João Bosco, (Cruzeiro, São Paulo, 16 de dezembro de 1949) é economista, ex-vereador e líder comunitário, servidor público aposentado e político brasileiro, membro do Partido Comunista do Brasil, PCdoB.

Início, Formação e Trajetória de Vida

Filho de Aristides Amâncio da Silva e Maria Chaves da Silva, ambos já falecidos. O mais novo de 6 filhos, ficou órfão de pai aos seis anos de idade. Seus pais eram operários, exerciam a profissão de magarefe em um grande frigorífico da cidade valeparaibana de Cruzeiro/SP.

Com 18 anos de idade deixou a família e a sua terra natal, Cruzeiro/SP e foi, junto com um grupo de amigos, morar em São José dos Campos/SP para estudar na Faculdade de Economia da então Fundação Valeparaibana de Ensino, hoje Univap – Universidade do Vale do Paraíba. Filho de família pobre, pagava as suas despesas com moradia e o ensino noturno com o salário que recebia trabalhando durante o dia, complementado com uma pequena ajuda financeira que recebia ocasionalmente da família, fruto de iniciativa de sua mãe que se cotizava com os parentes, amigos e vizinhos. Por sorte, contava com a boa vontade da direção da faculdade que não lhe cobrava os juros pelas mensalidades atrasadas. Mesmo assim, exercia a sua militância política de oposição ao regime militar na faculdade, onde foi dirigente estudantil do Diretório Acadêmico Campos Sales (Dacs).

Formou-se em 1971 e foi professor assistente em 1974/75, na mesma Faculdade de Economia. Frequentou diversos cursos de extensão universitária, de especialização e aperfeiçoamento em escolas públicas e particulares. Também foi professor da Faenquil – Faculdade de Engenharia Química de Lorena, hoje EEL - Escola de engenharia de Lorena, integrada à USP – Universidade de São Paulo, durante o ano de 1975.

É militante do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), desde a época em que o partido era clandestino. Foi vereador em São José dos Campos/SP durante vinte anos, de 1977 a 1996.

Aposentou-se em 20 de dezembro de 2012, pela Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo - em cujo quadro de pessoal permanente ingressou mediante a prestação de concurso público - após contar com 38 (trinta e oito) anos de serviço público e 7 (sete) anos de serviços prestados junto à iniciativa privada.

Presidência da Conam Participou do congresso de fundação (1982) e foi presidente da Confederação Nacional das Associações de Moradores (Conam), entidade que representa, congrega e unifica a luta das associações de moradores, uniões e sociedades amigos de bairros, vilas, favelas, mocambos, palafitas, cortiços, condomínios e conjuntos habitacionais existentes em todo o território brasileiro, de 1986 a 1989.

Foi eleito durante o 3.º Congresso da Conam, realizado no Ginásio do Estádio Nacional Mané Garrincha, em Brasília (DF) nos dias 21, 22 e 23 de março de 1986 e que contou com a participação de mais de 7.500 delegados com direito a voto de todo o Brasil, representantes de 23 Federações Estaduais e cerca de 4.000 Associações de Moradores.

Como presidente da Conam percorreu a quase totalidade dos estados brasileiros estimulando, organizando e apoiando a luta do movimento comunitário pelo direito do povo à Moradia Digna, pela Justiça Social, pelas Liberdades Democráticas e em defesa da Soberania Nacional.

Durante a sua gestão a Conam teve atuação destacada no processo de elaboração da nova constituição brasileira – a Constituição Cidadã de 1988, oportunidade em que o movimento comunitário, em conjunto com outras organizações da sociedade civil, apresentou Emendas Populares totalizando mais de um milhão de assinaturas, especialmente com o objetivo de assegurar princípios constitucionais consagrando: o direito do povo à Moradia Digna e à Gestão Democrática das Cidades; o Papel Social da Propriedade; Reformas Agrária e Urbana e Democracia Participativa.

Liderança do Movimento Negro Precursor da luta pela igualdade racial em São José dos Campos e Região. Foi fundador e ativista do Movimento Sócio-Cultural da Comunidade Negra de São José dos Campos, nas décadas de 1980 e 1990. No mesmo período, foi um dos fundadores e dirigente da Frenapo – Frente Negra para Ação Política de Oposição. Também militou na Unegro – União dos Negros pela Igualdade Racial.

