"Ghosttown" é uma canção da cantora estadunidense Madonna, contida em seu décimo terceiro álbum de estúdio Rebel Heart (2015). Foi composta pela própria em conjunto com Jason Evigan, Sean Douglas e Evan Bogart, sendo produzida por Madonna, Billboard e Evigan. A intérprete ouviu trabalhos anteriores de Douglas e quis colaborar com ele e outros compositores. Juntos, eles elaboraram a composição da faixa em três dias. A obra foi lançada na loja virtual iTunes Store ao redor do mundo em dezembro de 2014, em resposta à divulgação ilegal de diversas músicas do disco. Posteriormente, em 13 de março de 2015, foi enviada para estações de rádio italianas mainstream, servindo como o segundo single do material, sendo, ainda, comercializada em CD single e download digital e promovida através de dois pacotes contendo diversos remixes.

Composta como uma faixa edificante, "Ghostotwn" é uma balada pop que apresenta instrumentação de órgão e bateria, com pequenos efeitos de vocoder nos vocais de Madonna. Inspirada pela imagem de uma cidade destruída após armagedom, a obra fala como os sobreviventes continuam suas vidas, com o amor sendo a única coisa na qual eles podem se apoiar. A canção obteve análises geralmente positivas de críticos musicais, que elogiaram os vocais da intérprete, sua produção e suas letras, comparando-a com outras baladas de sua discografia, com alguns comparando a voz de Madonna com a de Karen Carpenter. Comercialmente, a composição conquistou resultados moderados, alcançando as quarenta primeiras posições em tabelas musicais de países como Alemanha, Bélgica, Finlândia, Hungria e Suécia. Nos Estados Unidos, converteu-se na 36.ª entrada de Madonna no periódico Adult Contemporary e tornou-se seu 45.º número um na genérica Hot Dance Club Songs, quebrando seu empate com o cantor country George Strait e fazendo dela a artista com mais faixas a culminarem em uma tabela da Billboard.

O vídeo musical correspondente foi dirigido por Jonas Åkerlund, com quem Madonna havia trabalhado anteriormente em vídeos como "Ray of Light" e "Music", e possui uma participação especial do ator Terrence Howard. Lançado em 8 de março de 2015 no aplicativo Meerkat, o trabalho retrata Madonna e Howard como os únicos sobreviventes de uma cidade destruída. O projeto teve como principal tema "uma situação apocalíptica imitando o fim do mundo" e obteve análises geralmente mistas, com alguns resenhistas elogiando seus visuais e a dança feita pela cantora e por Howard, enquanto outros o definiram como "ridículo". Para a divulgação de "Ghosttown", a intérprete cantou a música em diversos programas europeus durante a divulgação de Rebel Heart, como Le Grand Journal na França, Che tempo che fa na Itália e The Jonathan Ross Show na Inglaterra. Além disso, apresentou-a no segundo iHeartRadio Music Awards, acompanhada pela cantora Taylor Swift tocando violão, e em datas selecionadas da Rebel Heart Tour (2015-16).

Antecedentes thumb|left|upright|Jason Evigan (imagem) serviu como co-compositor de "Ghosttown" e foi requisitado pessoalmente por Madonna para trabalhar em uma canção, após ela ouvir "Talk Dirty", de Jason Derulo, também co-composta por ele. "Ghosttown" foi composta por Madonna, Jason Evigan, Evan Kidd Bogart e Sean Douglas, sendo produzida pela cantora em conjunto com Billboard. A sua composição foi elaborada em três dias, depois que a artista pediu pessoalmente para entrar em estúdio com eles. Ela ouviu e gostou da canção "Talk Dirty", de Jason Derulo, que foi co-composta por Evigan e Douglas, e decidiu colaborar com eles. Douglas lembrou que eles haviam terminado uma "grande sessão", dizendo: "Eu estava incrivelmente nervoso por razões óbvias, mas ela se mostrou, foi super gentil e estava pronta para trabalhar. Basicamente, eu tirei isso da minha lista de desejos". Ao falar sobre a sessão de composição, a intérprete explicou:

Ao discutir o tema de "Ghosttown" com a rádio francesa Europe 1, Madonna falou sobre a intolerância ao redor do mundo, especialmente na França, onde ela acreditava ter perdido sua habilidade de aceitar as pessoas de todas as raças e cores. Acrescentando que "o nível de intolerância e antissemitismo estava crescendo em toda a Europa", ela comentou que o tema apocalíptico da obra era um prenúncio da destruição da humanidade, se a tolerância continuar. A artista concluiu: "O jeito como nos comportamos, tratar um ao outro da maneira que nós estamos sendo tratados, para manter esse nível de intolerância e prejuízo discriminatório (...) o comportamento de ódio de outros seres humanos que são mais diferentes que você".

Lançamento e remixes Em dezembro de 2014, um total de 13 canções das sessões de gravação de Rebel Heart foram ilegalmente divulgadas na Internet. Agravada com o ocorrido, Madonna recorreu ao seu Instagram e esclareceu que as faixas eram apenas demos de gravações anteriores. Em entrevista para a Billboard, a cantora disse que após a divulgação ilegal, ela e sua equipe tentaram descobrir de onde surgiram as canções. Em última análise, eles decidiram lançar as obras finalizadas. No dia 20 de dezembro de 2014, o álbum foi disponibilizado para pré-venda na loja virtual iTunes Store. Quando o disco fosse encomendado, seis músicas seriam automaticamente baixadas, incluindo "Ghosttown". A artista adicionou que "preferiria que [seus] fãs ouvissem as versões completas de algumas canções, em vez das faixas incompletas que estavam circulando". Durante a aparição de Madonna no programa televisivo italiano Che tempo che fa, "Ghosttown" foi confirmada como o segundo single do projeto, e foi enviada para estações radiofônicas mainstream do país em 13 de março de 2015. Uma semana depois, foi lançada nas rádios australianas, enquanto que no Reino Unido foi adicionada às estações em 20 de abril seguinte. Além disso, a composição foi comercializada em formato físico e digital, e promovida através de dois pacotes de remixes, dos quais um foi disponibilizado para compra na iTunes Store e o outro para streaming no serviço Tidal.

