A víbora-cornuda (Vipera latastei) é uma espécie de víbora venenosa endémica da Península Ibérica e do noroeste da África. São actualmente reconhecidas duas sub-espécies incluindo a sub-espécie nominal aqui descrita.
Etimologia O epíteto específico, latastei, honra um colega francês de Boscà', o herpetólogo Fernand Lataste,Beolens, Bo; Michael Watkins; Michael Grayson. 2011. The Eponym Dictionary of Reptiles. Baltimore: Johns Hopkins University Press. xiii + 312 pp. . ("Vipera latasti" [sic], p. 151). quem um ano mais tarde lhe retribuíria a honra dando o nome de Boscà a uma sua descoberta, o tritão-ibérico (Lissotriton boscai ).
Descrição V. latastei atinge um comprimento total (corpo + cauda) máximo de aproximadamente 72 cm, mas é, em regra, menor.Mallow D, Ludwig D, Nilson G. 2003. True Vipers: Natural History and Toxinology of Old World Vipers. Malabar, Florida: Krieger Publishing Company. 359 pp. . snub-nosed adder.U.S. Navy. 1991. Poisonous Snakes of the World. US Govt. New York: Dover Publications Inc. 203 pp. . A sua cor é cinzento-azulado, cabeça triangular, e um "corno" na ponta do nariz, possuindo no dorso uma mancha mais escura, em zig-zag, ao longo de todo o corpo. A ponta da cauda é amarela.
Comportamento Pode ser observada tanto de dia como de noite, mas de um modo geral esconde-se debaixo de pedras. A ponta da cauda amarela é possivelmente usada para atrair as presas. É um animal difícil de encontrar, a não ser por mero acaso, pelo que, quando isso acontece, o registo visual é muito próximo, o que torna a situação pouco agradável.
Distribuição geográfica Pode ser encontrada na Península Ibérica (Portugal e Espanha) no noroeste da África (a zona mediterrânica de Marrocos, Argélia e Tunísia).
A localidade-tipo indicada é "Ciudad Real", emendada para "Valencia, Spanien" (Valência, Espanha) por Mertens e L. Müller (1928).
Habitat Esta espécie é encontrada geralmente em áreas rochosas húmidas, em matagais e bosques secos, sebes e por vezes em dunas costeiras.
Reprodução As fêmeas dão à luz de 2 a 13 crias, em média, uma vez cada três anos.
Estado de conservação Esta espécie foi classificada como Quase Ameaçada (NT) segundo a Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da IUCN (v3.1, 2001), desde 2008 é classificada como Vulnerável (VU). É assim considerada porque provavelmente encontra-se em declínio significativo (mas provavelmente a uma taxa menor que 30% em 10 anos) devido a perda generalizada de habitat e perseguição em grande parte da região que habita, o que torna esta espécie muito próxima de qualificar como Vulnerável. Espera-se que a população continue a diminuir, mas esta diminuição não deverá exceder os 30% nos próximos 10 anos, mas são possíveis extinções locais em partes da sua zona de distribuição (p.e., Tunísia). Ano de avaliação: 2005.
Encontra-se também incluída na lista de espécies estritamente protegidas (Apêndice II) da Convenção de Berna.Convention on the Conservation of European Wildlife and Natural Habitats, Appendix II at Council of Europe. Accessed 9 October 2006.
Sub-espécies Sub-espécieAutorDistribuiçãoV. l. gaditanaSaint-Girons, 1977Sul de Espanha e Portugal, Marrocos, Argélia, Tunísia.V. l. latasteiBoscá, 1878Maior parte da Península Ibérica.
Em Portugal Esta espécie, que em Portugal pode ser encontrada em várias zonas, habita de preferência nas serranias. Consta da área do Parque Natural de Montesinho, Serra de Montemuro e Serra da Estrela, Serra do Espinhal (Penela), com lugar de destaque entre os répteis que aqui se podem encontrar. No Nordeste Trasmontano, está presente também na toponímia, com a aldeia de Campo de Víboras.
Veneno O seu veneno é proteolítico, podendo ser perigoso, sobretudo para crianças e idosos.
Ver também Lista de répteis de Portugal
Referências
Categoria:Vipera Categoria:Répteis da Península Ibérica Categoria:Répteis descritos em 1878