San Pellegrino in Vaticano ou Igreja de São Peregrino no Vaticano é um antigo oratório na Via dei Pellegrini, no Vaticano, e dedicada a São Peregrino de Auxerre, um padre romano nomeado pelo papa Sisto II e martirizado na Gália no . É uma das igrejas mais antigas do Vaticano.

A igreja foi construída pelo papa Leão III por volta de 800 e recebeu o nome de "San Pellegrino in Naumachia", uma referência à naumaquia construída a noroeste do Castel Sant'Angelo e dedicada pelo imperador romano Trajano em 109. No , o papa Clemente X cedeu a igreja para a Pontifícia Guarda Suíça, que a utilizou para seus serviços religiosos, juntamente com Santi Martino e Sebastiano degli Svizzeri, até 1977. Depois da cessão, a igreja caiu em desuso e começou a se arruinar, mas foi restaurada no quando evidências de afrescos do foram descobertos. Com o nome de San Pellegrino degli Svizzeri, foi transformada na igreja nacional da Suíça.

A igreja atualmente serve como capela para a Pontifícia Gendarmaria e o corpo de bombeiros do Vaticano, sob o comando do capelão da corporação – atualmente o monsenhor Giulio Viviani.

História As origens da igreja são antigas, remontando ao , um fato atestado em diversas passagens do Liber Pontificalis e também em escavações arqueológicas conduzidas pelo monsenhor Anton de Waal em 1888. De Waal descobriu antigas pinturas do e outras dos séculos XIII e XIV. Há uma tradição que conta que Carlos Magno, em sua coroação em 800, deu as relíquias de São Peregrino de Auxerre para esta igreja, a razão de seu nome. Outra razão pode ter sido o serviço prestado pela igreja aos peregrinos (), uma vez que vizinho à igreja estava o Hospitale Francorum, um hospital para peregrinos franceses , e um cemitério.

A igreja originalmente chamava-se San Pellegrino in Naumachia. Uma naumaquia, literalmente "combate naval", é um lago artificial onde batalhas navais eram apresentadas para uma audiência. A "Paixão de Pedro e Paulo", do , reconta a crucificação de São Pedro e acrescenta: "Santos homens...levaram seu corpo em segredo e o depositaram sob um terebinto perto da naumaquia, no local chamado o Vaticano". As ruínas da estrutura foram escavadas em 1743, entre a via Alberico et via Cola di Rienzo. Hülsen sugeriu que esta estrutura, construída perto do Circo de Nero, à noroeste do Mausoléu de Adriano (atual Castel Sant'Angelo), que é posterior, é a naumaquia referida no nome da igreja e chamou-a de "Naumachia Vaticana". Escavações posteriores ajudaram a identificar seu formato, tamanho e orientação. Era uma estrutura retangular com cantos internos e externos arredondados, com 120 metros de largura e, pelas estimativas dos arqueólogos, pelo menos 300 metros de comprimento na direção norte-sul. Esther Boise van Deman identificou o estilo das paredes de tijolo da fachada da naumaquia como sendo da época de Trajano. Em 1932, Jérôme Carcopino relatou a descoberta, entre os Fasti Ostiensi, da dedicação pelo imperador Trajano, em 11 de novembro de 109, de uma naumaquia. Desde então, esta "Naumachia Traiani" tem sido identificada como sendo a mesma "Naumachia Vaticana".

O papa Pascoal I cedeu a igreja ao mosteiro de Santa Cecilia in Trastevere e o papa Leão IX passou para o mosteiro de Santo Stefano degli Abissini. Um documento nos arquivos de Santa Maria in Via Lata, datado de 1030, registra que igreja estava localizada "fora do portão de São Pedro, o Apóstolo, não muito longe da Muralha Leonina da cidade" (). Do em diante, a igreja ficou sob o controle dos cônegos da Antiga Basílica de São Pedro, que promoveram uma reforma em 1590.

Como resultado da Paz de Vestfália (1648), a Pontifícia Guarda Suíça perdeu o direito de enterrar seus membros no Campo Santo Teutônico, no Vaticano, que ficou restrito aos alemães. Eles também perderam o direito de utilizar sua pequena capela em Santa Maria della Pietà in Camposanto dei Teutonici. Em 1653, Johann Rudolf Pfyffer von Altishofen, comandante da Guarda Suíça, obteve do papa Inocêncio X o direito de utilizar a igreja de San Pellegrino e seu cemitério. Ele próprio está sepultado na igreja.

Em 1671, o papa Clemente X cedeu-a definitivamente para a Guarda Suíça, que a utilizou para seus serviços religiosos até 1977 em conjunto com Santi Martino e Sebastiano degli Svizzeri. O cemitério suíço está atrás da igreja. Por séculos, membros da Guarda Suíça foram enterrados na cripta da igreja.

Arquitetura As partes mais antigas do edifício atual datam do . A igreja recebeu muitos elementos decorativos novos entre os séculos XII e XVIII. Entre os séculos XIII e XV, diversos papas, como Inocêncio III, Gregório IX, Bonifácio IX e Nicolau V demonstraram um interesse especial pela igreja.

Exterior A Guarda Suíça encomendou, em 1671, a fachada da igreja, em estilo neoclássico. É uma fachada simples com um par de de colunas duplas dóricas sustentando um entablamento coroado por um frontão triangular. O grande nicho de topo arredondado sobre a entrada abriga uma estátua de São Peregrino.

Interior

Os túmulos dos antigos capitães da Guarda Suíça também ficam na igreja. No interior estão restos de alguns antigos afrescos, incluindo um "Cristo Pantocrator". Do edifício original, apenas a abside estava decorada com afrescos.

O teto da igreja foi decorado com caixotões de madeira, populares durante o Renascimento e o Barroco, e provavelmente é do . Entre seus caixotões azuis, verdes e dourados estão inseridos os brasões dos comandantes da Guarda Suíça, como os lírios da família Pfyffer von Altishofen e a flor da família Röist.

Bibliografia

Leitura complementar

Ligações externas

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