Eduardo Nantes Bolsonaro (Resende, 10 de julho de 1984) é um ex-policial federal e político brasileiro filiado ao Partido Liberal (PL).. É o terceiro filho do ex-presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, foi deputado federal pelo estado de São Paulo de 2015 a 2025, quando foi cassado.
Entre 18 de março e 20 de julho de 2025, esteve licenciado do cargo, residindo desde então nos Estados Unidos, onde articulou sanções comerciais contra o Brasil e sanções pessoais contra ministros do Supremo Tribunal Federal e outras autoridades brasileiras, em tentativa de livrar seu pai de ser legalmente julgado de acordo com as leis nacionais, ações que o tornaram réu pelo crime de coação no curso do processo. Em 16 de junho de 2026, foi condenado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal a 4 anos e 2 meses de prisão no regime semiaberto.
Após o término da licença parlamentar, passou a ter suas faltas contabilizadas e teve o mandato parlamentar cassado pela Mesa Diretora da Câmara dos Deputados em 18 de dezembro de 2025, após ultrapassar o limite de faltas não justificadas.
Primeiros anos Eduardo Nantes Bolsonaro nasceu em 10 de julho de 1984, no município brasileiro de Resende, no estado do Rio de Janeiro; sendo o terceiro filho do ex-Presidente do Brasil e capitão da reserva do Exército, Jair Bolsonaro, e de Rogéria Nantes Nunes Braga.. Também é irmão dos políticos Carlos Bolsonaro,vereador do município do Rio de Janeiro desde 2001, e Flávio Bolsonaro, senador pelo estado do Rio de Janeiro desde 2019.
Formação acadêmica Estudou o ensino fundamental nos colégios Batista e Palas. Graduou-se em direito na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em março de 2009 e foi inscrito na seccional do Rio de Janeiro da Ordem dos Advogados do Brasil, sob o número 159 032, estando a inscrição atualmente cancelada.
Polícia Federal Tornou-se escrivão da Polícia Federal, aprovado em concurso público no ano de 2010.
Em julho de 2026, na conclusão de Processo Administrativo Disciplinar, a Polícia Federal recomendou a demissão de Eduardo Bolsonaro por abandono de cargo, em razão do acúmulo de faltas não justificadas desde janeiro do mesmo ano, quando deveria se reapresentar ao serviço, após o término do afastamento da função de escrivão pela perda do mandato parlamentar.
Casamento Casou-se no dia 25 de maio de 2019, sob forte esquema de segurança, com Heloísa Wolf, em cerimônia que contou com cerca de 150 convidados, incluindo seu pai, Jair, à época Presidente do Brasil. O casal teve sua primeira filha, Geórgia Bolsonaro, em 10 de outubro de 2020.
Carreira política Alinhado com posições da direita, Eduardo é conhecido pelas polêmicas juntamente com seu pai em se opor ao casamento entre pessoas do mesmo sexo e política de cotas, também pretende criminalizar o comunismo no Brasil.... É considerado por parte da imprensa brasileira como um político ligado à extrema-direita.
Quando era filiado ao Partido Social Cristão (PSC), disputou o cargo de deputado federal nas eleições de São Paulo em 2014, elegendo-se com 82 224 votos... Em 2018, foi reeleito deputado federal pelo Partido Social Liberal (PSL), com 1 843 735 votos, sendo o mais votado da história do Brasil. Foi reeleito em 2022, com 741 701 votos, foi reeleito mais uma vez deputado federal por São Paulo, desta vez sendo filiado ao Partido Liberal (PL).
Em março de 2025, Eduardo anunciou num vídeo nas suas redes sociais que tirou licença do cargo de deputado federal para morar nos Estados Unidos. Segundo ele, tomou essa decisão devido às "perseguições políticas" que ele e o seu pai, Jair Bolsonaro, estariam enfrentando no Brasil.
Uma iniciativa de indicá-lo como líder da minoria para que ele pudesse permanecer no exterior sem ter suas faltas contabilizadas foi barrada pelo presidente da Câmara Hugo Motta.
