thumb|right|300px|Idosa iraniana lendo um livroLacuna geracional ou fosso de gerações (em inglês: generation gap) é a diferença de opinião que ocorre nos campos da música, valores, política, etc., que por vezes ocorre entre uma geração e outra, normalmente entre jovens e os seus pais e/ou avós.Generation gap. Encyclopædia Britannica. A teoria sociológica da lacuna geracional nasceu na década de 1960 quando a geração mais jovem (mais tarde conhecida como a geração dos baby boomers) parecia ir contra tudo aquilo em que os seus pais acreditavam, como música, valores, visões políticas e governamentais.
Sociologistas referem-se à lacuna geracional como uma "segregação etária institucional". Os sociologistas dividiram a vida útil em três diferentes níveis: infância, meia-idade e velhice. Normalmente quando algum destes grupos etários está envolvido na sua atividade primária, os seus membros individuais estão fisicamente isolados de indivíduos de outras gerações, havendo pouca interação através das barreiras etárias exceto ao nível do núcleo familiar. Os sociologistas estudam as formas como as gerações se distanciam umas das outras, não apenas em casa, mas também em outras situações sociais como na igreja ou em bares; como, por exemplo, "centros seniores" e "centros jovens". Segundo os sociologistas Gunhild O. Hagestead e Peter Uhlenberg, esta segregação geracional é motivo de grande preocupação porque alimenta o idadismo e "aumenta o risco de isolamento" à medida que as pessoas envelhecem.Hagestead, Gunhild O.; Uhlenberg, Peter. Age Segregation in Society. Cada geração, ao interagir com outra, possui uma vastidão de informação para passar à outra. Por exemplo, as gerações mais idosas oferecem experiência a nível económico e do quotidiano a gerações mais novas, enquanto as gerações mais novas oferecem oportunidade de integração no panorama musical da atualidade e das modas tecnológicas.Generation Gap. Psychology Today.
Distinção entre gerações Há muitas maneiras de fazer distinções entre gerações. Por exemplo, atribuem-se nomes a grandes grupos (baby boomers, geração X, etc.) e cada geração marca as suas próprias modas e tem o seu impacto cultural.
Uso da linguagem As gerações podem ser distinguidas pela forma como usam a linguagem. A lacuna geracional criou uma lacuna paralela na linguagem que dificulta a comunicação intergeracional. Este problema é visível na sociedade, e cria obstáculos quotidianos na comunicação em casa, no local de trabalho e na escola. As novas gerações procuram definir-se como algo que difere do antigo, adotando um novo dialeto e gíria, permitindo a uma geração segregar-se da anterior. "O símbolo mais importante do Homem é a linguagem porque através da linguagem ele define a sua realidade".Citações sobre linguagem e identidade.
Calão (gíria) O calão é um conjunto de palavras coloquiais ou frases, sempre em mudança, que os falantes usam para estabelecer ou reforçar a identidade social ou coesividade dentro de um grupo ou com uma tendência na sociedade em geral.Eble, Connie (1996). Slang and Sociability. À medida que cada geração luta para estabelecer uma identidade única na sua sociedade, e diferente da dos seus predecessores, pode determinar-se que as lacunas geracionais influenciam grandemente a contínua mudança e adaptação do calão. Ainda que muitas vezes o calão seja visto como um dialeto efémero, um suprimento constante de novas palavras é necessário para atender às exigências das rápidas mudanças nas caraterísticas. E ainda que grande parte dos termos do calão tenha um período de popularidade relativamente curto, o calão providencia um rápido e prontamente disponível conjunto de termos no vernáculo, que estabelecem e mantêm as lacunas geracionais no contexto social.
Influência tecnológica Cada geração desenvolve a sua própria gíria, mas com o desenvolvimento da tecnologia, as lacunas de compreensão aumentaram entre as gerações mais novas e as mais antigas. "A expressão communication skills, por exemplo, pode significar, para um trabalhador mais velho, a capacidade de falar e escrever formalmente. Mas para um trabalhador na faixa etária dos 20 anos pode significar conhecimento na área do e-mail e dos instant messengers".Estudo sobre habilidades de comunicação no local de trabalho.
Hoje em dia as pessoas podem ter uma conversa privada numa sala cheia de pessoas graças aos desenvolvimentos no campo das tecnologias móveis e de text messaging. Entre os texters desenvolveu-se uma nova forma de calão ou idioma de texting, à qual os indivíduos que estão fora deste círculo são ignorantes. "Cada vez mais as crianças dependem das tecnologias pessoais para se definirem a si mesmas e para criar círculos sociais fora do núcleo familiar, mudando a forma como elas comunicam com os seus pais. Telemóveis, instant messaging, e-mails e outras tecnologias incentivaram os jovens a criar uma linguagem escrita criativa, peculiar e muito privada. Tal deu-lhes oportunidade de se esconderem à vista de todos. Elas estão cada vez mais ligadas entre si, mas também muito mais independentes."Estudo sobre crianças e tecnologia.
No caso das competências linguísticas como a taquigrafia, um sistema de estenografia popular durante o século XX, tornaram-se obsoletas devido às inovações tecnológicas que ocorreram entre gerações. Gerações mais velhas utilizavam a taquigrafia para poderem tirar notas e escrever mais rápido usando símbolos abreviados, ao invés de escrever cada palavra. Contudo, com as novas tecnologias e teclados, as novas gerações não precisam destas capacidades de comunicação, como a taquigrafia de Gregg. Embora há 20 anos capacidades de comunicação como a taquigrafia fossem ensinadas no secundário, hoje poucos alunos ouviram falar de taquigrafia e ainda menos sabem o que é e para que serve.Gregg, John Robert. Gregg Shorthand.
