Fulberto de Chartres (; ) foi um bispo de Chartres entre 1006 e 1028, onde lecionou na escola catedrática local. Foi o responsável pela criação da festa da Natividade da Virgem (8 de setembro) e por uma das muitas reconstruções da Catedral de Chartres. A maior parte das informações que temos sobre Fulberto estão nas cartas que escreveu entre 1004 e 1028, endereçadas a várias importantes figuras de sua época, seculares e religiosas.
Vida Não existem evidências conclusivas sobre a data ou o local do nascimento de Fulberto, com fontes que variam entre 952 e 970.Mac Kinney, p. 5 and Behrends, p. xvi Sobre o local, a maioria indica o norte da França, provavelmente a Picardia, embora algumas citem também o norte da Itália.Wellman, p. 136 Todas concordam, porém, que ele era de origem humilde.Behrends, p. xvii Várias delas também o colocam na escola catedrática de Reims na década de 980,Fassler, p. 403 onde teria estudado com o futuro rei Roberto II da França.Mac Kinney, p. 6 Do início para o meio da década de 990, Fulberto chegou à Catedral de Chartres e se envolveu com a escola local. Sua posição é descrita de várias formas, de diretor a assistente.Behrends, p. xvii, Wellman, p. 136 Ele também assumiu algumas funções menores na catedral, mas não era monge. Em 1004, tornou-se diácono e dois anos depois, bispo de Chartres,Mac Kinney, p. 7 função que manteve até sua morte em 10 de abril de 1028 ou 1029 (as fontes novamente divergem, mas a maioria aponta 1028).Behernds p. xxi esp. footnote 17, Butler p. 63 Há alguma disputa, porém, sobre a santidade de Fulberto, que surge da descrição feita por seus contemporâneos sobre sua "natureza santa", um adjetivo que outros utilizaram depois. Contudo, Fulberto jamais foi oficialmente canonizado pela Igreja Católica, mas, por permissão da Santa Sé, sua festa pode ser celebrada nas dioceses de Chartres e Poitiers em 10 de abril.Mac Kinney p.40-41 esp. footnote 142
Contribuições teológicas A mudança de milênio ocorrida durante a vida de Fulberto provocou um grande temor de um iminente fim do mundo na Europa ocidental. A veneração da Virgem Maria já estava bem estabelecida na Igreja e Fulberto a utilizava em suas aulas. Com isso, obtinha dois resultados: ajudava a diminuir o temor da população e expandia a devoção mariana (e o lugar de Chartres nela). Chartres já tinha alguma importância por abrigar uma relíquia de Maria, a "Sancta Camisia", uma túnica que já foi descrita de várias formas: seria a que Maria vestia durante a Anunciação ou durante o nascimento de Jesus.Fassler, p. 404 Em 911, atribui-se a ela a salvação da cidade, quando, por milagre, teria evitado que os normandos tomassem a cidade.Wellman, p.136 Fulberto incentivou que seus fiéis pedissem a intercessão de Maria com Deus para ajudá-los no iminente apocalipse que eles acreditavam estar se aproximando.Wellman, p. 138-40 O próprio Fulberto teria sido salvo por um destes milagres, quando Maria o curou com uma gota de leite quando estava gravemente doente. Segundo Fulberto, Maria não era apenas a mãe de Jesus, mas também de todos os que acreditavam nela.Wellman, p. 140 Todos estes fatores deram a Fulberto o ímpeto de promover a criação de uma festa especial para celebrar o nascimento de Maria.Fassler, p. 405
