O missal dos fiéis é um pequeno missal usado pelos fiéis ao assistir à missa. Se distingue do missal do altar, que é de tamanho maior e é destinado ao uso do padre. È chamado em inglês de "hand missal" (missal manual)Everything2 e em francês de "paroissien" (paroquiano).Dictionnaire Larousse

Florescimento do missal dos fiéis

No início do século XX, embora o livro intitulado Missal dos fiéis do monge de Maredsous Dom Gerard van Caloen tenha sido publicado em 1882, Bernard Botte lembra que tais livros não estavam nas mãos de todos: "O missal para os fiéis não existia. Os fiéis podíam mergulhar-se em qualquer livro de orações, seja o que for". [...] Rezamos com o padre apenas depois da missa, quando o celebrante, ajoelhado aos pés do altar, recitou as três 'Ave-Marias' com o 'Salve Regina' e outras orações prescritas por Leão XIII.Bernard Botte, Le mouvement liturgique : Témoignage et souvenirs (Desclée 1972),

Em 1903, em contraste com a participação passiva e muda descrita por Botte, o Papa Pio X em seu motu proprio Tra le sollecitudini declarou que "a participação ativa nos sacrossantos mistérios e na oração pública e solene da Igreja" é a "primeira e indispensável fonte" do verdadeiro espírito cristão.Tra le sollecitudini Este enfoque na participação ativa na liturgia para um uma vida maior no Espírito continuará a estar no centro do movimento litúrgico.Richard R. Gaillardetz. The Cambridge Companion to Vatican II. Cambridge University Press; 2020. p. 176.

Os historiadores consideram como data de saída do movimento litúrgico como movimento e não mais como objeto de estudo acadêmico 23 de setembro de 1909, quando dom Lambert Beauduin apresentou ao Congresso de Mechelen seu relatório sobre a participação dos fiéis no culto cristão.Dom Lambert Beauduin, visionnaire et précurseur (1873-1960): un moine au cœur libre (CERF, 2005), p. 19 Bernard Botte, [https://books.google.com/books?id=0Vp8DwAAQBAJ&pg=PT17 Le mouvement liturgique: Témoignage et souvenirs] 1973. p. 17. Antes desta data, a partir de meados do século XIX os primórdios deste movimento, que vai mudar mentalidades, já exercia a sua influência através das obras de Dom Prosper Guéranger (1806-1875), abade que reabriu a abadia beneditina de Solesmes e autor de O Ano Litúrgico e promotor da unificação da liturgia na França. Porém, a partir de 1909, o movimento não está mais ligado ao culto monástico, especialmente nas comunidades beneditinas da França, Bélgica e Alemanha. Estende-se às paróquias e assume um tom mais pastoral.

Foi de grande importância o "Missal Quotidiano" de Gaspar Lefebvre para uso dos fiéis em latim e em língua vulgar, publicado a partir de 1920 em francês, inglês, espanhol, polonês, italiano e português, com ilustrações de René de Cramer.« La typologie des missels – Les "Dom Lefebvre"», sur le site bdnancy.fr.

Conteúdo

O elemento mais importante dum missal dos fiéis é o texto do ordinário da missa, as partes que variam pouco no decorrer do ano. Não sempre fornece-se uma tradução integral, em consideração do feito que na missa tridentina o padre às vezes lê o texto em grande velocidade.

Além do ordinário da missa (a de todos os dias), o missal dos fiéis conterá para dias particulares os textos do ordinário do tempo (domingos e festas móveis) e dos santos (comum dos santos e festas de santos incluindo as festas de Cristo Rei e dos Mistérios de Cristo e as festas da Santíssima Virgem), das missas votivas e dos defuntos, etc.

Muitos missais dos fiéis contêm tambêm orações para antes e depois da Sagrada Comunhão, orações diárias, a Via Crucis, litanias, partes da Liturgia das Horas (salmos e cânticos), ritos dos sacramentos, hinos, seqüências e motetes, etc."How to Use a Hand Missal", no site de "Nashville TLM (Traditional Latin Mass)"

Declínio do missal dos fiéis

No rito romano da Missa antes do Concílio Vaticano II "a língua vernácula não era permitida nem para a leitura da Palavra de Deus".Alberto Beckhäuser, Sacrosanctum concilium: Texto e comentário (Editora Paulinas 2013), p. 57 Além disso, o padre falou de forma inaudível muito da missa, incluindo as partes mais importantes.

No século 20, o movimento litúrgico encorajou a seguir com atencão o que estava acontecendo em cada momento da missa, en vez de se dedicar às suas próprias orações pessoais. O missal dos fiéis foi-lhes de grande ajuda para este propósito. Não havia outra maneira pela qual os fiéis pudessem saber o que o sacerdote estava realmente dizendo ao ler a Escritura em uma língua que eles não conheciam e em uma voz que não pretendia ser ouvida claramente por eles e especialmente nas muitas orações que ele proferiu silenciosamente.

Depois do Concílio, quase todas as partes da Missa são cantadas ou ditas em voz alta na língua do dia-a-dia. Os próprios fiéis pronunciam as respostas rituais em diálogo com o padre e faziam as aclamações prescritas. Assim não há mais a mesma necessidade de antes para missais individuais.

Os católicos tradicionalistas não abandonaram o uso do missal dos fiéis, por não aceitarem a Missa do Vaticano II como legitimamente católica.http://www.fsspx.com.br/declaracao-sobre-a-missa-nova-e-o-papa/

Além desses grupos, os católicos usam pouco os missais dos fiéis durante a missa, em que ouvem as leituras lidas de uma forma destinada à compreensão imediata e respondem eles próprios às orações. Por outro lado, seu uso não é de forma alguma proibido e pode ser útil. Hoje tais livros são usados más na preparação para a celebração da missa ou para estudo e mais profunda compreensão dos textos bíblicos que na missa os fieles ouviram lidos para eles.Edward McNamara, "Use of a Hand Missal at Mass"

Referências

Categoria:Catolicismo Categoria:Livros religiosos