Em 13 de março de 2015, a Billboard lançou um remix de "Ghosttown" feito pelo DJ holandês Don Diablo, que transformou a balada em uma faixa EDM. Versões feitas por DJs como RedTop, Armand Van Helden, Offer Nissim e Roger Sanchez foram agrupadas em um pacote de remixes lançado para streaming no Tidal. De acordo com o portal Idolator, "RedTop completamente desconstrói 'Ghosttown' e a transforma em algo que você talvez ouça em um bar com piano pós-apocalíptico. É triste e depressivo, porém desafiadoramente dançante". Outro remix, feito por Paul Andrews, enfatiza os vocais de Madonna, acrescentando também piano e orquestra na produção. Andrews explicou que como o vídeo musical da faixa havia sido da maneira que havia imaginado, com "duas pessoas em um lugar obscuro com destruição ao redor, mas que ainda têm uma à outra". Assim, ele queria que as estrofes representassem a realidade da situação e que o refrão representasse a visão deles sobre o mundo por causa de seu amor. Esta versão foi aprovada por Madonna, e também foi lançada exclusivamente em sua conta no Tidal.

Composição

A composição de "Ghosttown" é "edificante e eufórica" em natureza, possuindo grande alcance com uma série de efeitos melódicos gerados pela música eletrônica. Uma visualização cinemática com a faixa é conquistada por diferentes progressões harmônicas, fazendo que a canção toda soe compacta.}} A obra começa com sons de acordes de órgãos e uma batida de bateria "empoeirada". Ao invés de ser diretamente uma balada pop, a composição soa um pouco "tensa", devido ao uso de percussão sintetizada e pequenos efeitos de vocoder nos vocais de Madonna. Chris Rosa, do VH1, declarou que a canção "apresenta produção apertada e um refrão de colidir ouvidos que é pura felicidade pop", enquanto Elysa Gardner, do USA Today, descreveu-a como uma mistura de "doçura desarmadamente séria com um arranjo forte e frio". O refrão aparece após 40 segundos na música, com uma pausa preenchida com distorção, uma batida forte e uma progressão harmônica repetitiva. De acordo com a partitura publicada no Musicnotes.com pela BMG Rights Management, "Ghosttown" é definida na assinatura de tempo comum com um ritmo moderado de 79 batidas por minuto. É composta no tom de ré menor, com os vocais de Madonna abrangendo-se entre as notas de fá3 e si bemol4. A canção possui uma sequência básica de dó menor, fá, dó e sol menor nas estrofes e de si bemol, fá, dó e dó menor como sua progressão harmônica. Demacio "Demo" Catellon tratou da engenharia e da mixagem da faixa, enquanto Ron Taylor realizou edição adicional de Pro Tools nos vocais de Madonna e Evigan serviu como vocalista de apoio.

Tematicamente, a introspecção foi listada como um dos temas fundamentais prevalentes em Rebel Heart, com declarações genuínas de reflexões profissionais e pessoais de Madonna e sua "autoconsciência obsessiva". "Ghosttown" é uma das canções que apresenta mensagens sutis, enquanto trata também da união e da consciência religiosa. A cantora reverte o conceito de "perda de amor" com sua idealização romântica, segundo Matthew Harden, do Samesame.com.au, conforme profere "Quando tudo cair / Quando tudo desmoronar / Seremos duas almas numa cidade fantasma". Jim Farber, do New York Daily News, disse que a faixa traz "os elementos mais calorosos da voz [de Madonna]" e "às vezes, seu [alcance] alto soa como o de Karen Carpenter, enquanto a melodia tem a calma envolvente de sucessos como "Live to Tell".

Crítica profissional

"Ghosttown" foi recebida de forma predominantemente positiva por críticos musicais. Hugh McIntyre, da Forbes, considerou a faixa uma favorita do álbum, enquanto Jon Lisi da PopMatters, adjetivou-a de "indiscutivelmente, a canção de amor mais assustadora da carreira [de Madonna]". Dean Piper, do jornal The Daily Telegraph, sentiu que a canção era a melhor chance da cantora de ter um sucesso nas rádios com Rebel Heart, comparando sua composição com a do álbum Ray of Light, lançado por ela em 1998. Esta opinião foi compartilhada por Gregory Ellwood, do HitFix, que achou ser sua "balada mais comercialmente aceitável" da década de 2010. Hunter Hauk, do The Dallas Morning News, elogiou a entrega vocal de Madonna apesar dos efeitos vocais acrescentados, também considerando a obra um provável sucesso nas rádios para a intérprete. Daryl Deino, do The Inquisitr, também prezou os vocais da cantora em "Ghosstown", juntamente com "Devil Pray" e "Living for Love". Bernard Zuel, do The Sydney Morning Herald, achou que Madonna estava revivendo suas baladas antigas como "Live to Tell", e sentiu que os arranjos eletrônicos complementaram seus vocais. Amy Pettifer, do portal The Quietus, observou que o refrão poderia ser cantado por qualquer outra artista, porém que Madonna, "apesar de ser uma cantora mais fraca, o profere nas apostas da verdade emocional, particularmente nesse fim do espectro mais melancólico. Cantando com uma tonalidade trêmula, sua voz se mantém no espaço limpo, as letras a posicionam como a luz que brilha no escuro e guia. Um hino brilhante, desesperado e vibrante".