Para arregimentar o apoio popular, Fulberto escreveu seu famoso sermão, "Approbate Consuetudinis", no qual ele conta os milagres de Maria e traça a linhagem da família de Maria até o rei David. Ele utilizou ainda o simbolismo da Árvore de Jessé para explicar a relação familiar com grandes homens do passado e como fora definido, como descrito nas Escrituras, que ela seria aquela da qual Cristo nasceria.Fassler, p. 410 Este sermão levou a diversas mudanças litúrgicas nos séculos seguinte e o próprio sermão (ou variações dele) e os cantos associados a ele tornar-se-iam parte da missa da festa da Natividade de Maria em 8 de setembro.Fassler, p. 433 Ao promover a festa, Fulberto teve que demonstrar a importância de Maria e a devoção a ela aumentou muito. Este aumento, por sua vez, foi consolidou a Catedral de Chartres como um centro de devoção mariana e deu ao povo um símbolo espiritual para diminuir o medo do "milênio".Wellman, p. 146
Reforma eclesiástica Durante sua época em Chartres, Fulberto teve um papel importante no desenvolvimento e disseminação das ideias que levariam às Reformas Gregorianas no século XI sob o papa Gregório VII.Ziezulewicz, p. 401 Estas reformas tratavam da divisão de poderes entre a Igreja e os estados, especialmente na nomeação de bispos e abades. No século XI, os governantes seculares tinham o hábito de nomear quem eles achavam melhor para preencher posições vagas na Igreja. Fulberto e alguns de seus alunos, como o abade Alberto de Marmoutier, escreviam rotineiramente que seria função do clero e dos habitantes da diocese envolvida a missão de votar por um substituto.Ziezulewicz, p. 385 A autoridade para esta opinião havia sido declarada, segundo ele, no Primeiro Concílio de Niceia (325) e no Concílio de Antioquia (264–272).Ziezulewicz, p. 393 Estas reformas também estabeleciam que a Igreja era responsável por disciplinar o clero e não o estado. Os temas da simonia (a compra de cargos eclesiásticos) e do concubinato dos clérigos também foram tratados por Fulberto.Behrends, p. xix Embora as reformas tenham sido propostas por Gregório VII, as ideias que Fulberto já vinha disseminando podem ser encontradas nela.
Contribuições arquiteturais Depois que Catedral de Chartres se incendiou em 1020, Fulberto dedicou todas as suas energias a angariar fundos para a reconstrução, que se completou em 1037, nove anos depois de sua morte.Wellman, p. 136-37 Em 1193, a catedral foi novamente consumida pelo fogo e apenas a cripta, parte da fachada oeste e duas torres sobreviveramFrankl, p. 33 (a cripta foi incorporada em todas as reconstruções subsequentesSpitzer, p. 144-45). A construção da catedral gótica atual começou logo em seguida e é nela que podemos observar o resultado da promoção do culto à Virgem por Fulberto. As esculturas à volta dos três portais representam o ciclo da vida de Maria e ela é a figura central do "Portal Real".Spitzer, p. 132
Obras Cartas Das obras que podem com certeza serem atribuídas a Fulberto, a maioria é de cartas. A mais famosa foi endereçada ao duque Guilherme V da Aquitânia sobre os encargos de um senhor e de um vassalo. Ele escreveu ainda a outros clérigos sobre uma variedade de assuntos, incluindo a nomeação de novos bispos, excomunhões e obediência. Suas cartas também incluem correspondências sobre temas mundanos do dia-a-dia como agradecimentos pelo envio de remédios ou para combinar encontros.Behernds, p. 1-239
Poemas, hinos e sermões Fulberto escreveu 24 poemas, descritos ora como humorísticos, como o que trata de um monge no deserto,Behernds, p. xxv ora como de amor, como sua "Ode ao Rouxinol".Schulman, p. 152
A maioria de seus hinos foram escritos para glorificar a Virgem Maria,Butler, p. 64 mas há outros, como o "Chorus Novae Jerusalem", que era para ser cantado na Páscoa.The Book of Common Praise, p. 122, Hymn #169
Seu sermão mais famoso chama-se "Approbate Consuetudinis", sobre a importância da celebração da "Festa da Natividade de Maria".Fassler, p. 406
Bibliografia
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Ligações externas
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