Escrava Mãe é uma telenovela brasileira produzida e exibida pela Record entre 31 de maio de 2016 e 9 de janeiro de 2017, em 159 capítulos, reabrindo o segundo horário de novelas – inativo desde 2012 – e sendo substituída pela reprise de A Escrava Isaura. Foi a 25.ª novela exibida pela emissora desde a retomada da dramaturgia em 2004. Escrita por Gustavo Reiz com colaboração de Aline Garbati, Camilo Pellegrini, Jussara Fazolo, Mariana Vielmond e Valéria Motta, sob direção de Leonardo Miranda, Régis Faria, Rudi Lagemann e Michele Lavalle e direção geral de Ivan Zettel.

É uma pré-sequência de A Escrava Isaura, de Bernardo Guimarães, que conta a história da mãe da personagem principal. Escrava Mãe foi a primeira telenovela da Record gravada em resolução 4K (UHDTV), um formato superior ao HD usado pelas produções até então, utilizando-se da mesma tecnologia dos filmes estadunidenses. Foi a segunda novela brasileira a ser produzida nessa tecnologia, após o remake de O Rebu, exibido pela Globo em 2014. A trama foi vencedora no Seoul International Drama Awards na Categoria Serial-Drama.

Conta com Gabriela Moreyra, Pedro Carvalho, Thaís Fersoza, Fernando Pavão, Jussara Freire, Luíza Tomé, Zezé Motta e Adriana Lessa nos papéis principais.

Antecedentes thumb|200px|esquerda|Bianca Rinaldi nos bastidores de A Escrava Isaura. Em 1875, Bernardo Guimarães escreveu um romance sobre uma escrava mestiça de pele clara, que foi publicado no mesmo ano pela editora Casa Garnier sob o título de A Escrava Isaura. Guimarães teve reconhecimento pela obra, que foi um sucesso logo após ser publicada, em parte pelo apelo feminino em razão do sentimentalismo do enredo. O livro toca em pontos abolicionistas, que eram controversos na época e é considerado um marco na literatura abolicionista brasileira. Em 2004 a Rede Record transformou a história em telenovela, lançando A Escrava Isaura em 18 de outubro daquele ano. Bianca Rinaldi interpretou a personagem principal numa trama que se passava no século XIX e no tempo da escravidão no Brasil, narrando a história de uma escrava mestiça de pele branca que é criada com uma educação esmerada.

Produção thumb|direita|220px|Fazenda Santa Gertrudes, onde a novela foi gravada. Em fevereiro de 2014, Anderson Souza, diretor de dramaturgia da Rede Record, encomendou duas sinopses de novelas a Gustavo Reiz e Gisele Joras, sendo que um dos dois seria escolhido para liderar a trama que substituiria Vitória em 2015. Em abril a telenovela de Gustavo é aprovada, sendo fundamentada no século XIX com temática escravocrata. Logo após é anunciado que a trama seria um prelúdio A Escrava Isaura, a qual contaria a história da mãe da personagem. Originalmente a telenovela se chamaria Escrava Branca, porém a emissora avaliou que o título poderia gerar alguma controvérsia, mudando o nome para Escrava Mãe. Em novembro o autor começa a escrever a história, entregando os dez primeiros capítulos para análise da diretoria. Após Os Dez Mandamentos ser aprovada para substituir Vitória, a Record decidiu aproveitar a trama de Gustavo para reinaugurar o segundo horário de novelas da emissora, retornando a novela das sete, há anos ocupado por telejornais. A produtora Casablanca foi contratada para produzir a telenovela, tendo todo o trabalho técnico terceirizado e sendo a primeira obra de dramaturgia realizada neste regime, firmando uma parceria entre as duas empresas. As gravações começaram em 21 de maio.

A telenovela utilizou resolução 4K, um formato superior ao HD tradicional de 1080i, tendo uma dimensão de 3840 pixels, a mesma utilizada por filmes de Hollywood para definição em telas de cinema, deixando as imagens com uma roupagem cinematográfica. Foi a primeira produção brasileira dentre todas as emissoras que usaram esta tecnologia. Durante a edição das imagens, a equipe utilizou uma colorização diferente para cada tipo de cena e ambiente, inserindo uma iluminação gráfica própria para as sequências noturnas, além da editar alguns figurinos e acessórios do cenário para sobressaí-los do em determinados situações. A sonoplastia usou artifícios do cinema, montando uma sala especial para produzir efeitos sonoros, incluindo o barulho de pessoas andando na terra e em folhagens, o arrastar de correntes, chicoteadas e o corte da cana-de-açúcar. Estes sons foram inseridos em cima das imagens originais com a finalidade de aprimorar o som captado na gravação original. A intenção era que 70% da telenovela fosse gravada antes da estreia, porém, devido ao adiamento para 2016, a telenovela acabou sendo totalmente gravada antes de sua exibição. Cada capítulo teve valor orçado em R$ 350 mil de produção.

