Intenção empreendedora pode ser entendido como o nível de vontade que uma pessoa têm de abrir uma empresa. Através desta vontade pessoal, alguns pesquisadores podem prever se esta pessoa está propensa a empreender, ou seja, criar uma empresa.

Definição Intenção empreendedora é um estado de espírito, em que a atenção do indivíduo está dirigida para a criação de uma empresa.BIRD, B.. Towards a Theory of Entrepreneurial Competency. Advances in entrepreneurship, firm emergence and growth, v. 2, n. 1, p. 51-72, 1995. Liñán e Rodriguez (2004) complementam definindo que a intenção é o conjunto de esforços de uma pessoa para realizar o comportamento empreendedor.LIÑÁN, F.; RODRIGUEZ, J.C. Entrepreneurial Attitudes of Andalusian University Studentes. In: 44 th ERSA Conference. Proceedings… 2004. Nessa mesma linha de raciocínio, Liñán e Chen (2009, p.595) afirmam que “a intenção empreendedora é o primeiro passo para o processo de criação da empresa”.LIÑÁN, F.; CHEN, Y. Development and Cross‐Cultural Application of a Specific Instrument to Measure Entrepreneurial Intentions. Entrepreneurship Theory and Practice, v. 33, n. 3, p. 595, 2009.

Estudos sobre a Intenção empreendedora As principais teorias que fundamentam os estudos sobre a intenção empreendedora são as desenvolvidas por Shapero e Sokol (1982)SHAPERO, A.; SOKOL, L. The Social Dimensions of Entrepreneurship. In: Encyclopedia of Entrepreneurship. Englewood Cliffs, NJ: Prentice-Hall Inc. 1982, p. 72-90 e de Ajzen (1991).AJZEN, I. The Theory of Planned Behavior. Organizational behavior and human decision processes, v. 50, n. 2, p. 179-211, 1991.

Teoria do Comportamento Planejado De acordo com o que propõe Azjen (1991), na Teoria do Comportamento Planejado, todo comportamento requer um certo planejamento. A criação de uma empresa pode ser assim prevista de acordo com a intenção adotada por um determinado indivíduo. Assim, segundo este modelo teórico, é possível prever se algum indivíduo vai criar uma empresa no futuro, analisando a sua intenção empreendedora. (AJZEN, 1991).

Teoria da Intenção Empreendedora Para Shapero e Sokol (1982)SHAPERO, A.; SOKOL, L. The Social Dimensions of Entrepreneurship. In: Encyclopedia of Entrepreneurship. Englewood Cliffs, NJ: Prentice-Hall Inc. 1982, p. 72-90.. duas etapas são fundamentais: a desejabilidade e a viabilidade. Estes dois aspectos são interativos. De modo que, se um indivíduo considera que se há viabilidade para iniciar um projeto, a desejabilidade cresce proporcionalmente. Por outro lado, se um indivíduo não está motivado para iniciar um projeto, não considerará sequer a sua viabilidade. Portanto, a desejabilidade é um pré-requisito na avaliação da viabilidade.KRUEGER, N. F. The Impact of Prior Entrepreneurial Exposure on Perceptions of New Venture Feasibility and Desirability. Entrepreneurship Theory and Practice, v. 18, n. 1, p. 5-21, 1993.

