A carnitina, L-carnitina ou levocarnitina é um composto quaternário de amónio envolvido no metabolismo da maior parte dos mamíferos, plantas e algumas bactérias. Encontrada em quase todas as células do organismo, atua na geração de energia (ATP), a partir de ácidos graxos (gordura). Ela ajuda a melhorar os níveis de colesterol bom (HDL) melhorando o funcionamento do coração e da circulação sanguínea.Brooks H, Goldberg L, Holland R, et al. Carnitine-induced effects on cardiac and peripheral hemodynamics. J Clin Pharmacol. 1977; 17:561-578.
Biossíntese miniaturadaimagem|Biossíntese de carnitina
A carnitina é sintetizada a partir de um aminoácido essencial, a lisina e a metionina, mas necessitando também de ferro e de vitaminas B3, B6 e C.Coelho, Christianne de Faria et al. Aplicações clínicas da suplementação de L-carnitina. Revista de Nutrição. Pontifícia Universidade Católica de Campinas, v. 18, n. 5, p. 651-659, 2005. Disponível em: <http://hdl.handle.net/11449/14099>
Função L-Carnitina é uma substância que intervem no metabolismo da gordura, transportando os ácidos graxos de cadeia longa para a mitocôndria (fonte energética das células), contribuindo assim para a combustão da gordura. O metabolismo das gorduras nas células musculares pode ser melhorado com a ingestão de carnitina. Desta forma, a energia retida pelo músculo é também aumentada. Este composto é um dos responsáveis pela oxidação lipídica, sendo vendido como um suplemento alimentar. Para que os ácidos graxos de cadeia longa atravessem a membrana mitocondrial, para serem oxidados, há o auxílio da carnitina-palmitoil transferase II, cuja concentração pode ser manipulada pela suplementação de carnitina. A carnitina atua na queima de gordura na mitocôndria, gerando energia para o funcionamento dos músculos. Sem carnitina suficiente, a gordura não entra na mitocôndria e pode retornar ao sangue, sob a forma de triglicerídeos. Em indivíduos deficientes de carnitina, a sua suplementação é de grande importância. A interrupção das funções normais da carnitina leva à hepatite, ao aumento da gordura e a sintomas neurológicos. A carnitina é armazenada nos músculos esqueléticos, onde é necessária para transformar os ácidos graxos em energia, para o desenvolvimento de atividades musculares.
Fontes A carnitina é produzida pelo organismo em pequenas quantidades. Esta substância pode ser armazenada pelo organismo através da maior parte do tecido muscular. Uma dieta balanceada permite absorver entre 50 e 100 mg de carnitina diárias. As fontes mais ricas em carnitina são as carnes vermelhas, especialmente a carne de carneiro e veado; em menor grau, as outras carnes e laticínios. Nas dietas vegetarianas, também são encontradas pequenas quantidades de carnitina em fungos, nozes, trigo e arroz.Conociendo la L-carnitina y sus beneficios (2013). https://bellezafemenil.wordpress.com/tag/beneficios-de-la-l-carnitina/ Numa dieta com carnes e produtos lácteos, consomem-se diariamente cerca de 50 a 100 mg de carnitina. Destes valores, cerca de 60% é absorvida, enquanto os suplementos vitamínicos vêm em comprimidos de 250 mg ou 500 mg de L-carnitina, mas apenas 20% é absorvida.PDR Health. L-Carnitine. http://web.archive.org/web/20070508224849/http://www.pdrhealth.com/drug_info/nmdrugprofiles/nutsupdrugs/lca_0060.shtml Também existe na forma injetável de 200 mg e xarope de 100 mg/ml.
História Foi descoberta em 1905 por cientistas russos, tendo sido denominada de carnitina, por derivar do Latim carnis (carne). Gulewitsch e Krimberg observaram que esta substância era essencial para o funcionamento das células musculares e, desde então, foram efectuados inúmeros estudos, até que em 1932 foi estabelecida a estrutura química da L carnitina.
Indicações De um modo geral, a abundante energia que a carnitina ajuda a criar é benéfica a vários níveis. Como actua directamente nos tecidos musculares, este nutriente é utilizado por desportistas porque ajuda a aumentar a resistência, a aliviar a fadiga física e mental, a promover o desenvolvimento da massa muscular, bem como ainda a recuperar de lesões. A carnitina não é tóxica, não causa dependência nem constitui doping, pelo que são já muitos os atletas profissionais que a ela recorrem. A nível do coração, a L-carnitina ajuda a aumentar o rendimento cardíaco, a contracção do miocárdio, a produção de ATP e a resistência do coração ao exercício físico. Ajuda também a diminuir o ritmo cardíaco em situações de stress e, provavelmente, a gravidade do enfarte cardíaco e os sintomas de insuficiência cardíaca e angina de peito. A L-carnitina actua ainda a nível dos triglicéridos, aumentando os níveis de HDL (colesterol bom). Este nutriente é também utilizado em dietas de emagrecimento em combinação com uma dieta pobre um hidratos de carbono, pois ajuda a promover a perda de peso ao transformar os depósitos de gordura acumulados em energia, protegendo ao mesmo tempo o organismo das substâncias nocivas que se libertam durante este processo.