Autor da Lei n. 4397, de 19 de maio de 1993, que declara Luanda capital de Angola, “Cidade-Irmã” de São José dos Campos.

Foi também o autor do Decreto Legislativo n. 05/1990, que concedeu o Título de “Cidadão Joseense” a Nelson Mandela, principal líder da luta contra o apartheid (odiento regime de discriminação racial que existia na África do Sul) e símbolo da Paz Mundial, que lhe foi pessoalmente entregue pelo Vereador João Bosco quando de sua visita ao Brasil, em Solenidade realizada na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo no dia 2 de agosto de 1991.

Mandatos Eletivos - Vereador Candidato não eleito a deputado estadual em 1986, 1994 e 2002. Foi candidato não eleito a prefeito de São José dos Campos/SP, pela legenda do PCdoB, em 2020. Vereador em São José dos Campos durante quatro mandatos e vinte anos consecutivos, de 1977 a 1996. Em 1976, candidato pelo MDB obteve 1590 votos, ficando em 5º lugar entre os eleitos pela referida legenda. Em 1982, candidato pelo PMDB, obteve 2000 votos, ficando em 11º lugar entre os eleitos pela legenda. Em 1986 candidato pela Coligação União Popular - PMDB-PCdoB, obteve 2768 votos, ficando em 1º lugar entre os eleitos por essa coligação. E, em 1992, foi eleito com 2205 votos pela coligação Frente Brasil Popular - PT-PMN-PSB-PCdoB, ficando em 4º lugar dentro dessa coligação.

Durante os anos de 1983 a 1988, o Vereador João Bosco, seguindo os ditames da sua consciência, destinava de forma voluntária todo o “salário” que recebia mensalmente da Câmara Municipal para o PCdoB. Sobrevivendo nesse período, exclusivamente, com os vencimentos que recebia da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, onde exercia a sua atividade profissional na condição de funcionário concursado. A partir de 1989, seguindo diretrizes partidárias, passou a contribuir para o partido com o equivalente a 70% do que recebia da Câmara Municipal, retendo os 30% restantes para cobrir as suas despesas com o exercício do mandato de vereador.

João Bosco da Silva foi o primeiro vereador do Partido Comunista do Brasil a ser autorizado pela sua direção nacional a assumir pública e formalmente a legenda partidária após o fim do regime de exceção imposto ao país pelo golpe militar de 1964, os demais foram assumindo sucessiva e gradativamente a legenda comunista. O PCdoB precisava avaliar as consequências daquele ato. A cautela era decorrente do fato de que em 1948, encerrando breve período de vida legal, todos os seus parlamentares tiveram o mandato cassado, dentre eles o escritor Jorge Amado e o líder guerrilheiro Carlos Marighella, que tinham sido eleitos com mais outros 12 deputados do PCdoB, em 1945, para a Assembleia Constituinte de 1946.

O Jornal Tribuna da Luta Operária, órgão de comunicação de massa do PCdoB, em sua edição n. 235, período de 23 a 29 de setembro de 1985, em matéria intitulada “Sede e vereador para o PCdoB” assim registrou o fato: “São José dos Campos, 300 mil habitantes, importante centro metalúrgico do Vale do Paraíba, São Paulo, inaugurou sábado dia 14 (de setembro de 1985) sua sede do Partido Comunista do Brasil. Na mesma ocasião, foi anunciada a Comissão Municipal do partido, que inclui oito membros, na maioria operários e moradores da periferia. O Vereador João Bosco, que exerce seu segundo mandato, desligou-se na véspera do PMDB para assumir a legenda dos comunistas, compondo também a Comissão Municipal. Entre os mais de 200 presentes no ato do PCdoB, estavam o vice-prefeito da cidade, Hélio Augusto de Souza (representando o prefeito Robson Marinho), o secretário de governo Carlos Sebbe, o Presidente do PMDB local, Ary Russo, o deputado federal Aurélio Peres, o dirigente regional comunista Antônio Barbosa, o líder da bancada do PMDB na Câmara e outros cinco vereadores, além de dirigentes de sindicatos e associações de bairro.”

O acontecimento mereceu também o registro por parte da comunidade de informações do governo federal, conforme consta em documento com a chancela “Confidencial”, que se encontra em poder do Arquivo Nacional/Coreg-DF, sob o registro ACE n. 17444/85.

