upright=1.2|miniatura|direita|290px|A primeira Missa no Brasil, quadro de Victor Meirelles (1860). Santa Missa, também chamada Celebração da Eucaristia ou Divina Liturgia, é a principal celebração religiosa das Igrejas Católica e Ortodoxa, sendo igualmente celebrada, com diferentes compreensões teológicas e ritos próprios, em diversas tradições anglicanas, luteranas e em outras comunidades reformadas.
Para essas igrejas, a celebração eucarística cumpre o mandamento de Cristo na Última Ceia, quando ordenou: “Fazei isto em memória de Mim”. Na perspectiva católica e ortodoxa, bem como em parte do anglicanismo e do luteranismo, trata-se do sacramento no qual se recebe o Corpo e o Sangue de Cristo sob as espécies do pão e do vinho. A celebração atualiza sacramentalmente o Mistério Pascal, isto é, o sacrifício redentor de Cristo na cruz e sua ressurreição, tornando presente a graça da salvação ao longo dos séculos.
Na Igreja Católica, a Missa pode ser celebrada todos os dias do ano, exceto na Sexta-feira Santa, dia em que a Igreja se une de modo particular à Paixão de Jesus. Os fiéis são chamados a participar da Missa aos domingos e nas solenidades de preceito, em conformidade com a disciplina eclesial.
A Missa dominical possui especial destaque, pois celebra semanalmente o Dia do Senhor, memória da Ressurreição. Ao longo do Ano Litúrgico, a forma mais solene e rica da celebração é a Vigília Pascal, realizada na noite do Sábado Santo. Esta vigília possui estrutura própria e é considerada a mãe de todas as celebrações litúrgicas, marcando a passagem das trevas para a luz e introduzindo a alegria da Páscoa.
Significado Os primeiros cristãos se encontravam no sábado, ao cair da tarde, para a vigília pela qual se preparavam, por meio de preces e da recitação de salmos, para celebrar a ressurreição de Jesus. A Celebração Eucarística iniciava-se à meia-noite e encerrava-se ao início da manhã. A atual vigília pascal ainda é uma reminiscência dos rituais apostólicos.S.S. PAPA BENTO XVI. Exortação Apostólica Pós-Sinodal SACRAMENTUM CARITATIS. Libreria Editrice Vaticana, 2007.
Para finalizar a cerimônia, o diácono proclamava: Ite, missa est. O termo "Missa", com o qual se denomina atualmente a Celebração Eucarística, tem aí sua origem. O ite missa est proferido pelo diácono era um verdadeiro mandato, cumprido zelosamente no dia a dia, muitas vezes com o sacrifício da própria vida, pautado na passagem de Romanos 12,1 : "Eu vos exorto, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, a oferecerdes vossos corpos em sacrifício vivo, santo, agradável a Deus: é este o vosso culto espiritual." Assim, o termo "Missa" vem de missão, uma vez que, para os primeiros cristãos e para os cristãos católicos e ortodoxos, o culto prestado a Deus é a vida em ação de graças.
A Santa Missa, ou Celebração Eucarística, é um ato solene com que os católicos (romanos, coptas e ortodoxos) celebram o sacrifício de Jesus Cristo na cruz e Sua Ressurreição. O ritual da Missa revive dois momentos da Paixão de Cristo : A Última Ceia, quando Jesus celebra o Pessach, pronunciando a bênção sobre o pão e o vinho, antecipando o seu sacrifício da Cruz e concretizando o desejo de perpetuar a sua presença junto dos discípulos e se põe em lugar do cordeiro sacrificado em memória da libertação do povo hebreu da escravidão do Egito através das obras divinas (ver dez pragas do Egito); e a Crucificação quando Jesus se oferece como cordeiro puro e imaculado para o sacrifício expiatório dos pecados de toda a humanidade,S.S. PAPA BENTO XVI, Audiência Geral Catequética; Praça São Pedro, Cidade do Vaticano, em 20 de abril de 2011. sela a Nova Criação. Por isso também se diz que a Santa Missa é sacrifício incruento, é ritual de sacrifício de uma vítima expiatória, que carrega para si as penas e os pecados daqueles que o oferecem, mas sem derramamento de sangue. Assim, pelo mistério da ordenação de Cristo que mandou os cristãos celebrarem este mistério e fundamentado no ensinamento da sinagoga (João 6, 54-58), o sacrifício da Missa é, para os cristãos, o mesmo sacrifício da Cruz.
