A revolta no Cuzistão em 1979 foi uma das insurreições de âmbito nacional no Irã que eclodiu na sequência da Revolução Iraniana. Os distúrbios foram alimentados pelas exigências árabes de autonomia. Ward, p.231-4 A revolta foi efetivamente reprimida pelas forças de segurança iranianas, resultando em mais de uma centena de pessoas de ambos os lados mortas.
Antecedentes Os árabes do Irã estão em grande parte concentrados na província do Cuzistão e numeram entre meio milhão a 2 milhões. J. Lorentz, 1995, p.172. No Cuzistão, os árabes têm formado um grupo étnico dominante em Shadegan, Hoveyzeh e Susangerd, uma maioria em Mahshahr e Khorramshahr, uma minoria em Abadã e, juntamente com os persas, os árabes são um dos dois principais grupos étnicos em Ahvaz. Iran Overview from British Home Office
Dentro do Irã, a relação comunitária entre a maioria persa e as minorias étnicas parece ter mudado quando a República Islâmica foi criada em 1979. Em parte, isso foi resultado da identificação da comunidade persa com o Estado islâmico. Iran: Ethnic and Religious Minorities
Historia Na sequência dos acontecimentos da Revolução Iraniana, guerrilhas marxistas e partidos federalistas se revoltaram em algumas regiões que compreendem o Cuzistão, o Curdistão e Gonbad-e Qabus, o que resultou em confrontos entre vários grupos rebeldes e as forças revolucionárias. A maior rebelião pelos curdos se desenrolou no oeste (Curdistão iraniano), embora o Pasdaran também confrontou com árabes, turcomanos e balúchis. Estas revoltas começaram em abril de 1979 e duraram dentre vários meses a um ano, dependendo da região. Nos primeiros dias do conflito comunitário, o regime contou com voluntários das comunidades persas e azeris para enfrentar as rebeliões dos curdos, baluchis e turcomanos. No final de abril e em maio 1979, os árabes do Cuzistão começaram protestos contra a discriminação, o que levou o regime a enviar unidades do Pasdaran para auxiliar o pessoal da marinha e da força aérea já implantada (em Khorramshahr) para conter a violência. De acordo com a edição do EIR News Service a partir de dezembro de 1979, enquanto que "metade do Irã" estava em rebelião, a situação na província do Cuzistão já tinha se acalmado, apesar de tribos árabes sunitas e bakhtiari estarem supostamente em desacordo com o regime de Khomeini.
Consequências Uma das conseqüências da revolta árabe no Cuzistão foi o cerco da embaixada iraniana que ocorreu de 30 de abril a 5 de maio de 1980, após um grupo de seis homens armados invadirem a embaixada iraniana em South Kensington, em Londres. Os militantes tomaram 26 pessoas reféns – principalmente funcionários da embaixada, mas vários visitantes e um agente da polícia, que estava protegendo a embaixada, também foram retidos. Os sequestradores, membros de um grupo em campanha para a autonomia da província do Cuzistão do Irã, exigiu a libertação de prisioneiros árabes de prisões no Cuzistão e o seu próprio trajeto seguro para fora do Reino Unido. O governo britânico rapidamente decidiu que a passagem segura não seria concedida, e um cerco se seguiu. Durante a invasão de 17 minutos, o Serviço Aéreo Especial (SAS) resgatou todos, menos um dos reféns restantes, e matou cinco dos seis terroristas. Os soldados posteriormente enfrentaram acusações de que eles desnecessariamente mataram dois dos terroristas, mas um inquérito sobre as mortes eventualmente absolveu o SAS de qualquer delito. O terrorista sobrevivente foi processado e cumpriu 27 anos em prisões britânicas.
Mais tarde, em 1980, a província do Cuzistão tornou-se cenario central da Guerra Irã-Iraque, que conduziu ao obscurecimento de um conflito interno, apesar das esperanças iraquianas de incitar uma rebelião em larga escala por árabes sunitas do Cuzistão, que eventualmente se tornou imprecisa. Karsh, Efraim The Iran-Iraq War 1980–1988, London: Osprey, (2002): page 27. A anexação da província do Cuzistão, na verdade estava entre as quatro metas principais da invasão iraquiana do Irã em 1980.
As tensões entre o governo iraniano e a população árabe do Cuzistão tem esporadicamente estourado em violência nas próximas décadas. Em 2005, violentos distúrbios eclodiram na província, concentrando-se na área de Ahvaz. Como resultado, várias pessoas morreram e detenções de grande escala foram efetuadas pelas autoridades iranianas. Na sequência dos acontecimentos, uma série de atentados ocorreu no Cuzistão e em cidades de todo o Irã, alegando 28 vítimas. A responsabilidade pelos atentados foi reivindicada por separatistas árabes de Ahvaz.
Ligações externas Abbas – Iran, Khuzestan Province. Arab rebellion and oil .1979. Magnum Photos.
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