Por iniciativa do Vereador João Bosco, guerrilheiros que foram mortos em ação durante a Guerrilha do Araguaia (importante movimento rural de luta armada contra a Ditadura Militar pós 1964, organizado e levado a efeito pelo PCdoB), passaram a nomear ruas dos bairros populares Dom Pedro I e Dom Pedro II, em São José dos Campos/SP. Tais como: Rua HELENIRA RESENDE SOUZA NAZARETH, Rua MAURÍCIO GRABOIS, Rua OSVALDO ORLANDO DA COSTA, Rua CARLOS DANIELE e Rua DIÓGENES ARRUDA,(morto em dezembro/1979).

Além disso, homenageou os principais teóricos do Socialismo Científico: Rua MARX, Rua ENGELS e Avenida LÊNIN.

Também deixou registrado o nome do representante dos comunistas de sua terra natal (Cruzeiro/SP) no congresso de fundação do Partido Comunista do Brasil, em 25 de março de 1922: Rua HERMOGÊNEO FERNANDES DA SILVA.

Homenageou o jornalista e seu contemporâneo de Comitê Central do PCdoB, morto em outubro de 1992, com a Rua ROGÉRIO LUSTOSA.

Homenageou, ainda, os mártires da Chacina da Lapa: Rua ÂNGELO ARROYO, Rua JOÃO BATISTA FRANCO DRUMONT e Rua PEDRO POMAR.

Ao longo de todo o período em que esteve na vereança participou ativamente de importantes lutas políticas, sociais, democráticas e patrióticas do Povo Brasileiro.

Em 23 de setembro de 1984, João Bosco propôs que fosse realizado na capital paulista o primeiro comício da candidatura de TANCREDO NEVES para a presidência da República. A proposta foi feita durante a “GRANDE ASSEMBLEIA POPULAR DEMOCRÁTICA” - levada a efeito pelo PMDB, PTB e PDT com o apoio de partidos que se encontravam na ilegalidade, como o PCdoB e o PCB - realizada no Ginásio de Esportes do Estádio do Pacaembu, na Cidade de São Paulo. O evento contou com um público de mais de 2.500 pessoas. O Serviço Nacional de Informações – SNI/Agência de São Paulo (conforme documento que se encontra arquivado no Arquivo Nacional – coreg/DF, sob n. ACE 16.312/84) assim registrou o discurso que o vereador fez na oportunidade: “... JOÃO BOSCO DA SILVA – vereador pelo PMDB de SÃO JOSÉ DOS CAMPOS/SP, disse que: “Os generais estão se reunindo porque já sabem que estão derrotados, mas mesmo assim, querem dar apoio ao ‘trombadinha MALUF’, mandando recado e intimidando o povo brasileiro”. Propôs que se fizesse no dia 15 Nov 84, um grande comício em SÃO PAULO, cuja proposta mereceu aprovação unânime. FERNANDO HENRIQUE CARDOSO ficou de submeter a proposta à apreciação da Comissão Organizadora.”

Durante os vinte anos de exercício do mandato de vereador, João Bosco foi Vice-Líder do MDB, Líder do PMDB e Líder do PCdoB. Ocupou cargos de relevância nas comissões permanentes da edilidade joseense: 1977/1979 – Presidente da Comissão de Finanças e Orçamento; 1980/1981/1982 – Membro titular da Comissão de Finanças e Orçamento; 1983 - Presidente da Comissão de Finanças e Orçamento; 1983/1984 - Presidente da Comissão de Economia, Finanças e Defesa do Consumidor; 1988 - Membro titular da Comissão de Economia, Finanças e Defesa do Consumidor; 1989/1990 – Vice-Presidente da Comissão de Política Rural e Abastecimento; 1993 - Vice-Presidente da Comissão de Economia, Finanças e Defesa do Consumidor; 1994 - Presidente da Comissão de Economia, Finanças e Defesa do Consumidor; 1995/1996 – Vice-Presidente da Comissão de Economia, Finanças e Defesa do Consumidor. Mandato - Vereador 1977/1982 Projetos Aprovados Lei n. 1728, de 21 de outubro de 1977, autoriza a Prefeitura Municipal de São José dos Campos a celebrar convênio com o Clube de Xadrez, com o objetivo de serem ministrados cursos de xadrez nas Escolas Municipais. Lei n. 1975, de 29 de março de 1978, autoriza o Executivo a instituir o programa "Rua de Lazer".