No que diz respeito à saúde do cérebro, a L-carnitina pode ajudar a retardar o envelhecimento dos células cerebrais. É útil também para promover a concentração, a memória e as capacidades de aprendizagem. A nível cerebral, a acetil-L-carnitina – uma forma de L-carnitina – revela-se mais eficaz, pois tem a capacidade de penetrar nas células cerebrais mais facilmente. A L-carnitina é ainda útil a nível hepático, promovendo um melhor funcionamento do fígado, ao aumentar a síntese proteica. Ajuda também a reduzir os problemas de fígado gordo. Este suplemento pode ainda ajudar a melhorar a vitalidade e quantidade do esperma, contribuindo, desta forma, em casos de infertilidade masculina. A L-carnitina também é útil em casos de falta de energia, de excessiva stress, na gravidez e amamentação ou ajudando pessoas saudáveis a manter-se em forma. Para além da L-carnitina em cápsulas ou comprimidos (cerca de 250 a 500 mg diários), pode ainda optar por bebidas, tônicos e xaropes, que incluam este nutriente.
Suplementação Supôs-se também que a suplementação da carnitina ajudaria na performance das atividades de endurance, por aumentar o consumo de gorduras e poupar o glicogênio muscular, porém não há nenhum estudo relacionando a falta de carnitina à fadiga. Além disso, deve-se ter em mente que o mecanismo de fadiga ainda não é totalmente compreendido e a falta de glicogênio certamente não é o único fator envolvido. Apesar de estudos de longa duração terem verificado alterações enzimáticas sugestivas, os únicos casos onde se comprovou a melhoria na performance de atividades físicas foram em condições patológicas, como doenças renais (AHMAD et al, 1991), vasculares (BREVETTI et al, 1988) e síndrome de fadiga crônica.PLIOPLYS et al, 1997
Efeitos adversos Geralmente é bem tolerada. Foram relatados sintomas gastrointestinais leves naqueles que tomaram comprimidos de L-carnitina, incluindo náuseas e vômitos transitórios, cólicas abdominais e diarreia. Fraqueza muscular foi relatada em pacientes com insuficiência renal. Não foram observadas modificações nos indicadores de função hepática nem renal nem nas variáveis hematológicas..Rubin MR, Volek JS, Gómez AL, Ratamess NA, French DN, Sharman MJ, et al. Safety measures of L-carnitine L-tartrate supplementation in healthy men. J Strength Cond Res. 2001; 15(4):486-90.
Críticas Para analisarmos a suplementação da carnitina, devemos começar da ingestão em si. Em primeiro lugar, deve-se ter em mente a enorme distância fisiológica entre a ingestão do suplemento e o aumento de sua concentração nos músculos. É um caminho tão longo e incerto, que diversos autores afirmam que a suplementação de carnitina tem pouco efeito em sua concentração muscular.BASS, 2000; BRASS et al, 1994, VUKOVICH et al, 1994; BARNETT et al, 1994 Em condições normais, a carnitina exógena é quase toda eliminada pela urinaOHTANI et al, 1984 e o pouco que porventura venha a cair na circulação dificilmente entrará no músculo.BRASS, 2000 Além dessas questões fisiológicas, há outras ainda mais obscuras, como a qualidade dos suplementos. A média de quantidade de carnitina nos suplementos analisados era de apenas 52% do informado nos rótulos.MILLINGTON et al, 1993 Apesar de haver inúmeros estudos sobre o uso de carnitina, não é possível dizer que sua suplementação traz benefícios para pessoas saudáveis, sejam estéticos ou de performance.HEINONEN, 1996; BRASS, 2000 O uso de carnitina baseia-se em alguns estudos animais e in vitro,DUBELAAR et al, 1991; BRASS et al, 1993 não havendo possibilidades de extrapolação em humanos. Faltam pesquisas estudando o seu consumo em dietas especiais, como as de pré-competição. Mesmo que se tomassem doses de carnitina verdadeira e ela de fato chegasse ao músculo, considerando pouca perda de carnitina, pois cerca de 90% dela é reabsorvida pelos rins, conclui-se que deficiências na quantidade de carnitina são raras, sendo vistas apenas em algumas doenças incomuns. Por esses e outros fatores, não há como se afirmar nada positivo em relação ao uso de uso de carnitina com fins estéticos. Embora o metabolismo anormal da carnitina esteja associado à diabetes e Alzheimer, não existe evidência de que L-carnitina previna essas doenças. Pesquisas em andamento podem demonstrar algum benefício da suplementação com L-carnitina. O trabalho com modelos animais diabéticos, demonstrou uma função cardíaca melhorada com administração de L-carnitina parentérica.
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