James Quinn Wilson foi um cientista político norte-americano, cujo trabalho e pensamento permeiam as políticas públicas dos Estados Unidos. Devido à sua contribuição ao combate da violência e da criminalidade no país, Wilson tornou-se uma figura de destacada importância para o governo norte-americano, tendo participado diretamente da construção das políticas públicas deste gênero por diversas vezes. Sua morte, em 2012, provocou uma forte comoção entre a grande mídia americana, além de gerar declarações de reconhecimento tanto de partidários republicanos como democratas.
Ao longo dos anos, as obras de Wilson tiveram diversos enfoques, das políticas urbanas à burocracia, passando pela própria organização das estruturas democráticas americanas, analisada em American Government: Institutions and Policies (escrito com John J. DiIulio Jr.), obra de grande importância para o estudo do funcionamento da máquina pública norte-americana. Porém, as maiores contribuições de Wilson foram para o campo de policiamento e combate à criminalidade, área na qual publicou seus estudos mais famosos.
Era um teórico de linha claramente conservadora, cujo esteio se encontrava na criminologia clássica. Tinha posições muito claras no que diz respeito ao combate às drogas e à criminalidade, tendo afirmado inclusive que “O uso das drogas é errado porque é imoral e é imoral porque escraviza a mente e destrói a alma.”Citado em W. J. Bennett, Body Count (New York: 1996), pp. 140-141 Era um ferrenho defensor da manutenção de valores tradicionais dentro das famílias americanas como forma de controlar os índices de criminalidade, já que acreditava que a desvirtuação de tais valores era um fator sociológico de grande influência para o aumento da violência e dos crimes.
Wilson ficou particularmente conhecido pela sua Teoria das Janelas Partidas, desenvolvida com George L. Kelling, que culminou em um artigo lançado em 1982. A premissa principal deste projeto consiste na ideia de que um fator que indique uma quebra da ordem em determinado local, mesmo que pequeno, como uma janela quebrada em um prédio abandonado, tem potencial para desencadear diversos atos de vandalismo subsequentes. Segundo Wilson e Kelling, isso ocorreria devido à ideia comum de que estes pequenos sinais de desordem seriam um indicativo de que ninguém se importava com o bem vandalizado e, portanto, sua violação não constituiria um ato de grande relevância para a sociedade em geral. Porém, de acordo com estes pesquisadores, a banalização do vandalismo praticado teria um efeito em cadeia, capaz de desestruturar completamente uma comunidade pacífica.
Biografia James Q. Wilson foi um cientista político americano que contribuiu principalmente para a compreensão de políticas públicas, policiamento e crime, organizações políticas, burocracia, e caráter e cultura. Wilson foi também mergulhador e apaixonado pelo Boston Red Sox.
Nasceu em 27 de maio de 1931, em Denver, Colorado, e foi criado em Long Beach, Califórnia. Faleceu em 2 de março de 2012, em Boston, Massachussetts.
Wilson tornou-se bacharel em Ciência Política pela Universidade de Redlands, em 1952. Foi campeão do debate universitário nacional em 1951 e 1952. Serviu à Marinha Americana de 1952 a 1955 antes de ir para Universidade de Chicago prosseguir os trabalhos de pós-graduação em Ciência Política. Logrou-se Ph.D pelo Departamento de Ciência Política da Universidade de Chicago, em 1959. Sua dissertação Ph.D foi uma análise do comportamento político de americanos com descendência africana em Chicago durante os anos 50, a qual foi a base para seu primeiro livro, Negro Politics: The Search for Leadership (1960).
Wilson foi membro do Departamento de Governo da Universidade de Harvard de 1961 a 1987. Foi professor de governo de Henry Lee Shattuck em 1972 e exerceu o cargo de titular da cadeira do departamento de 1969 a 1973. Foi também diretor do Join Center for Urban Studies do MIT e de Harvard de 1963 a 1966. De 1987 a 1997, foi professor de James A. Collins de Administração e Políticas Públicas na Anderson School of Management da Universidade da Califórnia, Los Angeles. De 1998 a 2009, foi professor de Ronald Reagan de Políticas Públicas na Pepperdine University. De 2009 até sua morte, foi estudante emérito no Department of Political Science e pesquisador sênior na Clough Center for the Study of Constitutional Democracy em Boston College.
