thumb|Templo de Salomão, em São Paulo. A Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), ou apenas Universal, é uma denominação cristã, evangélica neopentecostal, com sede no Templo de Salomão, na cidade de São Paulo, Brasil. Fundada em 9 de julho de 1977 por Edir Macedo e seu cunhado, R. R. Soares, tornou-se um dos maiores grupos neopentecostais brasileiros. Só no país, segundo estimativas do IBGE, a IURD tem mais de seis mil templos, 12 mil pastores e 1,8 milhão de fiéis. No mundo, segundo estimativas próprias, seriam cerca de 8 milhões de seguidores e 15 mil pastores em 105 países, especialmente nos de língua portuguesa. É uma das maiores organizações religiosas do Brasil e a 29.ª maior igreja, em números de seguidores, do mundo. A igreja, no entanto, tem sido frequentemente acusada de atividades ilegais, incluindo lavagem de dinheiro, charlatanismo,"Prosperity" in the 1990s: Ethnography of the work commitment between worshippers and God in the Universal Church of the Kingdom of God, Scielo e feitiçaria. Um livro do ex-pastor Mario Justino relata um sistema de metas para os pastores, sendo que aqueles que coletam mais dinheiro recebem prêmios, como casas maiores, carros melhores e feriados. A igreja é acusada de extrair dinheiro de seus seguidores e de usá-lo para enriquecer seus líderes ao invés de auxiliar os necessitados."Ex-Member Bids Farewell To 60G – And Her Faith", New York Post, 23 de julho de 2000, Freedom of Mind A igreja esteve sob investigação formal na Bélgica1997 report "Belgian Parliamentary Report on UCKG" (in Dutch and French), Apologetics Index e jornais nos Estados Unidos, no Reino Unido, no Brasil e na Zâmbia relataram problemas relacionados a igreja."ONE HELL OF A WAY TO RAISE MONEY - HOLY-ROLLER CHURCH CASHES IN ON FAITHFUL", New York Post, 23 de julho de 2000"The exorcists", The Guardian, 15 de janeiro de 2001brazzil.com: "Praise the Lord and pass the catch-up", Brazzil, 1995"AFP: Satanism claims lead to riot", Religion News blog, 27 de novembro de 2005

Acidente de Osasco

Em 1998, o telhado da Universal desabou em Osasco, deixando 24 pessoas mortas e mais de 467 ficaram feridas.

Angola Em 2013, na Angola, a Universal se manteve fechada por 70 dias em 230 templos e 500 mil fiéis ficaram proibidos de frequentar a igreja, por conta da morte de treze pessoas na "Vigília do Dia do Fim". A reunião foi feita no Estádio da Cidadela e as autoridades alegam que no momento do acidente, o estádio estava com superlotação, estimada em mais de 150 pessoas do ideal, que era de no máximo 30 mil. Houve também a detenção de pastores da Universal na Angola. O motivo do fechamento dos templos, foi a alegação que a Universal estava em situação irregular. Em contrapartida, em nota oficial, a Universal afirmou que estava em situação regular e está dando apoio a todas as investigações e as vítimas. No final de março, o governo autorizou as retomadas das atividades na Angola. Somente a Universal pode operar desde então, todas as outras igrejas evangélicas brasileiras continuavam fechadas. De acordo com o sociólogo Ricardo Mariano da PUC-RS , a Angola é terreno fértil para a Universal, que tem lá a TV Record, jornal, templos e conexões políticas, e por isso deve ter conseguido a reserva de mercado. Em comunicado da Universal à Folha Online, "Com referência à retomada de nossas atividades e às normas de funcionamento impostas pelo governo de Angola, informamos que a Universal respeita as decisões das autoridades de Estado".

Recursos financeiros Sonegação fiscal Segundo a Receita Federal, a IURD arrecada aproximadamente um bilhão e quatrocentos milhões de reais por ano. Por ser uma instituição sem fins lucrativos, a Igreja Universal tem imunidade fiscal ao recolhimento do Imposto de Renda, portanto os recursos arrecadados pela igreja, como o dízimo, não tributados, deveriam ser usados em obras assistenciais, por isso, a Universal tem sido alvo de investigação. De acordo com a Promotoria, valores obtidos dos fiéis da Universal foram remetidos para empresas no Brasil e depois para companhias com sede nas Ilhas Cayman. Em 2010, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), anulou todas as acusações feita pelo Ministério Público contra a Universal e seus representantes, considerando ilegal a investigação conduzida pelos promotores do Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado. Porém, o presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Ari Pargendler, acolheu a denúncia da Procuradoria Geral de Justiça de São Paulo e restabeleceu um pedido de auxílio direto, encaminhado à Promotoria de Nova York para rastreamento de dados bancários e fiscais da Universal nos Estados Unidos. Os advogados da igreja ingressaram com mandado de segurança, acolhido pela presidência do TJ, que tornou sem efeito o acordo sob argumento de que tal medida deveria ter respaldo e autorização judicial no Brasil, porque envolve quebra de sigilo.

Arrecadação de dinheiro de fiéis Em 1992, o Ministério Público denunciou o líder da Universal por "delitos de charlatanismo, estelionato e lesão à crendice popular". Macedo ficou detido por onze dias, depois foi solto e livrou-se das acusações. A foto de Macedo na prisão virou capa de sua biografia autorizada O Bispo – A História Revelada de Edir Macedo, lançada em 2007. Todas as acusações contra Edir Macedo, isso desde 1992, foram arquivadas por falta de provas, segundo o advogado Arthur Lavigne. Lavigne questionou uma suposta divergência nos dados da Receita Federal e do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF). Houve também denúncias arquivadas no Supremo Tribunal Federal. Para ele, "estas acusações criminosas nem merecem resposta".

