Rebel Heart é o décimo terceiro álbum de estúdio da artista musical americana Madonna. O seu lançamento ocorreu em 6 de março de 2015, através da editora discográfica Interscope. A artista iniciou o desenvolvimento do disco em fevereiro de 2014, após lançar o curta-metragem secretprojectrevolution, que deu início a uma campanha global chamada Art of Freedom. Ela divulgou fotos de diversas sessões de gravação em seu Instagram, nas quais trabalhou com disc jockeys (DJ) como Diplo e Avicii, e produtores como Ryan Tedder e Toby Gad. Trabalhar com diversas pessoas no projeto mostrou-se um problema para que Madonna mantivesse um som e direção coesos, uma vez que seus álbuns anteriores haviam sido desenvolvidos com um pequeno grupo de pessoas. Tematicamente, o material representa os dois lados diferentes da cantora: ouvir o coração de alguém e ser um rebelde, temas que cresceram organicamente durante as sessões de gravação e composição.
Musicalmente, Rebel Heart é um álbum derivado do pop e incorpora uma variedade de gêneros, como house music, trap, reggae e dubstep, ao passo em que apresenta um coral gospel e instrumentos como órgão e guitarra acústica. Liricamente, suas faixas falam sobre amor, reflexões pessoais, e a introspecção da carreira de Madonna; algumas delas também são naturalmente autobiográficas. O álbum também apresenta participações vocais do boxeador Mike Tyson e dos rappers Nicki Minaj, Nas e Chance the Rapper. Originalmente, o disco havia sido previsto para ser distribuído em março de 2015, com seu single inicial sendo disponibilizado em 14 de fevereiro do mesmo ano. Entretanto, após uma série de demos terem sido divulgadas ilegalmente, a intérprete lançou-o para pré-venda na loja virtual iTunes Store em 20 de dezembro de 2014, com seis músicas sendo automaticamente baixadas. Uma investigação policial levou à prisão de um homem israelense, acusado de invadir o computador de Madonna e divulgar as demos.
Rebel Heart obteve análises geralmente positivas de críticos musicais, que o descreveram como o melhor trabalho da artista em uma década e uma significativa melhoria em relação seus discos anteriores Hard Candy (2008) e MDNA (2012), além de o terem destacado por ser progressivamente sonoro. Alguns deles também elogiaram sua produção "consistente" e as habilidades vocais e líricas de Madonna. Comercialmente, o disco também mostrou-se ser bem recebido, atingindo o topo das tabelas de diversos países, como Austrália, Alemanha, Áustria, Canadá, Itália, Espanha e Portugal, e listando-se nas dez primeiras colocações em territórios como Bélgica, França, Irlanda, Japão, Nova Zelândia e Suécia. Nos Estados Unidos, converteu-se no seu primeiro álbum desde Ray of Light (1998) a não debutar no topo da Billboard 200, sendo barrado pela trilha sonora da série televisiva Empire.
"Living for Love" e "Ghosttown" foram lançados como os dois primeiros singles do álbum, respectivamente. Ambos obtiveram desempenho moderado nas tabelas musicais. "Bitch I'm Madonna", colaboração com Nicki Minaj, lançado seguidamente, tornou-se o único foco de promoção do disco a registrar entrada na Billboard Hot 100 e converteu-se no 47º número um de Madonna na genérica Hot Dance Club Songs, empatando-a com George Strait como o artista com a maior quantidade de canções que atingiram o ápice de uma tabela publicada pela Billboard. "Hold Tight" foi lançado como a quarto e último single do projeto. Para a divulgação de Rebel Heart, a artista apresentou-se em premiações como a 57ª edição dos Grammy Awards — cuja performance foi a mais assistida da noite — e na 35.ª cerimônia dos Brit Awards, e em programas televisivos como The Ellen DeGeneres Show, Today, The Tonight Show Starring Jimmy Fallon. Além disso, ela iniciou a turnê Rebel Heart Tour, em setembro de 2015, que foi um sucesso comercial e crítico.