Segundo a Igreja Católica, os Milagres Eucarísticos, como o de Lanciano e outros, fundamentam a tese do sacrifício eficaz e da transubstanciação.
Diversidade de ritos e base comum thumb|300px|right|A Última Ceia. Leonardo da Vinci, século XV
Dentro da Igreja Católica, assim como entre os ortodoxos, existem diversos ritos litúrgicos, e cada um deles tem uma forma diferente de celebrar a Eucaristia. As diferenças entre ritos por vezes são pequenas (no caso de ritos da mesma família litúrgica), mas são maiores quando se comparam ritos de famílias litúrgicas diferentes, sobretudo entre oriente e ocidente.
No entanto, há algo que é comum a todos os ritos, uma base ritual que todos mantêm: a celebração é presidida por um padre, presbítero ou bispo; há uma Liturgia da Palavra em que se leem passagens bíblicas; durante a celebração são consagrados pão e vinho, que para cristãos se tornam no Corpo e Sangue de Cristo, através da transubstanciação; essa Consagração dá-se durante uma oração mais longa, conhecida por anáfora ou Oração Eucarística ou "Cânon", em que se invoca o Espírito Santo, se faz memória dos acontecimentos da salvação e se oferece o pão e o vinho; o presidente da celebração, assim como os fiéis presentes, comungam o pão e o vinho consagrados.
A acção realizada é a mesma em todos os ritos, mudam apenas alguns gestos e as formas de os realizar, as palavras que os acompanham e a estrutura da celebração.
A celebração da eucaristia no rito romano O rito romano é o rito mais difundido em todo o mundo católico, e o mais geralmente conhecido, embora, como vimos, existam vários outros ritos reconhecidos.
A missa tem dois grandes momentos, a Liturgia da Palavra e a Liturgia eucarística, precedidas por Ritos iniciais e seguidas pelos Ritos de conclusão.
A celebração da missa no rito romano rege-se actualmente pelo Missal Romano ex decreto sacrosancti Oecumenici Concilii Vaticani II instauratum, quer dizer revisado em 1970 de acordo com os decretos do Concílio Vaticano II, e revisto em 1975 e em 2002, mas cada bispo diocesano tem autoridade de decidir se e quando pode ser oportuno conceder a título de exceção o uso da forma anterior às reformas litúrgicas do Concílio Vaticano II.Traditionis custodes, artigos 1 e 2 São revogadas as normas, instruções, concessões e costumes anteriores que se verifique não estarem conformes a quanto disposto no Motu Proprio Traditionis custodes do 16 de julho de 2021.Traditionis custodes, artigo 8
As regras actuais para a celebração da missa, bem como a explicação do significado de cada um dos seus momentos, podem encontrar-se na Instrução Geral do Missal Romano.Instrução Geral do Missal Romano
Ritos iniciais thumb|300px|right|Procissão de entrada
Reunida a assembleia que vai participar na missa, o presidente da celebração (um presbítero ou um bispo) dirige-se para o presbitério com os outros ministros e acólitos. Saúda o altar com a vénia, inicia a missa com o Sinal da Cruz e saúda a todos os presentes.
Segue-se o acto penitencial, em que todos os participantes pedem a Deus o perdão por seus pecados, para melhor celebrarem a Eucaristia. Para isso, utiliza-se a Confissão ou outro texto. Segue-se o Kyrie, tríplice invocação a Cristo.
Nos domingos (excepto no Advento e na Quaresma), solenidades e festas, reza-se ou canta-se o Hino de Louvor (Glória a Deus nas alturas).
Por fim, o presidente convida todos à oração dizendo Oremos e diz a oração coleta.
Liturgia da Palavra
A Liturgia da Palavra centra-se na proclamação, escuta e meditação da Palavra de Deus contida na Bíblia.
Apresenta a seguinte estrutura, nos domingos e nas solenidades:
Primeira Leitura - Leitura do Antigo Testamento (no Tempo Pascal, dos Actos dos Apóstolos); Salmo Responsorial, versículos dum Salmo intercalados por um refrão, dito por todos; Segunda Leitura - Leitura do Novo Testamento; Sequentia ao Evangelho (em ocasiões solenes); Aclamação ao Evangelho: Aleluia (ou outro texto, na Quaresma); Leitura do Evangelho; Homilia, feita pelo presidente da celebração; Profissão de fé (recitando o Credo); Oração dos fiéis, também chamada Oração universal ou Preces dos Irmãos.