Em 2009, a Justiça aceitou a denúncia do Ministério Público Federal paulista contra Edir Macedo e mais nove integrantes da Universal pelas acusações de formação de quadrilha e de lavagem de dinheiro, acusados de se apropriarem dos dízimos e ofertas de fiéis, usando o dinheiro coletado para construir um patrimônio pessoal e comprar emissoras de televisão e rádio. A denúncia baseou-se em uma apuração da movimentação financeira da IURD ao longo de seus mais de 30 anos de existência. Em 2007, foi iniciada a investigação que levou à quebra judicial dos sigilos bancário e fiscal da Universal e levantou o patrimônio acumulado dos seus dirigentes entre 1999 e 2009; mesmo isentas de pagar impostos, as organizações religiosas são obrigadas a declarar os bens doados que receberam de seus fiéis. Segundo a investigação, ao menos 50 empresas, como emissoras de rádio e TV (em especial a Rede Record), gráficas e agências de turismo controladas direta ou indiretamente por integrantes da Igreja Universal do Reino de Deus são beneficiadas por doações feitas por fiéis em todo o país.

Uma publicação no site do jornal espanhol El País sobre o templo em 2 de agosto de 2014 afirmou que os fiéis da IURD seriam obrigados a doar 10% de seus salários, o Bispo Edir Macedo se apropria de doações de fiéis para enriquecimento pessoal e que Universal praticava o “comércio de bençãos”. Em dezembro de mesmo ano, a justiça espanhola obrigou o jornal El País a publicar uma retratação em favor da Igreja negando todas as acusações feita pelo periódico.

Edir Macedo

|thumb|upright|Edir Macedo

Segundo a revista Forbes, Edir Macedo é o pastor mais rico do Brasil, tendo patrimônio estimado em janeiro de 2013, em quase dois bilhões de reais. A Universal e Edir Macedo contestaram e afirmaram em nota que, embora a Rede Record seja de sua propriedade, Macedo não seria remunerado nem participaria de lucros ou quaisquer outros recursos financeiros provenientes da emissora e que os mesmos seriam reinvestidos na Record. Seu único sustento viria da igreja através da "ajuda de custo" paga a pastores e bispos pela instituição e dos direitos autorais dos livros de sua autoria.

Em 2007, foi aberta uma denúncia em São Paulo pelo deputado estadual Afanásio Jazadji contra Macedo pela suposta prática de crimes de falsidade ideológica contra a fé pública, sonegação fiscal e lavagem de dinheiro. De acordo com a denúncia, Edir teria se apropriado de recursos da igreja para formar patrimônio pessoal em organizações de comunicação.

Em 2007, o jornal Folha de S. Paulo apontava que Macedo era o maior detentor de concessões na mídia eletrônica brasileira, com 23 emissoras de TV, entre elas a Rede Record, e 40 emissoras de rádio, e que a extensão financeira do conglomerado, registrada no então paraíso fiscal da Ilha de Jersey, serviria para "lavagem de dinheiro" dos dízimos recebidos pela Universal.

Prisão em 1992

Em 1992, após um culto de domingo na antiga catedral da Universal no bairro de Santo Amaro em São Paulo, várias viaturas da Polícia Civil cercaram o carro de Edir e o levaram ao 91º Distrito Policial no distrito da Vila Leopoldina. Ele foi acusado de charlatanismo, estelionato e curandeirismo.

Houve várias tentativas por parte dos advogados, Campos Machado e o ex-Ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, para pedir habeas corpus. Eles diziam que a cadeia era uma medida "violenta e inconstitucional, sem nenhuma justificativa, mesmo porque, se o bispo for condenado, terá direito a prisão domiciliar, pois é primário e tem bons antecedentes". Após a prisão, artistas e políticos argumentaram em favor de Macedo, entre eles o ex-presidente Lula e o jogador de futebol Pelé.

Outros políticos brasileiros de esquerda uniram-se na crítica à decisão da Justiça. Aloysio Nunes Ferreira, até então deputado federal pelo PSDB, também visitou a cadeia onde Macedo estava preso. "É pura violência, pura perseguição. Tem meu maior repúdio", diz Nunes. O primeiro pedido para soltar Edir Macedo foi negado. Várias pessoas passaram a noite na porta do 91º DP. Sete dias após, a delegada de plantão Sílvia Souza Cavalcanti viu a indignação dos manifestantes e pediu ao bispo que ele gravasse uma mensagem para a rádio para acalmar as pessoas: "Só peço às pessoas que fazem parte desta família Universal do Reino de Deus que orem e façam jejum para que venhamos a sair daqui o mais rápido possível. Que Deus, no tempo certo, venha nos livrar e possamos então comungar juntos a fé cristã. Eu quero agradecer o carinho de todos nestes momentos difíceis. Conto com a oração de cada um. Muito obrigado", diz o bispo. Edir Macedo ficou preso por 11 dias, mas livrou-se das acusações. Anos depois, a foto de Edir Macedo na prisão ilustrou sua biografia: "O Bispo: A História Revelada de Edir Macedo", lançada em 2007. thumb|esquerda|upright|Capa do livro O Bispo, que mostra Edir Macedo preso em 1992

Em seu livro Nada a Perder, Edir Macedo responsabiliza a Igreja Católica pela sua detenção. Para reforçar a tese de que foi vítima de uma conspiração do Vaticano, ele conta ter visto um "homem de batina" fazendo anotações durante seu depoimento ao juiz que havia decretado sua prisão. O juiz Carlos Henrique Abraão disse a Edir se, após a prisão dele, havia diminuído o número de pessoas frequentando a Universal. Macedo respondeu que não. O segundo pedido de habeas corpus também foi negado.