Antecedentes e desenvolvimento 200px|thumb|left|Madonna durante a The MDNA Tour, que encerrou 2012 como a mais bem sucedida do ano e lhe rendeu a condecoração de Top Tour Artist nos Prêmios Billboard Music de 2013. Em março de 2012, Madonna lançou seu décimo segundo álbum de estúdio MDNA. Musicalmente derivado dos gêneros dance-pop e EDM, o produto recebeu análises geralmente positivas de resenhistas musicais, que elogiaram seu apelo para as boates e as faixas produzidas por William Orbit, enquanto outros o definiram como "genérico"; consequentemente, venceu o prêmio Top Dance Album nos Billboard Music Awards de 2013, com a artista recebendo o troféu de Top Dance Artist. Comercialmente, mostrou-se ser bem recebido, debutando no topo de diversas tabelas musicais ao redor do mundo, como Austrália, Canadá, Estados Unidos e Reino Unido, e listando-se entre os dez mais vendidos em outras, vindo a se tornar o 12º mais comprado em 2012 com 1.8 milhões de unidades adquiridas. Para promovê-lo, Madonna iniciou a turnê The MDNA Tour na cidade de Tel Aviv, Israel, em maio de 2012. Formada por outros 87 concertos, que visitaram a Ásia, as Américas e a Europa, a digressão enfrentou diversos assuntos controversos, como violência, armas de fogo, direitos humanos, nudez e política, embora tenha sido bem recebida criticamente e comercialmente — tendo fechado 2012 como a mais bem sucedida do período, com todos os seus concertos esgotados e arrecadando um total de 305.2 milhões de dólares, obtendo um público de mais de dois milhões de pessoas. Diversas ações judiciais foram criadas contra a artista, que ficou enfurecida com diversos incidentes, os quais ela descreveu como "injustiça" contra os seres humanos. Esses incidentes incluem a prisão de Yulia Tymoshenko na Ucrânia, o protesto feminista Pussy Riot na Rússia, violações dos direitos homossexuais, eleições presidenciais nos Estados Unidos e a tentativa de assassinato de Malala Yousafzai.
Em setembro de 2013, ela lançou secretprojectrevolution, um curta metragem co-dirigido pela própria em conjunto com Steven Klein, com o intuito de lidar com a liberdade artística e os direitos humanos. O projeto lançou uma iniciativa global chamada Art for Freedom, feita para promover a liberdade de expressão. A artista esclareceu para a L'Uomo Vogue que seu disco seguinte se conectaria com a Art for Freedom, dizendo: "Desde neste momento, não há como voltar atrás. Esse é o meu papel no mundo, meu trabalho como artista. Eu tenho uma voz e eu tenho que usá-la". Em dezembro de 2013, o empresário de Madonna Guy Oseary comentou que a cantora estava "ansiosa para começar" a trabalhar em seu próximo álbum. Entretanto, ela tinha outro projeto em mente: desenvolver o roteiro para o livro The Impossible Lives of Greta Wells, de Andrew Sean. A intérprete decidiu dividir seu tempo entre escrever o roteiro e compor músicas para o disco. Em fevereiro de 2014, ela confirmou que havia começado a compor para seu próximo trabalho de estúdio, declarando: "Nesse momento, eu estou no processo de falar com diversos co-compositores e produtores e falar sobre onde eu quero chegar com a minha música". Trabalhar com diversas pessoas no projeto mostrou-se ser um problema para que Madonna mantivesse um som e uma direção coeso nele, uma vez que seus álbuns anteriores haviam sido feitos com apenas um pequeno grupo de pessoas desenvolvendo a música. A musicista observou que diversos profissionais selecionados não iriam ficar em apenas uma cidade por um tempo devido aos seus trabalhos diferentes, fazendo com que ela não terminasse as canções. Madonna admitiu: "Eu era apenas a pessoa de pé lá com uma prancheta nas luzes, dizendo 'Ok!'. Um pouco como [se fosse] uma professora".