Wilson foi um autor muito produtivo, escreveu ensaios e livros revisionais, autorais e coautorais. Publicou em torno de 26 livros, entre eles: City Politics (1963, com Edward C. Banfield), The Amateur Democrat (1966), Varieties of Police Behavior (1968), Political Organizations (1973), Thinking about Crime(1975), The Politics of Regulation (1980), Crime and Human Nature (1985, com Richard J. Herrnstein), Bureaucracy (1989), The Moral Sense (1993), The Marriage Problem (2002), e Understanding America (2008, com Peter H. Schuck). American Government: Institutions and Policies (com John J. DiIulio, Jr.) passou por 13 edições e é um dos textos mais importantes e influentes no governo e política americanos.
James Q. Wilson foi um dos cientistas mais respeitados e influentes da política americana na segunda metade do século XX. Seu trabalho durante este período introduziu uma variedade de temas que se destacaram durante sua carreira: (1) política urbana , (2) organizações políticas e incentivos, (3) o policiamento e a criminalidade, (4) burocracia, (5) caráter e cultura, e (6) o mundo pós setembro de 2001. Porém, Wilson é mais conhecido por seus amplos estudos sobre as causas e consequências do crime, sustentando um pensamento conservador e tendências baseadas na criminologia clássica.
Wilson foi eleito para integrar a White House Task Force on Crime (1966) e o National Advisory Commission on Drug Abuse Prevention (1972-1973). Participou da Attorney General’s Task Force on Violent Crime (1981), do Foreign Intelligence Advisory Board do presidente (1985-1990) e Council on Bioethics do presidente (2002-2005). Exerceu o cargo de conselheiro na New England Electric System, na Protection One, no State Farm Mutual Insurance, na RAND Corporation, e em Pardee RAND Graduate School. Foi titular da cadeira do Conselho Acadêmico da American Enterprise Institute.
Wilson recebeu vários prêmios da Associação Americana de Ciência Política e no período de 1991-1992 foi eleito seu presidente. Em 2003, Wilson foi premiado com a Presidential Medal of Freedom, a mais alta condecoração do país, e ainda, ao longo de vida recebeu títulos honoríficos de sete universidades, inclusive Harvard.Political Science, Policy Analysis, and Practical Wisdom: Some Lessons from the Writing and Career of James Q. Wilson, R. Shep Melnick.
Pensamento e obra
Introdução O pensamento de James Q Wilson, por assim dizer, tornou sua obra uma das mais polêmicas da criminologia, e talvez por esta atitude de não aceitar verdades absolutas sem demonstração de provas, de não adentrar movimentos e pensamentos dominantes da época sem questionar o verdadeiro motivo de sua existência e se era, ou não, efetivo, e de não colocar ideologia ou crença interna acima de provas e fatos, é que sua obra se tornou uma das mais instigantes e citadas no ambiente acadêmico, e uma das mais seguidas e admiradas por elaboradores e aplicadores da lei ao redor do globo terrestre.
Thinking about crime O autor, ao longo de sua carreira, escreveu muitos artigos para a grande audiência, e escrevia, prioritariamente, na Commentary e Public Interest. Seus artigos falavam de drogas, casamento, religião, crime e a cultura e, tais questões, fizeram culminar uma grande obra sua e, segundo alguns estudiosos, um de seus trabalhos influenciadores: Thinking About Crime, de 1975. Neste trabalho, Wilson critica muitos criminologistas, os quais ele chama demagogos. Ele faz cinco críticas sobre a corrente principal da Criminologia.