As transições de cada nível de desenvolvimento do tempo útil de vida permaneceram as mesmas ao longo da história. Os nossos antepassados passaram todos pelos mesmos marcos na sua viagem desde a infância, à meia-idade até à velhice. Contudo, enquanto as etapas continuam as mesmas, como ir à escola, casar, fazer uma família, reformar-se, a viagem pessoal varia não só de indivíduo para indivíduo, como também de geração para geração.Estudo sobre transições de vida entre gerações.
Com o passar dos anos, a tecnologia tem vindo a ser introduzida na vida dos indivíduos em idades cada vez mais jovens. Enquanto os baby boomers tiveram de apresentar a consola Atari e os VCRs aos seus pais, os generation y'ers tiveram de ensinar os seus pais a trabalhar com os equipamentos de DVRs, telemóveis e redes sociais. Há uma grande diferença entre os baby boomers e os generation y'ers no que toca à tecnologia. Em 2011, a Fundação Nacional do Sono conduziu uma pesquisa focada na questão do sono e o uso da tecnologia: 95% da amostra admitiu usar algum tipo de tecnologia na hora que antecede o sono noturno. A investigação e a pesquisa associada foram conduzidas por Michael Gradisar, doutorado da Flinders University na Austrália. O Dr. Gradisar analisou as diferenças nos padrões de sono daqueles que viam televisão ou ouviam música antes de ir para a cama comparativamente com os que utilizavam o telemóvel, videojogos e a Internet.
O estudo analisou baby boomers (idades 46 a 64), generation x'ers (idades 30 a 45), generation y'ers (idades 19 a 29) e generation z'ers (idades 13 a 18). A pesquisa demonstrou lacunas geracionais entre os diferentes tipos de tecnologias usadas. A maior lacuna observada foi entre o envio de SMSs e falar ao telemóvel: 56% dos generation z'ers e 42% dos generation y'ers admitiram enviar, receber ou ler SMSs todas as noites no período de uma hora que antecede o sono, comparado com apenas 15% dos generation x'ers e 5% dos baby boomers. 67% dos baby boomers viam televisão na hora que antecede o sono enquanto apenas 49% dos generation y'ers o faziam. Quando questionada sobre o uso do computador/Internet na hora que antecede o sono, 67% da amostra admitiu usar o computador "algumas vezes por semana", e desses, 55% dos generation z'ers disseram usar a Internet todas as noites antes de dormir.Gradisar, Michael; National Sleep Foundation (2011). Estudo sobre tecnologia e sono.
Intermediação da linguagem Outro fenómeno que ocorre dentro do campo da linguagem e que ajuda a definir as lacunas geracionais ocorre dentro das famílias em que diferentes gerações falam diferentes línguas primárias. De forma a encontrar uma maneira de comunicar no núcleo familiar, muitos usaram a intermediação da linguagem, que se refere à "interpretação e tradução realizadas em situações quotidianas por indivíduos bilingues que não tiveram nenhum treino especial".McQuillan, J.; Tse, L. (1995). Child Language Brokering. Em famílias imigrantes em que a primeira geração fala principalmente a sua língua mãe, a segunda geração fala principalmente na língua do país em que se encontra agora enquanto mantém fluência na língua mãe dos pais, e a terceira geração fala principalmente a língua do país em que vive e tem pouca ou nenhuma fluência na língua mãe dos seus avós, os membros da segunda geração da família servem de intérpretes não apenas para o público em geral como também para o núcleo familiar, aumentando assim as diferenças geracionais e divisões através da comunicação linguística.Estudo sobre famílias imigrantes e linguagem.
Além disso, em algumas famílias de imigrantes e comunidades, a intermediação da linguagem é também usada para integrar crianças nos empreendimentos da família e na sociedade civil. A integração das crianças tornou-se muito importante para criar ligações entre as novas comunidades de imigrantes e a cultura predominante e novas formas de sistemas burocráticos.Estudo sobre integração de crianças imigrantes. Para além disso, também ajuda no desenvolvimento da criança por aprendizagem e imersão.
Postura no local de trabalho O USA Today afirmou que as gerações mais jovens estão a "entrar no local de trabalho diante de uma evolução demográfica e um ambiente de trabalho cada vez mais multigeracional".USA Today. Gerações no local de trabalho. Vários estudos sobre a contratação de empregados demonstram que os interesses partilhados através da lacuna geracional por membros do local de trabalho cada vez mais multigeracional pode diferir substancialmente.Estudos de contratação multigeracional. Por exemplo, 57% dos millennials estão dispostos a considerar seriamente uma oferta de emprego de outra empresa, e 47% iriam procurar ativamente um novo emprego. Em contrapartida, apenas 20% dos trabalhadores mais velhos estão dispostos a considerar uma mudança de carreira, e apenas 12% estão a procurar ativamente um novo emprego. 59% dos millennials dizem que a recessão teve um impacto negativo nos seus planos de carreira, enquanto apenas 35% dos trabalhadores mais velhos se sentem da mesma forma. No entanto, de acordo com os estudos de contratação, trabalhadores mais velhos e as novas gerações de trabalhadores partilham ideias semelhantes sobre uma série de tópicos transversais às lacunas geracionais. Os seus pareceres sobrepõem-se em horas de trabalho flexíveis/acordos, promoções/bónus, a importância da proficiência no uso do computador e liderança. Além disso, a maioria dos millennials e trabalhadores mais velhos gostam de ir trabalhar todos os dias e de se sentirem inspirados a fazer o seu melhor.
Consciência geracional