Cenografia e figurinos

A telenovela foi a primeira desde a inauguração dos estúdios RecNov, em 2005, que foi totalmente rodada fora da sede dramatúrgica da emissora. Por se tratar de uma trama de época e rural, as gravações aconteceram no interior do estado de São Paulo, utilizando como cenário externo a Fazenda Santa Gertrudes, em Santa Gertrudes, onde também foi filmada antes A Escrava Isaura, em 2004. As cenas internas foram locadas nos estúdios do Polo Cinematográfico de Paulínia, onde foi erguido uma cidade cinematográfica, incluindo o interior das casas, comércios e presídios. A decisão foi técnica, uma vez que ficaria mais fácil tanto em termos de locomoção para as externas, quanto em custos financeiros permanecer próximo das fazendas do que gravar as internas no RecNov e ter que se deslocar entre os dois estados a cada novo capítulo da telenovela. A decisão também veio em parceria com a administração da cidade de Paulínia, que havia investido em estúdios de alta tecnologia nos últimos anos para que a cidade ficasse conhecida como "Hollywood brasileira" com o tempo, sendo utilizada para gravação de filmes e novelas. O diretor Anderson Souza explicou que era fundamental utilizar como localização o mesmo local onde a história posterior foi filmada: "Vamos gravar na mesma fazenda de A Escrava Isaura. Como a gente vai contar uma história anterior, era fundamental que a gente estivesse lá, na cidade de Santa Gertrudes. Lá é a locação principal da telenovela. Foi isso que nos fez alterar as gravações do Rio de Janeiro para lá".

As cenas dos escravos utilizaram senzalas reais como cenário, que estavam desativados desde os tempos escravagistas. Todo o elenco ficou hospedado durante sete meses em um hotel em Campinas durante a gravação. Apenas o cenário do navio negreiro não foi locado em Paulínia, tendo sido montado nos estúdios da Casablanca na Vila Madalena, em São Paulo, onde as cenas também foram registradas. Algumas cenas aéreas gerais foram gravadas em praias do litoral norte de São Paulo, utilizando o artifício de stock-shots, um plano aberto para situar o público de onde determinada situação está acontecendo. O figurino dos personagens foi rigorosamente criado aos mesmos moldes dos utilizados na época do Brasil imperial. A confecção das peças foi feita na Itália, no ateliê da designer Michele Carragher, a mesma que fornece as vestimentas do seriado estadunidense Game of Thrones.

Escolha do elenco Em 6 de agosto de 2014 foi anunciado que Thaís Fersoza havia sido reservada para a telenovela a pedido do autor Gustavo Reiz, sendo o primeiro nome escolhido. No final daquele ano a emissora começou a buscar um ator português para interpretar Miguel, que vinha de Portugal, visando dar mais autenticidade ao personagem. Pedro Carvalho foi escolhido logo após. Em janeiro de 2015 Ivan Zettel, diretor da telenovela, iniciou as seletivas para escolher a protagonista da trama, selecionando 40 atrizes entre experientes e outras desconhecidas do grande público, mas que vinham de trabalhos pontuais no teatro. Durante um mês as atrizes passaram por diversos testes, que se dividiram em três fases. Em 6 de março Gabriela Moreyra foi anunciada como a escolhida para viver Juliana, após ter disputado a vaga na última etapa com Aisha Jambo, Érika Januza, Naruna Costa e Cinara Leal. Ângela Leal e Paulo Nigro chegaram a ser confirmados no elenco, porém tiveram que deixá-lo antes do início das gravações pelo fim do contrato dos atores, que não foi renovado pela emissora. Paulo interpretaria o professor Átila, que acabou sendo passando para Léo Rosa, enquanto Ângela interpretaria a mãe de Beatrice, papel escrito pelo autor especialmente para ela, que acabou sendo excluído da história.

A personagem Tia Joaquina foi escrita e entregue especialmente a Zezé Motta como uma homenagem do autor aos seus 50 anos de carreira, sendo um dos pilares centrais e fundamentais da trama. Bárbara Borges foi escalada para o papel de Teresa, porém, por ter tido um filho há pouco tempo, a atriz pediu um tempo maior para se dedicar à licença-maternidade antes de voltar às novelas, sendo cedido pela emissora, que escalou Roberta Gualda no lugar. Thaís Melchior chegou a ser confirmada como Filipa, porém a atriz deixou o elenco após o convite de Renato Modesto para protagonizar A Terra Prometida. Juliana Silveira foi convidada em seu lugar, porém foi afastada pela direção da emissora, alegando que ela precisava descansar a imagem, uma vez que a personagem neonazista que tinha interpretado em Vitória ainda era recente – na época a trama estaria em 2015, pouco tempo depois do fim de Vitória. Por fim, Milena Toscano foi confirmada para o papel. Isabel Fillardis chegou a ser anunciada como Condessa Catarina, porém a direção optou por efetivar Adriana Lessa para o papel. Lucélia Santos, que viveu Isaura, a futura filha de Juliana, na primeira versão da telenovela Escrava Isaura foi cogitada para o elenco, mas nunca chegou a ser convidada oficialmente.

Gianne Albertoni e o mexicano Christian Chávez fizeram testes, mas não foram escolhidos. Escrava Mãe foi a estreia de Nayara Justino como atriz após sua passagem como Mulata Globeleza em 2014, a qual acabou sendo demitida pela Rede Globo sob a alegação que era "negra demais" para continuar no posto. Segundo Gabriel Perline, da revista Isto É Gente, a estreia como atriz foi uma redenção após o acontecimento, dizendo que Nayara "roubou a cena" e se mostrou "bastante segura e com uma atuação convincente".

Preparação