Em 18 de dezembro de 2025, teve a perda do mandato decretada pela mesa diretora da Câmara dos Deputados, após ultrapassar o limite de faltas não justificadas permitidas pelo regimento interno, de até um terço das sessões ordinárias. A vaga foi assumida pelo suplente José Olímpio.
Posicionamentos miniatura|esquerda|Eduardo Bolsonaro em discurso no plenário da Câmara Federal
Suas principais propostas são a redução da maioridade penal, agronegócio contra invasões Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST), fim do auxílio-reclusão para presos, trabalho obrigatório para presos, planejamento familiar (PEC 584/02), contra o desarmamento, valorização das forças armadas e a favor do livre-comércio.
Em 27 de abril de 2016, propôs na Câmara dos Deputados um projeto de lei que pretende anular a Resolução 213/15, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que instituiu as chamadas "audiências de custódia", criando a obrigatoriedade de apresentação de toda pessoa presa a um juiz de direito no prazo máximo de 24 horas. Bolsonaro argumentou que a resolução teria vícios processuais, ao dispor sobre processo penal, além de administrativos, uma vez que impõe tarefas a outras repartições não ligadas ao Judiciário.
Em 24 de maio de 2016, apresentou um projeto de lei que criminaliza o comunismo. A alteração proposta equipara apologia ao comunismo à apologia ao nazismo § 1º Fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos, emblemas, ornamentos, distintivos ou propaganda que utilizem a cruz suástica ou gamada, a foice e o martelo ou quaisquer outros meios para fins de divulgação favorável ao nazismo ou ao comunismo.”
Em 24 de novembro de 2016, posicionou-se contrário a anistia ao caixa 2, que visava anistiar crimes de corrupção. miniaturadaimagem|Eduardo Bolsonaro com o presidente dos Estados Unidos Donald Trump no Salão Oval, 30 de agosto de 2019 Em 14 de dezembro de 2016, Eduardo entrou com uma liminar para resgatar o projeto anticorrupção onde teve 2 milhões de assinaturas. O projeto teria sido alterado pela Câmara e sendo incluído abuso de autoridade para juízes e procuradores. No mesmo dia, o ministro do STF, Luiz Fux aceitou a liminar e o projeto anticorrupção voltou ao status quo.
Votou a favor do Processo de impeachment de Dilma Rousseff. Já durante o Governo Michel Temer, votou a favor da PEC do Teto dos Gastos Públicos. Em abril de 2017 foi favorável à Reforma Trabalhista. Em agosto de 2017 votou a favor do processo em que se pedia abertura de investigação do presidente Michel Temer. Já durante o Governo Bolsonaro, em julho de 2019, deu apoio à reforma da previdência.
Porte de arma No dia 25 de outubro de 2014, em manifestação pelo impeachment de Dilma Rousseff, foi o condutor do evento e esteve presente com uma pistola na cintura, mesmo alegando o porte legal de armas,. causou controvérsia. Em entrevista ao jornal El Pais, Eduardo justificou por ter ido armado: "Eu sou policial federal 24 horas por dia. Existem inúmeros exemplos de policiais que morrem fora de serviço, sob encomenda, principalmente do Primeiro Comando da Capital. É meu hábito, é normal, tenho porte. O que quer que eu faça? Não vejo por que teria que ir desarmado, se eu sempre ando armado mesmo".. Para a revista Veja, justificou dizendo: "Sou um potencial troféu para os vagabundos que queiram me matar, por causa da minha família e da ligação com a política. Não posso nunca dar bobeira. Só não levarei a pistola para a Câmara por ser proibido"..
Denúncia da PGR por ameaça No dia 13 de abril de 2018, procuradora-geral da República Raquel Dodge apresentou denúncia ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra o deputado federal Eduardo Bolsonaro por ameaças que o parlamentar teria proferido contra a jornalista Patricia Lélis. De acordo com a denúncia, Eduardo Bolsonaro enviou mensagens por meio de um aplicativo de celular ameaçando e proferiu palavras de baixo calão. A PGR afirma que, em uma das mensagens, questionado se o diálogo se trataria de uma ameaça, respondeu: "Entenda como quiser". O deputado afirma que as mensagens apresentadas por Patricia Lélis são forjadas e ela teria conversado com outra pessoa que se passava por ele.
