As Moradas ou O Castelo Interior é uma obra de Teresa de Ávila, fundadora da Ordem dos Carmelitas Descalços, escrita em 1577 como guia para o desenvolvimento espiritual por meio do serviço e da oração. Inspirada em sua visão do alma como um diamante com forma de castelo, dividido em sete moradas, a obra é concebida como o progresso da fé em sete etapas, que culmina na união com Deus.
Ela começou a escrever a obra em 2 de junho de 1577, completando-a em 29 de novembro do mesmo ano. Em agosto de 1586, foi escolhido como editor da obra o monge agostiniano Frei Luís de Leão, após o que, finalmente, em 1588 o livro foi publicado em Salamanca, Espanha.Introdução, p. 16, 21.Teresa, Introdução, p. 2
Antecedentes A Inquisição Espanhola estava estudando o livro anterior de Santa Teresa, Vida de Santa Teresa de Ávila, ponderando se suas experiências poderiam ser consideradas heréticas ou não. Ela não tem certeza se deve escrever um novo livro, e ao iniciá-lo, afirma humildemente que:
No entanto, de acordo com uma carta escrita pelo frei Diego de Cetina SJ, confessor da santa, Teresa foi convencida a escrever o livro, após receber uma visão de Deus.
Descrição O castelo interior está dividido em sete moradas, cada uma das quais descreve um degrau no acercamento a Deus. As primeiras três moradas são consideradas acessíveis pela oração ativa. As quatro últimas, próprias para a oração contemplativa. Como exemplo para distinguir ambos os tipos de oração, Teresa põe o exemplo de duas fontes: uma recebe a água de muito longe, trazida trabalhosamente por diversos condutos; esta seria a oração ativa. A outra está sobre o mesmo nascimento de um manancial, e recebe a água de sua mesma origem; seria a oração contemplativa.Santa Teresa, As Moradas. Moradas quartas, cap. 2
Moradas primeiras (Dois capítulos). Acessa-se à sua porta por meio da oração. Somente as almas em estado de graça podem acessar a ela, por isso primeiro devem se libertar de seus pecados. O demônio espreita no exterior do castelo, com seus instrumentos, os pecados, representados por «feras e bestas». Moradas segundas (Um capítulo). Teresa as considera de menos perigo que as anteriores, mas de mais trabalho, porque as almas, embora possam cair em pecado, estão mais perto do Senhor, e podem ouvir melhor sua chamada. Moradas terceiras (Dois capítulos). As almas vão ganhando confiança, e se não retrocedem, veem que vão pelo bom caminho. Com toda humildade, confiadas na misericórdia divina, afastadas do mundo. Moradas quartas (Três capítulos). Aqui se faz referência à Oração de quietude, para a qual é necessário, mais que pensar muito, amar muito. Deus aumenta seu papel na alma, que nota uma grande paz interior e felicidade. Moradas quintas (Quatro capítulos). Descreve a união incipiente da alma com seu Criador. A alma, rendida de amor, não quer ter vontade própria, senão a vontade de Deus.Santa Teresa, Obra citada. Moradas quintas, cap. 2 Moradas sextas (Onze capítulos). A união se aprofunda, com maiores efeitos que na morada anterior. A alma fica ferida do amor do Esposo, e passa muito tempo entre trabalhos interiores e exteriores muito duros antes de alcançar a sétima morada, ante os quais nada pode fazer, senão esperar a misericórdia de Deus, ao qual sente próximo.Santa Teresa, Obra citada. Moradas sextas, cap. 2 Moradas sétimas (Quatro capítulos). A alma recebe por fim a luz interior em seu matrimônio espiritual com Deus. Agora, se esquece de si, e Cristo vive nela.Santa Teresa, Obra citada. Moradas sétimas, cap. 3
Influência na cultura popular As experiências místicas de Santa Teresa inspiraram vários autores modernos, embora não necessariamente da mesma perspectiva teológica.
Elizabeth Gilbert, em seu livro Comer, Rezar, Amar (2006), que trata sobre a exploração espiritual pessoal, alude a As Moradas, como uma «gloriosa meditação divina».
O livro de Caroline Myss, Entering the Castle está inspirado em As Moradas, mas a partir de uma abordagem ao misticismo Nova Era.'God Doesn't Want Your Real Estate' Beliefnet.com.Entering the Castle Integral Institute.
Santa Teresa também inspirou o escritor americano R. A. Lafferty em sua novela Fourth Mansions (1969), que foi nomeada ao Prêmio Nebula em 1970.
A novela de Jeffrey Eugenides The Marriage Plot (2011) refere-se a O Castelo Interior quando fala da experiência religiosa de Mitchell Grammaticus, um de seus principais personagens.
O escritor uruguaio Mario Levrero cita em seu "Diário da bolsa" (introdução a La novela luminosa) a As Moradas de Santa Teresa como uma fonte constante de inspiração em sua escrita. De fato, a chama como sua "patrona".
Adaptação à história em quadrinhos Por ocasião das comemorações pelo V Centenário do Nascimento de Teresa de Ávila, As Moradas foi adaptada à história em quadrinhos pelo Centro Cultural da Espanha em Buenos Aires e a editora Loco Rabia, especializada em quadrinhos.
Influência na filosofia moderna A catedrática Christia Mercer da Universidade de Columbia afirma que "o argumento de Descartes do gênio maligno em suas Meditações metafísicas tem uma longa história, incluindo uma dívida à freira Teresa de Ávila".'Descartes debt to Teresa of Ávila, or why we should work on women in the history of philosophy'
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