thumb|A deusa Ísis (sentada à direita) recebe a heroína grega Io no Egito; fresco em Pompeia Interpretatio graeca (latim para "tradução grega" ou "interpretação através de [modelos] gregos") é um discursoCharacterized as "discourse" by Mark S. Smith, God in Translation: Deities in Cross-Cultural Discourse in the Biblical World (Wm. B. Eerdmans, 2008, 2010), p. 246. no qual as práticas religiosas, divindades e mitos gregos são usados para interpretar ou tentar compreender a mitologia e religião de outras culturas. Trata-se de uma metodologia comparativa que procura equivalências e características em comum.

Interpretatio romana é o discurso comparativo em referência à religião e mitologia romanas, como aconteceu na formação da religião galo-romana, em que romanos e gauleses reinterpretaram as tradições religiosas gaulesas em relação aos modelos romanos, particularmente o culto imperial.

Interpretatio germanica é a prática dos povos germânicos de identificar os deuses romanos com os nomes das divindades germânicas. De acordo com Rudolf Simek, isso ocorreu por volta do primeiro século da era comum, quando ambas as culturas entraram em contato mais próximo.

Plínio, o Velho, expressou a "tradutibilidade" das divindades como "nomes diferentes para povos diferentes" (nomina alia aliis gentibus).Plínio, o Velho, Natural History 2.5.15. Esta capacidade tornou possível o sincretismo religioso da era helenística e do Império Romano pré-cristão.

Exemplos históricos da Interpretatio Graeca e Interpretatio Romana A seguir, lista de equivalentes gregos, romanos, egípcios, fenícios, persas e germânicos, baseadas nos usos entre os próprios antigos, apoiadas pelas análises de estudiosos modernos. "Equivalente" não deve ser interpretado como "o mesmo deus". Por exemplo, quando os mitos ou mesmo as práticas de culto de uma determinada divindade romana foram influenciados pela tradição grega, a divindade pode ter tido uma origem independente e uma tradição que é culturalmente distinta.

Como as religiões do mundo greco-romano não eram dogmáticas, e o politeísmo se prestava à multiplicidade, o conceito de "divindade" era muitas vezes expansivo, permitindo múltiplas e até contraditórias funções dentro de uma única divindade, e sobrepondo poderes e funções entre as diversas figuras de cada panteão. Essas tendências se estenderam às identificações transculturais.

Deuses Romanos Os seguintes deuses são considerados equivalentes: Grego - Romano - Função Simplificada Zeus - Júpiter - Deus do Céu Hera - Juno - Rainha do Céu Posídon - Netuno - Deus do mar Hades - Plutão: Deus do submundo Deméter - Ceres - Deusa da fertilidade Atena - Minerva - Deusa da Sabedoria Artemis - Diana - Deusa da caçada Ares - Marte - Deus da guerra Afrodite - Vênus - Deusa do amor Hefesto - Vulcano - Ferreiro Hermes - Mercúrio - Mensageiro dos deuses Héstia - Vesta - Deusa da casa Dionísio - Baco - Deus da embriaguez e do vinho

Deuses Egípcios Adônis - Osíris - Senhor, mestre ou patrono Afrodite - Hator - Deusa do Amor Apolo - Hórus/Rá - Deus da luz, música e poesia Ares - Onúris - Deus da Guerra Ártemis - Bastete - Deusa da Caça Atena - Neite - Deusa da Sabedoria, das Artes e Ofícios; Tecelagem Crono - Osíris - Deus do Tempo Deméter - Ísis - Deusa da Fertilidade Dionísio - Osíris -Os antigos gregos, identificaram Osíris com Dionísio e com a estrela Sirius; Hades - Anúbis/Osíris - Deus do submundo Hefesto - Ptá - Ferreiro Hera - Mut/Hator - Deusa do Matrimonio Hermes - Anúbis/Tote - Deus do conhecimento, da música e da magia Zeus - Amom/Osíris - Deus do Céu

Deuses Fenícios Adônis - Tamuz - Senhor, mestre ou patrono Afrodite - Astarte - Deusa do Amor Asclépio - Eshmun - Deus da Cura Atena - Anat - Deusa da Sabedoria Cronos - Ba'al Hammon - Rei dos Deuses

Deuses Persas Afrodite - Anaíta - Deusa do Amor, Beleza e Sexo Apolo - Mitra - Deus do Sol e da Sabedoria Cronos - Zurvan - Deus do Tempo Hades - Arimã - Deus do Submundo Hermes - Samas - Deus da Magia do Universo e Senhor dos Astros Zeus - Aúra-Masda - Rei dos Deuses

Deuses Germânicos Sol Invicto (divindade de sexo masculino) - Sól - Deusa do Sol Luna (divindade de sexo femenino) - Máni - Deus da Lua Marte - Tyr - Deus da Guerra Mercúrio - Odin - Deus dos Viajantes e Eloqüência Júpiter - Thor - Deus dos Trovões Vênus - Freia - Deusa do Amor

Aplicação à religião judaica Do ponto de vista romano, era natural aplicar o princípio acima também ao deus judaico Jeová e equipará-lo a Júpiter. No entanto, os judeus - ao contrário de outros povos que viviam sob o domínio romano - rejeitaram imediatamente qualquer tentativa desse tipo, considerando essa identificação como o pior tipo de sacrilégio. Essa completa divergência de pontos de vista foi um dos fatores que contribuíram para a frequente fricção entre os judeus e o Império Romano - por exemplo, a decisão do imperador Adriano de reconstruir Jerusalém sob o nome de Élia Capitolina, uma cidade dedicada a Júpiter, precipitou a Revolta de Barcoquebas.

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