Demais estudos Por sua vez, Krueger e Carsud (1993) propuseram um modelo com base nos estudos de Shapero e Sokol (1982) e de Ajzen (1991). Este modelo é composto por três eventos antecedentes, sendo que o primeiro relaciona-se o grau de avaliação pessoal, o segundo volta-se as relações sociais ou crenças normativas, e o terceiro se refere ao controle comportamental.KRUEGER, N.; CARSUD, A. Entrepreneurship Intentions: Applying the Theory of Planned Behavior. Entrepreneurship & Regional Development, v. 5, p. 316-323, 1993. Spencer e Spencer (1993), Davidsson (1995), Autio et al. (1997), Kristiansen e Indarti (2004), Smithikrai (2005), Carvalho e Gonzalez (2006) também desenvolveram modelos sobre intenção empreendedora.SPENCER, L. M.; SPENCER, S. M. Competence at Work: Models for Superior Performance. New York: John Wiley & Sons, 1993.DAVIDSSON, P. Determinants of Entrepreneurial Intentions. In: Conferência Rent IX. Proceedings… Piacenza, Itália, 1995.AUTIO, E. et al. Entrepreneurial intent among students. Testing an intent model in Asia, Scandinavia and USA. In: Frontiers of Entrepreneurship Research, 17th Annual Babson College Entrepreneurship Research Conference. Proceedings … 1997.KRISTIANSEN, S.; INDARTI, N. Entrepreneurial Intention among Indonesian and Norwegian Students. Journal of Enterprising Culture, v. 12, n.1, p.55-74, 2004.SMITHIKRAI, C. Entrepreneurial Potential of Thai University Students. Journal of Social Sciences and Humanities. v. 11, n.3, p. 255-274, Jul./Sep, 2005.CARVALHO, P. M. R.; GONZÁLEZ, L. Modelo Explicativo Sobre A Intenção Empreendedora. Comportamento Organizacional e Gestão, v. 12, n. 1, p. 43-65, 2006. Guerrero, Rialp e Urbano (2006) estudaram como ocorreu a evolução dos modelos de intenção empreendedora na literatura, até este período.GUERRERO, M.; RIALP, J.; URBANO, D. The Impact of Desirability and Feasibility on Entrepreneurial Intentions: A Structural Equation Model. International Entrepreneurship and Management Journal, v. 4, n. 1, p. 35-50, 2006.

Mais recentemente, Linãn e Chen (2009) propuseram um modelo para mensurar a intenção empreendedora e definiram e validaram um instrumento de coleta de dados denominado Questionário de Intenção Empreendedora (QIE).

Black (2012) apresentou, por sua vez, um quadro comparativo entre os modelos encontrados na literatura, com as principais variáveis consideradas em cada um dos modelos, contribuindo sobre esta temática.BLACK, M. M. Exploring The Multi-Focus Influence of Identity on Students’ Entrepreneurial Intent. 2012. Disponível em: <https://shareok.org/handle/11244/7204 >. Acesso em: 12 mar. 2015

Schlaegel e Koenig (2014), em seguida, realizaram uma meta-análise sobre o assunto.SCHLAEGEL, C.; KOENIG, M. Determinants of Entrepreneurial Intent: A Meta-Analytic Test and Integration of Competing Models. Entrepreneurship Theory and Practice. v. 38, n. 2, p. 291-332, 2014.

Liñán e Fayolle (2015), recentemente, apresentaram uma revisão de literatura sobre intenção empreendedora, no periodo de 2004 a 2013.LIÑÁN, F.; FAYOLLE, A. A Systematic Literature Review on Entrepreneurial Intentions; Citation, Thematic Analyses and Research Agenda. International Entrepreneurship Management Journal, Publ. online 12 Jan. 2015.

Por sua vez, também recentemente, Lortie e Castogiovanii (2015) retomam a Teoria do Comportamento Planejado, revisam o assunto e fazem previsões para o futuro.LORTIE, J.; CASTOGIOVANII, G. The Theory of Planned Behavior in Entrepreneurship Research: What We Know and Future Directions. International Entrepreneurship and Management Journal, March, 2015.

Este panorama sobre a evolução da intenção empreendedora mostra que o assunto tem sido foco de interesse e de estudos ao longo do tempo, evidenciando sua importância no cenário dos estudos do empreendedorismo.

Empreendedor Atualmente, não existe uma definição específica para a palavra “empreendedor” e, consequentemente, seu significado não apresenta unanimidade entre os estudiosos deste tema.CARLAND, J.; W.; HOY, F.; CARLAND, J. C. Who Is An Entrepreneur? Is A Question Worth Asking. American Journal of Small Business, n.12, p. 33-39, 1988. E, por conta desta indefinição, existem ainda inúmeros significados ou explicações para este termo. Octício (2012, p. 14) apresenta uma revisão de definições para o termo empreendedor, ampliando o entendimento do assunto. Todavia pode significar a criação ou implementação de novos negócios ou mudanças em empresas já existentes. OCTÍCIO,T.A.A.. Intenções e Comportamento Empreendedores entre alunos Universitários, 2012. Tese de Doutorado. Instituto Superior Técnico.

Ver também Empreendedorismo Empreendedorismo social Empresa Empresário Negócio

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