O canal de Narauã () ou canal de Naravã () foi um grande sistema de irrigação dos períodos sassânida e islâmico inicial na Iraque Central, junto a margem oriental do Tigre e o curso baixo do rio Diala. Criado no , alcançou seu pico sob o Califado Abássida, quando serviu como principal suprimento de água para a capital abássida de Baguedade, enquanto as regiões irrigadas por ele serviram como celeiro da cidade. Sua destruição e progressivo abandono em meados do em diante reflete o declínio do regime abássida.
História
thumb|O leito seco do Canal de Narauã perto de Samarra, fotografado por Gertrude Bell em 1909 thumb|Mapa do Iraque abássida, com o Canal de Narauã balizado
Os primeiros trabalhos de irrigação junto do rio Diala foram realizados no período parta. De fato, pode ser que a parte inferior do Canal de Narauã foi originalmente o curso inferior do Diala. O sistema em larga-escala do canal do começo do período medieval foi criado no reinado do xá sassânida , que também estabeleceu-o como um distrito administrativo separado chamado "Bazijão de Cosroes" (Bazijan Khusraw). Um tesouro e fonte foram possivelmente estabelecidos lá. No começo do período islâmico, a cidade de , situada no meio do canal, foi o local duma batalha em 17 de julho de 658 entre o califa ortodoxo Ali e os carijitas de Abedalá ibne Uabe Arracibi. Sob os primeiros califas, e especialmente sob os abássidas que fizeram a vizinha Baguedade sua capital, a rede do canal foi reparada e expandida, alcançando seu pico no e começo do . Nos tempos abássidas, a região foi dividida em três distritos tributários, Narauã Superior, Médio e Inferior.
O canal foi violado em 937/938, durante a revolta de Bajecame contra Maomé ibne Raique; o último tentou impedir o avanço de Bajecame de Uacite para Baguedade causando inundações na área entre elas. O movimento mal obstruiu Bajecame, mas conseguiu destruir a agricultura local, até então o celeiro da capital califal. Como Hugh N. Kennedy escreve, "a violação do canal de Narauã foi simplesmente o exemplo mais dramático de um fenômeno muito difundido do período; e foi simbólico para o fim do 'poder abássida, assim como a violação da foi do fim da prosperidade da Sul da Arábia pré-islâmica". O Narauã Inferior e Médio foram inteiramente abandonados por quase 14 anos, até os buídas sob restaurou o canal. No entanto, a rede do canal continuou a ser declinar dai por diante. Tão tarde quanto 1140, o governador seljúcida Biruz tentou restaurá-lo, mas de acordo com o estudioso do Iacute Alhamaui, lutas internas entre os seljúcidas mais uma vez significaram a negligência do canal, e seu uso como uma estrada por tropas deles agravou a destruição da rede. Pelo tempo de Iacute, a rede do canal tinha amplamente assoreado e o país em torno dele foi abandonado.
Perfil
Nos tempos islâmicos, o canal principal foi dividido em três seções, descritos em detalhe pelo geógrafo do Iacute de Hama, em seu Dicionário de países (Mu'jam al-Buldan). O alimentador inicial do canal que drenou água do Tigre em (Dur da Arábia), próximo de Samarra, e transportou-a ao Diala em Bacuba (Ba'quba) foi chamado Alcatul Alquisraui (al-katul al-Kisrawi; "a fatia de Cosroes"). Durante seu curso, foi reunido por três canais menores provenientes do Tigre, o Iudi ("dos Judeus"), o Almamuni, nomeado em honra ao califa Almamune , e o maior deles, o Abu Aljunde ("arca do guerreiro"), construído sob Harune Arraxide . Cerca de 20 quilômetros ao sul do afluxo do Abu Aljunde ficava a cidade de , e um pouco adiante Bacuba, a capital do distrito de Alto Narauã, cerca de 50 quilômetros a norte-nordeste de Baguedade. De lá, o canal principal, agora conhecido como Tamarra, virou para sul às cidades de Bajisra (originalmente Baite Aljisre (Bayt al-Jisr), "casa-ponte") e finalmente Jisre Narauã, de onde foi conhecido como o próprio Narauã. De Bajisra um canal, o Nar Alcalis (Nahr al-Khalis), conectou o canal principal com o Tigre em Baradã e supriu os subúrbios orientais de Baguedade com água, enquanto outro, o Narbim, conectou Jisre Narauã com Caluada (Kalwadha).
Logo ao sul de Jisre Narauã, havia outro canal, o canal Diala - o atual curso do rio homônimo - que juntou-se ao Tigre cerca de cinco quilômetros ao sul de Baguedade. Jisre Narauã foi um lugar rico, devido uma estrada conectando Baguedade com Coração e que cruzou o canal. Descrições sobreviventes registram que foi estendido em ambos os lados do canal, cada com suas próprias mesquitas, mercados e hotéis para viajantes e peregrinos. Foi abandonado pelo , quando a estrada para Coração foi desviada para norte, através de Bacuba. Abaixo de Jisre Narauã uma represa sassânida (Xaduruã [Shadhurwan]) seguiu pelas cidades de Jisre Burame/Purame (nomeadas em honra a mulher de Almamune), Iarzatia (Yarzatiya), outra represa chamada Abarta, e a cidade de Iscafe Bani Junaide, dividida pelo canal em cidades alta e baixa. De Iscafe, o canal foi seguiu em frente por outros 100 quilômetros em meio a uma paisagem fortemente cultivada para juntar-se ao Tigre em Madaraia (Madharaya), próximo da moderna Kut.
Bibliografia
Categoria:Iraque sob o Califado Abássida Categoria:Geografia do Império Sassânida