouTube e um website, criada em 4 de fevereiro de 2012 por Cláudio Robinson Tapié Pereira, mais conhecido pelo pseudônimo Otário Anonymous, em condição de anonimato antes da revelação de sua identidade, notável pela produção de conteúdo audiovisual de investigação e denúncia sobre campanhas publicitárias enganosas, a alta carga tributária sobre bens de consumo no Brasil, preços abusivos praticados por empresas, além de irregularidades de políticos, desperdício de gastos públicos e corrupção, entre a data de criação da rede e meados de 2018. Em 19 de janeiro de 2018, o canal principal somava inscritos e visualizações.

Cláudio costumava apresentar um viés libertário, alinhado ao libertarianismo de direita.

Estrutura da rede O Canal do Otário consistia em uma rede de canais no YouTube e o website gerenciado por Cláudio. O canal principal, de nome de usuário @OtarioAnonymous, foi criado em 4 de fevereiro de 2012 e encerrado entre 27 de junho de 2023 e 8 de setembro de 2023. Além do canal principal, Pereira mantinha pelo menos dois canais secundários: o Canal do Otário (Sem Palavrão) (@CanalDoOtario), uma versão dos vídeos sem palavrões, ainda ativo, e o CanalDoOtarioReserva (@CanalDoOtarioReserva), também ainda ativo.Descrição do canal principal @OtarioAnonymous menciona ainda um terceiro canal secundário, @CanalDoOtario3, que não está mais disponível. Fonte: Captura do canal principal no Wayback Machine, 27 de junho de 2023.

Origem do canal principal O canal principal surgiu depois que o criador relatou ter se sentido lesado ao comprar um pacote de biscoitos cuja imagem da embalagem não correspondia ao produto. A partir dessa experiência, ele passou a criticar recorrentemente a publicidade enganosa em seus vídeos.

Anonimato Em entrevista ao The Wall Street Journal, Otário Anonymous afirmou que o anonimato protege sua capacidade de se expressar abertamente e permite que os espectadores se identifiquem com ele. Além de usar um saco de papel na cabeça, ele veste terno e luvas brancas para ocultar etnia e idade, e sua voz é alterada para um tom mais agudo.

No programa The Noite, do SBT, Otário disse que o anonimato também ajuda a preservar sua integridade física. Em entrevista ao jornal Gazeta, ele declarou manter o anonimato por medo de represálias de empresas de marketing multinível e de pessoas ligadas à política.

Processos Crítica ao Bradesco Em um vídeo de 2014, ele alertou sobre supostas taxas abusivas no fundo Bradesco FIC Referenciado DI Hiperfundo, imitando um assalto a mão armada. O Bradesco considerou o vídeo ofensivo e obteve uma decisão judicial contra o Google em 2012 para removê-lo do YouTube. O Google recorreu e, até pelo menos 2017, não havia removido o vídeo.

Crítica aos Correios O vídeo "Correios ou CUrreios", que criticava a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, foi censurado no YouTube Brasil por determinação judicial (embora permanecesse disponível em outros países). O Tribunal Regional Federal da 3ª Região ordenou ao Google que removesse partes do vídeo que exibiam o logotipo da empresa, sob alegação de "uso indevido de marca". A decisão foi proferida em novembro de 2013, mas o vídeo só foi censurado em junho de 2014, após o início do Marco Civil da Internet. No entanto, o juiz federal José Carlos Motta, da 19ª Vara Federal de São Paulo, entendeu que o vídeo expressava apenas descontentamento com o serviço, configurando direito de crítica, e julgou o pedido dos Correios improcedente em outubro de 2014, assegurando a manutenção do vídeo na internet.

Conflito com Nando Moura O Canal do Otário envolveu-se em um conflito público com o youtuber Nando Moura. Após uma entrevista cancelada, Otário Anonymous passou a produzir conteúdo com críticas e paródias direcionadas a Moura, incluindo um personagem chamado "Chorão Moura" e produtos derivados. Moura, por sua vez, acusou o criador do canal de ofensas, calúnias e difamação, afirmando que as investidas ocorreram porque ele teria recusado participar do programa de Otário. Em um vídeo de 2021, Moura revelou o nome verdadeiro de Cláudio Robinson Tapié Pereira e declarou ter vencido uma ação judicial contra ele.

Segundo a sentença citada por Moura, o canal do réu criou um personagem (Chorão Moura) para difamar o autor, gerou produtos com essa imagem e obteve renda com a comercialização, o que foi considerado excesso à liberdade de expressão. O juiz condenou Cláudio Robinson Tapié Pereira ao pagamento de R$ 20 mil reais por danos morais, com juros e correção monetária, além de determinar a suspensão da venda dos produtos. A decisão transitou em julgado, não cabendo mais recursos.

Encerramento do canal principal Em meados de agosto de 2023, o canal principal (@OtarioAnonymous) foi repentinamente deletado e a conta no Patreon foi encerrada. A última captura do canal no Internet Archive Wayback Machine data de 27 de junho de 2023, quando o canal ainda estava ativo, com cerca de 593 mil inscritos e mais de mil vídeos disponíveis. A captura seguinte, de 8 de setembro de 2023, já exibia a mensagem "This channel is not available". A maioria dos vídeos foi removida, exceto os disponíveis nos canais secundários do mesmo autor. Nenhuma explicação foi fornecida pelo criador, e suas demais redes sociais permanecem inativas. Grande parte do conteúdo passou a ser considerada mídia perdida.Há pelo menos um canal não oficial dedicado a preservar os vídeos do Canal do Otário, intitulado "Canal do Otário (Lost Media)" (@CanalDoOtarioLostMedia), criado por fãs. Disponível em YouTube. Acessado em 15 de maio de 2026.

Prêmios 2012 – Revista Info Exame (Editora Abril) – "Perfil Geek do Ano" 2013 – Shorty Awards – Vox Populi Winner em Ativismo 2014 – Shorty Awards – Finalista na categoria Ativismo 2015 – Shorty Awards – Finalista na categoria Ativismo 2015 – Webby Awards – Menção honrosa para Filme & Vídeo Online / Serviço Público & Ativismo

Notas

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