O Império Bizantino manteve seu sistema militar altamente sofisticado da Antiguidade, que assentava-se em disciplina, treinamento, conhecimento de táticas e um sistema de apoio bem organizado. Um elemento crucial na manutenção e expansão deste conhecimento militar, junto com histórias tradicionais, foram os vários tratados e manuais práticos. Estes continuaram uma tradição que remonta aos de Xenofonte e Enéas, o Tático, e muitos excertos de manuais militares romanos orientais ou adaptados de trabalhos de autores antigos, especialmente Eliano, o Estrategista e Onasandro.

Listas de trabalhos

Um grande corpo da literatura militar bizantina sobreviveu. Os manuais caracteristicamente bizantinos foram produzidos pela primeira vez no . Eles se proliferaram amplamente no , quando os bizantinos embarcaram em suas conquistas no Oriente e Bálcãs, mas a produção se abate após o começo do . Há algumas evidências de trabalhos similares sendo escritos no período Paleólogo, mas com uma exceção, nenhum sobreviveu.

thumb|Semisse de thumb|Soldo de Maurício

Urbício escreveu um panfleto militar endereçado a . Nos manuscritos é transmitido como dois tratados independentes. Primeiro, o Táctico é uma epítome da primeira parte (chs. 1–32) do Ars Tactica (136/137) de Arriano, um tratado convencional de uma idealizada falante de infantaria. Segundo, o Epitedeuma ou "Invenção" é o projeto próprio de Urbício para um tipo de cavalo de frisa portátil. A atribuição à Urbício de um terceiro trabalho, o então chamado Cinegético, é espúrio e resulta de confusão da academia nos anos 1930. Um manuscrito (M) atribui o Estratégico de Maurício à Urbício, mas isso é demostradamente o erro do copista. Magistro Siriano (formalmente o "Anônimo Bizantino do " ou "Anônimo Bizantino") escreveu um grande e amplo compêndio militar. Três seções substanciais sobreviveram, que são transmitidas independentemente na tradição manuscrita e tem sido editada em publicações separadas. A datação da academia já no consistentemente reconheceu a unidade textual destas três peças, mas erros nos estudos de meados do prolongou sua separação. Os três componentes são: 1 - um tratado sobre guerra campal sob os títulos modernos Περὶ Στρατηγικῆς ou De Re Strategica, mais recentemente publicado como "O Tratado sobre Estratégia do Anônimo Bizantino". 2: um tratado sobre oratória militar sob o título moderno Rhetorica Militaris, frequentemente atribuído ao mesmo "Anônimo". 3: o Naumaquia (Ναυμαχίαι), um tratado sobre guerra naval, que num manuscrito único porta uma inscrição para o Magistro Siriano (Ναυμαχίαι Συριανοῦ Μαγίστρου). Reconhecendo a autoria comum de todas as três seções necessariamente atribuídas ao compêndio inteiro a este autor. Uma nova edição do compêndio completo está em preparação. As partes constituintes do compêndio tradicionalmente datadas do , mas a evidência é fraca e todos os estudos recentes identificaram características mais congruentes com uma datação do compêndio no . Estratégico atribuído ao imperador Maurício foi compilado no final do . É um grande compêndio em dose livros lidando com todos os aspectos da guerra campal contemporânea. O autor está evidentemente preocupado em clarificar procedimentos para o desenvolvimento e táticas de cavalaria, particularmente em resposta às vitórias ávaras nos anos 580-590. Ele favoreceu formas indiretas de combate - emboscadas, ardis, raides noturnos e escaramuças em terremo difícil - e também exibiu um bom entendimento de psicologia militar e moral. O Livro XI oferece uma análise inovativa dos métodos de batalha, costumes e hábitos dos inimigos mais significativos do império, bem como recomendações para campanhas ao norte do Danúbio contra os eslavos, outro assunto estratégico dos anos 590. O Estratégico exerceu uma influência profunda sobre o gênero bizantino subsequente.