Gravação Em março de 2014, Madonna começou a divulgar uma série de imagens em seu Instagram, onde insinuou possíveis compositores e colaboradores com legendas acompanhadas por hashtags. Na primeira delas, ela é vista indo para o estúdio de gravação com o DJ e produtor sueco Avicii, seguida por outra imagem deles postada dias depois, com a legenda: "O fim de uma longa semana com Viking Leader, também conhecido como DJ Virgo, também conhecido como Avicii! Muitas músicas boas". No mês seguinte, o produtor Calr Falk discutiu as sessões de gravação com Avicii e Madonna ao jornal Dagens Nyheter. Ele lembrou que 11 demos foram gravadas em uma semana nos Henson Recording Studios, em Hollywood, Califórnia, acompanhadas por guitarra acústica e piano. Um total de seis profissionais foram selecionados pelo empresário de Avicii, Arash "Ash" Pour Nouri. Eles foram divididos em dois grupos: o primeiro, formado por Falk, Rami Yacoub e Savan Kotecha, e o segundo constituído por Salem Al Fakir, Vincent Pontare e Magnus Lidehäll. Avicii trabalhou com ambos os grupos durante a criação das demos, enquanto a cantora chegou no estúdio de tarde e saía apenas as sete da manhã. Ela trabalhou estreitamente com as duas equipes enquanto compunha e mudava melodias, e comandava o processo.
Dias depois, Madonna postou a imagem de um pôr-do-sol com as palavras "Rebel Heart" escritas nele, acompanhada por uma legenda que foi interpretada pela mídia como sendo letras de uma nova canção. A legenda era formada pelas seguintes letras: "Os dias viram noite. Eu não vou desistir da luta. Não quero chegar ao final dos meus dias... dizendo que não fiquei espantada". Outras fotos a retratam com a cantora Natalia Kills na frente de um microfone, e Martin Kierszenbaum, fundador e presidente da Cherrytree Records e executivo sênior do departamento de artistas e repertório da Interscope Records, gravadora da artista. Em meados de abril de 2014, Madonna revelou em seu Instagram os nomes dos compositores Toby Gad e MoZella, e do produtor Symbolyc One, divulgado imagens do grupo trabalhando no estúdio. Outros profissionais posteriormente revelados incluem o produtor Ariel Rechtshaid e o engenheiro de som Nick Rowe. Em entrevista com a rádio Sirius XM, Kierszenbaum descreveu o processo de gravação:
Em maio de 2014, Madonna postou uma selfie na qual ela falou sobre trabalhar com o DJ e produtor estadunidense Diplo. Ela havia o convidado para sua festa anual do Oscar, mas ele não pôde comparecer. Eles eventualmente começaram a falar sobre música através de textos e decidiram colaborar no disco. Em entrevista para o portal Idolator, Diplo explicou que a artista havia lhe pedido para fazer sua "música mais louca" para o álbum. Juntos, eles compuseram e gravaram sete canções, e ele acrescentou: "Essas músicas serão sonoramente loucas. Nós realmente abrimos o envelope com algumas das coisas que estávamos fazendo. [...] Ela estava aberta para tudo. Eu amo quando um artista dá a um produtor a confiança que ele precisa para trabalhar com eles, e Madonna estava muito aberta para minhas ideias". Uma faixa foi composta através de um gancho que a intérprete estava cantando enquanto bebia no estúdio, e Diplo a descreveu como "super estranha". Outra — posteriormente confirmada como "Living for Love" — teve mais de 20 versões compostas, desde uma balada ao piano até uma composição EDM; em última análise, Madonna e Diplo a comprometeram em um nível médio. Rechtshaid e o cantor britânico MNEK também fizeram parte das sessões de composição com eles, improvisando versos da obra. O DJ também confirmou outro tema, conhecido como "Bitch I'm Madonna", o qual ele acreditou que ultrapassaria os limites líricos de uma canção pop. Alicia Keys e Ryan Tedder também confirmaram suas participações no trabalho, dizendo que contribuíram em composições, enquanto a última tocou piano em "Living for Love". Ela comentou: "Foi bom. Eu estava aqui fazendo uma reunião ou algo do tipo, e [Madonna] estava trabalhando com Diplo. Eles estavam tipo: 'Oh, talvez você possa tocar um pouco de piano nessa música'. E eu fiquei tipo: 'Tudo bem. Vou tentar. Se vocês odiarem, podem tirá-la'. Foi desse jeito, casual e legal". Duas outras músicas, "Messiah" e "Devil Pray", foram confirmadas por Madonna em diferentes entrevistas.
Composição