A primeira crítica, por assim dizer, é que a visão de que a sociedade induz o indivíduo a cometer o crime está errada, assim como estão erradas as políticas que tentam traçar as causas do crime. Isso ocorre, como ele bem explana, pelo fato de que, os criminosos não possuem a mesma visão de benefício e prejuízo que o resto das pessoas possui. Por exemplo, um indivíduo comum irá enxergar a prisão algo que irá deteriorar sua vida social. As pessoas irão vê-lo com repúdio, pois ele preferiu cometer um crime e ganhar dinheiro fácil em vez de trabalhar e conseguir aquilo que buscava com suor e mérito, igual a todos. O seu círculo de amigo irá se reduzir, pois os que antes eram amigos não mais irão querer ter atrelado à vossas imagens a de um criminoso, e o pior, seus parentes irão tê-lo como um filho que se desviou do caminho certo, e sofrerão bastante por isso. Ou seja, os prejuízos sociais que tal indivíduo sofrerá serão grandes e bastante reais.
A grande questão aqui é o fato de que, como explica Wilson, esta visão somente serve para algumas pessoas, para a maioria de nós, é verdade, mas não serve para a maioria dos criminosos. Muitos indivíduos que cometem crimes consideram que ser preso, na verdade, o deixa mais bem quisto em seu meio social. A visão, portanto, de que a falta de emprego e a pobreza seriam geradoras de criminalidade, leva em consideração de um homem médio, que considera o emprego como algo bom e relevante, mas o criminoso não necessariamente o considera algo útil. Aquilo que é ruim e um grande prejuízo para o homem médio (a maioria de nós) pode ser neutro ou até mesmo bom para o criminoso, como no caso da prisão. Ou seja, a visão com que se está enxergando a criminalidade, segundo Wilson, pode estar equivocada. A principal corrente de pensamento criminológica da época estava a olhar demasiadamente para a sociedade, sendo que sua visão deveria, prioritariamente, focar no indivíduo. As medidas sociais, portanto, pouco modificariam os índices de criminalidade.
A segunda crítica é que os autores da principal corrente da criminologia estariam colocando opiniões pessoais e ideologias à frente de fatos. E esta crítica volta em outros trabalhos de Wilson, quando ele prova diversas opiniões que são infundadas do ponto de vista acadêmico por não haver nenhuma pesquisa que as corrobore.
A terceira crítica vem para contradizer os clamores de que crimes de colarinho branco deveriam ser punidos tais como os crimes de rua, pois são semelhantes. Crimes de colarinho branco, ou White-collar crime, é o crime “cometido por pessoa respeitável, e de alta posição social, no exercício de suas ocupações.”. Segundo Wilson, os crimes de colarinho branco não despedaçam o contrato social assim como o estupro ou o assassinato fazem.
A quarta crítica é uma lembrança aos sociólogos que atribuem todas as causas do crime à sociedade, e Wilson cita Emile Durkheim, o pai da Sociologia, que acredita ferrenhamente que o crime era um fenômeno moral. Sendo que Moral é um ponto bastante trabalhado pelo autor ao longo de sua carreira, com sua grande obra The Moral Sense.The Moral Sense; Wilson, James Q. (The Free Press, 1993, 1995; paperback edition 1997, 1998)
E,por último, a quinta crítica traz uma de suas frases mais polêmicas e que traduz muito de seu trabalho no campo criminológico: “Pessoas malvadas existem”. A questão aqui é que se trata de conhecimento comum o fato de pessoas, a partir de determinada idade, apresentarem comportamentos antissociais e possuírem traços psicológicos e fisiológicos totalmente distintos das pessoas comuns. Wilson considera que tais pessoas necessitam ser neutralizadas pelo Estado, pois podem causar extremo prejuízo humano se deixadas à sua própria sorte. Entre estas formas de neutralização, ele cita a pena capital.Fifty key Thinkers in Criminology, Hayward, Keith; Maruma, Shadd; Mooney, Jayne. 2010, pp.194-195; Routledge, Taylor & Francis Group
Thinking about crime - O debate sobre a detenção (The debate over deterrence)