Nos outros dias que não domingos e solenidades, fazem-se apenas duas leituras, uma do Antigo ou do Novo Testamento e uma do Evangelho. A Homilia é opcional, assim como a Oração dos fiéis, e geralmente não se faz a Profissão de Fé.
O lugar próprio de proclamação das Leituras, do Salmo responsorial e da Oração dos fiéis é o ambão. As leituras são proclamadas por um leitor, excepto o Evangelho, que o é pelo presbítero ou, preferencialmente, por um diácono. Na falta de ministros idóneos, o próprio presidente da celebração assume essas funções.
Liturgia eucarística
Liturgia Eucarística, ou Rito Sacramental, é a parte mais importante da Missa, do ponto de vista litúrgico, pois contém a sua parte central, a Consagração (oferta e Comunhão do Pão e do Vinho). Onde o pão e vinho, segundo a fé católica, se tornam o Corpo e Sangue de Jesus Cristo.
Ofertório
Após a Oração dos fiéis, são trazidos ao altar o pão e o vinho, podendo ser também trazidas ofertas para a Igreja ou para os necessitados.
Tomando o pão e depois o vinho, o presidente da celebração apresenta-os a Deus, dando graças por esses dons. Pede a Deus a purificação, pelo acto simbólico de lavar as mãos. Por fim, pede a oração de todos para a acção que se vai seguir e proclama a oração sobre as oblatas.
Prefácio
O sacerdote diz então o Prefácio, que começa com um diálogo entre o presidente e a assembleia. Segue-se o texto do prefácio, variável, que é uma oração de Ação de graças, terminando com a aclamação Sanctus, cantada ou proclamada por todos.
Oração eucarística thumb|300px|right|Papa Bento XVI consagrando a hóstia na cerimônia de canonização do frade brasileiro Frei Galvão
Segue-se a parte central da Missa, a Oração Eucarística, também chamada Cânon ou Anáfora. Em todos os ritos há diversos textos aprovados para este momento.
Após umas palavras de ligação mais ou menos longas (chamadas Post Sanctus ou Vere Sanctus), o sacerdote invoca o Espírito Santo sobre o Pão e o Vinho, pedindo que Ele o transforme no Corpo e Sangue de Cristo, momento conhecido por Epiclese ou Transubstanciação.
É então o momento da Consagração, em que o sacerdote reproduz as palavras e os gestos de Jesus na Última Ceia. Segundo a fé da Igreja, neste momento Cristo torna-se realmente presente no Pão e no Vinho. O sacerdote eleva cada um dos dons para adoração dos fiéis, adora ele mesmo e no fim todos aclamam.
Segue-se a anamnese, memória dos acontecimentos da Salvação (nomeadamente a Paixão, Morte, Ressurreição e Glorificação de Cristo) e a Oblação, oferta do Corpo e Sangue de Cristo como sacrifício de Salvação, à semelhança do sacrifício da Cruz.
Após diversas intercessões pela Igreja (pedindo também pelo Papa, pelo bispo local e por todos os que a servem), pelos defuntos e pelos vivos, fazendo ainda memória da Virgem Maria, dos Apóstolos e dos santos, a Oração Eucarística termina dando glória a Deus, através da chamada Doxologia final.
Estes elementos estão presentes em todos os textos da Oração Eucarística, podendo a sua organização e estrutura mudar apenas conforme o texto empregado.
Rito da comunhão
O sacerdote introduz o Pai Nosso, que todos rezam em conjunto, mas sem o amém ao final da oração, pois o sacerdote continua com o chamado embolismo e, então, todos concluem com o amém.
Segue-se a oração pela Paz, o sacerdote deseja a paz a todos os presentes e, se as circunstâncias o aconselharem, os participantes trocam entre si o gesto da Paz.
O sacerdote parte o pão consagrado, enquanto todos cantam ou recitam o Cordeiro de Deus. Por fim, tomando o Pão e o Vinho, apresenta-os aos fiéis, e todos confessam a sua predisposição para o pecado, mas igualmente a confiança na Misericórdia de Deus.