thumb|Fólis de thumb|Histameno de

De Militari Scientia ou "Fragmento de Müller, um tratado anônimo fragmentado, principalmente compreendendo excertos modificados do Estratégico de Maurício. Evidência interna, incluindo a adição de "sarracenos" à lista de inimigos, sugere uma data em torno do . Problemata do imperador , compilado nos anos 890, compreende excertos do Estratégico de Maurício organizados em um formato pergunta e resposta. Tática de Leão VI, escrito ca. 895-908. Em sua essência é uma reedição do Estratégico de Maurício, frequentemente reproduzida textualmente, e material adicional retirado de tratados militares helenísticos, especialmente Onasandro. Contudo, também inclui expansões e modificações para refletir a prática contemporânea, especialmente contra os árabes e húngaros, bem como capítulos de guerra naval (peri naumachias). Coleção de Táticas (Sylloge Tacticorum; συλλογὴ τακτικῶν), compilado do começo para meados do , possivelmente durante o reinado de . O texto é dividido em duas grandes seções: a primeira (capítulos 1 à 56) retirados de vários autores anteriores e fornece conselhos sobre generalato, formações de batalha e táticas, e cercos. A segunda metade (capítulos 57 à 102) lida com estratagemas empregados por generais passados, desenhados principalmente de autores antigos. No entanto, seções sobre guerra contemporânea e comparação com modelos mais antigos (capítulos 30-39 e 46-47) também estão inclusos, e foram usados como a base para o posterior Preceitos Militares. Três Tratados sobre Expedições Militares Imperiais, um apêndice do Sobre as Cerimônias do imperador Constantino VII. Sobre Escaramuças (περὶ παραδρομῆς) atribuído ao imperador , mas na verdade escrito sob suas ordens, possivelmente por seu irmão Leão Focas. É um ensaio sobre infantaria leve e guerra de escaramuça, escrito ca. 975 baseado nas anotações de Focas sobre ataques fronteiriços e escaramuças entre bizantinos e árabes durante a primeira metade do . Ênfase é dada ao reconhecimento, o uso do terreno à noite, e instruções são fornecidas sobre vários cenários, de invasões de neutralização à invasões em larga escala e cercos.

thumb|Iluminura presente no Parangélmata Poliorcética na qual se descreve o uso de fogo grego por meio dum sifão de mão thumb|A cavalaria de Nicéforo Urano chacina as tropas búlgaras na batalha de Esperqueu. Gravura da Crônica de João Escilitzes (Escilitzes de Madrid)

Preceitos Militares (Praecepta Militaria) ou Apresentação e Composição da Guerra pelo Imperador Nicéforo (στρατηγικὴ ἔκθεσις καὶ σύνταξις Νικηφόρου δεσπότου) de Nicéforo II, uma obra em seis capítulos escrita em ca. 965, que apresenta o exército do final do durante a "Reconquista bizantina" do Oriente. Várias cenários operacionais são discutidos; para uma batalha campal, Focas descreve o uso de uma grande formação de infantaria que aferra a linha de batalha e o uso de cavalaria pesada, especialmente catafractários, como a principal força de impacto. O texto também inclui informação sobre o estabelecimentos dos acampamentos, reconhecimento e uso de espiões, bem como cerimônias religiosas do exército. Os capítulos são inclusos e parcialmente alterados para contabilizar a situação do no posterior Tática de Nicéforo Urano. Parangélmata Poliorcética (Instruções para a Guerra de Cerco), um manual sobre cercos, do então chamado Herão de Bizâncio. Tática de Nicéforo Urano, um dos melhores generais de , escrito ca. 1000. Tirado dos Preceitos Militares, do Tática de Leão VI e outros trabalhos, mas também inclui capítulos da própria experiência de Urano sobre invasões e cercos. Estratégico de Cecaumeno, escrito ca. 1075-1078. Não estritamente um manual militar, contêm conselhos gerais sobre assuntos militares, administrativos e domésticos, frequentemente ilustrados por exemplos dos eventos do . Instruções e Proscrições para um Senhor que tinha guerras para lutar e governo para exercer, escrito por Teodoro I de Monferrato em grego e então traduzido para latim (nos anos 1320) e francês. É, contudo, mas influenciado pelos modelos ocidentais, ao invés de refletir a tradição bizantina.

Bibliografia

Categoria:Manuais militares bizantinos