"O denunciado era plenamente capaz à época dos fatos, tinha consciência da ilicitude e dele exigia-se conduta diversa. Relevante destacar que o denunciado teve a preocupação em não deixar rastro das ameaças dirigidas à vítima alterando a configuração padrão do aplicativo Telegram para que as mensagens fossem automaticamente destruídas após 5 (cinco) segundos depois de enviadas", diz Dodge. "A conduta ainda é especialmente valorada em razão de o acusado atribuir ofensas pessoais à vítima no intuito de desmoralizá-la, desqualificá-la, intimidá-la ('otária', 'abusada', 'vai para o inferno', 'puta' e 'vagabunda')", complementa.
Patricia Lélis ficou conhecida após acusar o deputado Marco Feliciano de estupro no dia e horário que o deputado estava em reunião, após ser desmentida no programa Superpop da RedeTV!, virou ré por falsa comunicação de crime e extorsão. Questionada como o deputado Feliciano poderia estar em dois lugares ao mesmo tempo, Patricia Lélis respondeu que o deputado recebeu onipresença de Deus. Um laudo da Polícia Civil de São Paulo mostrou que Patricia Lélis é mitomaníaca e mente compulsivamente. No dia 20 de dezembro de 2019 Patricia Lélis foi presa nos Estados Unidos por falsa comunicação de crime, sendo solta 3 dias depois, sem autorização para deixar o estado da Virgínia sob risco de prisão sem direito a fiança.
Fechamento do STF Em outubro de 2018, circulou nas redes sociais um vídeo de Eduardo Bolsonaro feito em 9 de julho do mesmo ano em um curso no município de Cascavel, no Paraná, para interessados em prestar concursos públicos. Durante a filmagem, que foi postada no YouTube, o deputado é questionado sobre como reagiria caso o Supremo Tribunal Federal (STF) indeferisse a candidatura de seu pai, Jair Bolsonaro. Eduardo afirmou no vídeo que o bastaria um "cabo e um soldado" se alguém "quiser fechar o STF". Em sua fala na íntegra, o parlamentar disse: "Mas se o STF quiser arguir qualquer coisa, sei lá – recebeu uma doação ilegal de cem reais do José da Silva… pô, impugna a ação dele… a candidatura dele. Eu não acho isso improvável, não. Mas aí vai ter que pagar para ver. Será que eles vão ter essa força mesmo? O pessoal até brinca lá, cara: 'se quiser fechar o STF, você sabe o que você faz? Você não manda nem um jipe. Manda um soldado e um cabo'. Não é querer desmerecer o soldado e o cabo, não. O que que é o STF, cara? Tira o poder da caneta de um ministro do STF, o que ele é na rua? Você acha que a população… Se você prender um ministro do STF, você acha que vai ter uma manifestação a favor dos ministros do STF?".
Em um vídeo gravado três dias depois, durante uma audiência pública sobre o voto impresso na Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara dos Deputados, em 12 de julho, Eduardo Bolsonaro voltou a questionar a autoridade do STF e mencionou uma "ruptura mais dolorosa". "Eu acredito que caso o próximo presidente venha a tomar medidas e aprovar projetos que sejam contrários ao gosto desse Supremo, eles vão declarar inconstitucional. E, aqui, a gente não vai se dobrar a eles não. Eu quero ver alguém reclamar quando estiver no momento de ruptura mais dolorosa do que colocar dez ministros a mais na suprema corte. Se este momento chegar, quero ver quem vai para rua fazer manifestação pelo STF, quem vai pra rua dizer 'ministro X, volte, estamos com saudades' [...] A gente brinca aqui que juiz acha que tem o rei na barriga e que o ministro da Suprema Corte tem certeza que tem o rei na barriga. Tem que mudar isso daí", afirmou o deputado federal. Em um artigo publicado no dia 19 de junho deste ano pelo jornal goiano Hora Extra, intitulado "Pensar fora da caixinha para derrubar a ditadura do STF", Eduardo Bolsonaro já havia atacado as decisões do STF e afirmado ser necessária uma "contrarrevolução" contra a principal instituição do Judiciário.