Inocêncio João Teixeira Calabote (-) foi um árbitro internacional de futebol português e o primeiro árbitro de futebol a ser irradiado por acusações de corrupção. Este mesmo árbitro foi envolvido em acusações de corrupção relacionadas com o Sport Lisboa e Benfica.

Biografia Árbitro internacional da Associação de Futebol de Évora, ficou para a história do futebol português por ter sido o primeiro árbitro de futebol a ser irradiado por acusações de corrupção. O caso ocorreu num jogo no Estádio da Luz entre Sport Lisboa e Benfica e Clube União Fabril a 22 de Março de 1959.

O livro sobre o "Caso Calabote", da autoria do jornalista João Queiroz, foi editado pela Quidnovi.

Sobre o caso "Caso Calabote":

Inocêncio Calabote foi um árbitro que ficou famoso por arbitrar o jogo Benfica-CUF da última jornada do campeonato da época 58/59. O jogo disputou-se a 22 de Março de 1959 e decidia o título nacional desse ano que foi disputado ao golo entre o SLB e o FCP. O SLB recebia a CUF, arbitrado por Calabote e o FCP visitava Torres Vedras com uma vantagem de 4 golos sobre o SLB. 

O caso teve origem na hora a que começou o jogo da Luz, em vez de começar às 15h (à mesma hora do Torreense-FCP), os jogadores do SLB atrasaram o início do jogo em 6 minutos para saberem como estava o jogo do FCP e ainda terem tempo de tentar marcar mais golos. O tempo de compensação na Luz foi de 4 minutos, o que levou a que o jogo acabasse 10 minutos mais tarde que o de Torres Vedras dando origem a comentários do tipo "o árbitro deu 10 minutos de desconto à espera de um golo do SLB". Esse golo daria o título ao SLB. 

No fim de contas, o SLB CUF por 7-1 e teve 3 penaltis a favor, o que deu origem a contestações. Quanto aos penaltis, com base nos jornais da época, dizem que dois deles foram bem marcados e um não. Perto do fim, com o resultado já em 7-1 e o jogo de Torres Vedras já finalizado com 3-0 para o FCP, há um penalti claríssimo a favor do SLB que não foi marcado pelo Calabote, segundo as declarações do técnico da CUF "o árbitro exagerou nos penaltis, principalmente no 2º (o tal que não era) e agora no fim não marcou um autêntico penalti (falta sobre Cavém), marcar este seria mais razoável.".

O campeão na época foi o FCP por diferença de um golo.

Inocêncio Calabote foi irradiado da arbitragem na época seguinte não por ter assinalado os 3 penaltys a favor do SLB, mas por ter mentido no relatório ao dizer que o jogo tinha começado a horas e tinha tido 2 minutos de compensação. 

Numa entrevista vídeo com Francisco Palmeiro, jogador do Benfica que esteve em campo no jogo SLB-CUF, o jogador confirma que o árbitro Calabote beneficiou o SLB durante a partida e que o guarda redes adversário, Gama, permitiu o avolumar do resultado.

João Queiroz(jornalista) in "O Caso Calabote"

Algumas notas da época 58/59: 

Chino, influente extremo direito do SLB foi castigado com cinco jogos de castigo na fase decisiva da competição, tendo sido a pena reduzida para 1 jogo de castigo. O jogo Belenenses-Benfica da 19ª jornada (eram 26 no total) foi protestado pelos azuis do Restelo pela anulação de um golo de canto directo ao Belenenses e por a barreira do Benfica se ter mexido antes de Matateu apontar um livre. O jogo acabou por ser repetido antes do decisivo Benfica-CUF e depois de um Sporting-Benfica. A 3 jornadas do fim, quando o Porto partia muito atrás do Benfica no que à diferença de golos diz respeito, os portistas receberam o Belenenses e venceram por 7-0. O Belenenses era um clube muito forte nessa altura e acabaria esse Campeonato em 3º lugar a 3 pontos de Porto e Benfica. Na penúltima jornada, no Sporting-Benfica (2-1), o Benfica acabou o jogo com nove jogadores, um por expulsão e outro por lesão (não existiam substituições). Lesão essa que teve origem (ao que consta) numa batalha campal em que o jogador do SLB foi deixado inconsciente. No último e decisivo jogo do Porto em Torres Vedras, o Porto venceu por 3-0 com dois dos golos a serem apontados muito perto do fim da partida.

Categoria:Árbitros de futebol de Portugal