O Diletante é uma peça teatral em um ato, do gênero comédia de costumes, escrita por Martins Pena em 1844. A comédia estreou em 25 de fevereiro de 1845, no Rio de Janeiro, e o texto só foi publicado em 1846.SILVA, Bruna G. Representações das comédias de Martins Pena nos teatros do Rio de Janeiro (1838-1845). Língua, Literatura e Ensino, Campinas, v. 3, maio 2008. Disponível em: https://revistas.iel.unicamp.br/index.php/lle/article/download/103/87. Acesso em: 26 jul. 2026.
O autor faz uma sátira do gosto pela ópera, que havia se tornado uma moda no Rio de Janeiro naquele ano, depois da apresentação de Norma, de Bellini. Como em outras obras, Martins Pena faz um contraponto entre o gosto popular e o erudito.DUARTE-SIMÕES, Teresa Cristina. Caipiras, citadinos e estrangeiros nas comédias de Martins Pena. Les Langues Néo-Latines, n. 323, dez. 2002, p. 115-134. O título deriva do italiano dilettante, termo ligado ao verbo dilettare ("encantar", "deleitar"), designando alguém que ama e cultiva certa arte ou ciência sem exercê-la profissionalmente.
Enredo A ação se passa no Rio de Janeiro, no ano de 1844, na sala da casa de José Antônio, um grande admirador de óperas, que pretende casar sua filha Josefina com o fazendeiro paulista Marcelo. Este, porém, prefere os gêneros musicais populares, como a modinha e o lundu, para desgosto do futuro sogro. O advogado Gaudêncio Mendes tenta aproveitar essa divergência e finge ser um cantor lírico para conquistar a preferência de José Antônio e se tornar o noivo de Josefina.
Personagens José Antônio: senhor de posses, grande admirador de ópera italiana, quer casar a filha com um tenor ou apreciador de ópera. Merenciana: esposa de José Antônio. Josefina: filha do casal, cortejada por Marcelo e, sob falso pretexto, por Gaudêncio Mendes. Marcelo: fazendeiro paulista, pretendente de Josefina, prefere a música popular brasileira à ópera. Gaudêncio Mendes: advogado que finge ser cantor lírico para conquistar a simpatia de José Antônio. Perpétua
Análise A pesquisadora Teresa Cristina Duarte-Simões situa O Diletante entre as comédias de Martins Pena que constroem tipos a partir do confronto entre o citadino aculturado (aqui, José Antônio, rendido à moda italiana da ópera) e figuras ligadas ao interior ou a gostos populares brasileiros, como o fazendeiro Marcelo, apegado à modinha e ao lundu; a peça usaria esse contraste para satirizar a subserviência cultural das elites cariocas aos padrões europeus.
A peça segue sendo encenada por companhias universitárias e amadoras contemporâneas, como na montagem do Espaço Cultural da Universidade Federal de Alagoas em 2009. Em 2014, o compositor João Guilherme Ripper adaptou a peça para uma ópera cômica, encomendada pela Escola de Música da UFRJ para o projeto "Ópera na UFRJ", ambientada em Copacabana na década de 1950; a montagem manteve a estrutura e o espírito do texto de Martins Pena, transpondo apenas o contexto histórico.
Ligações externas O Diletante - texto integral. Acervo de obras literárias da UFSC
Categoria:Peças de teatro de Martins Pena Categoria:Peças de teatro da década de 1840