O Assassinato de Selena, refere-se ao homicídio da cantora Selena Quintanilla, ocorrido no hotel Days Inn, na cidade de Corpus Christi, no Texas, em 31 de março de 1995. O crime foi praticado pela presidente do fã clube da cantora e amiga pessoal Yolanda Saldivar.
Eventos precedentes Vida inicial de Selena e fã-clube Selena nasceu em 16 de abril de 1971 em Lake Jackson, no estado americano do Texas, filha de Abraham Quintanilla Júnior, um ex-músico mexicano-americano, e Marcella Samora Quintanilla, de ascendência cherokee. Ela foi introduzida à música por seu pai, que dizia em entrevistas que viu nela "uma maneira de voltar aos empreendimentos musicais" após descobrir "o tempo e a altura perfeita" em Selena. Quintanilla, Jr. rapidamente reuniu seus filhos em uma banda chamada Selena y Los Dinos, que incluía A.B. Quintanilla III no baixo, Suzette Quintanilla na bateria, e Selena como a vocalista. O grupo rapidamente tornou-se a principal fonte de renda da família, após eles terem sido despejados de sua casa devido a crise do petróleo ocorrida em 1982 no Texas. Quintanilla, Jr. entrou com um pedido de falência depois que seu restaurante mexicano enfrentou problemas financeiros como consequência da crise. A família mudou-se para Corpus Christi, Texas, e o conjunto começou a gravar suas primeiras canções profissionais. Em 1984 a banda lançou seu primeiro álbum, Selena y Los Dinos, sob uma pequena gravadora independente. Abraham queria que seus filhos gravassem canções de música texana — um gênero musical dominado por homens e popularizado por mexicanos-americanos nos Estados Unidos. A popularidade de Selena, como artista solo, começou a crescer após ela conquistar o prêmio de Melhor Vocalista do Ano no Prêmio de Música Tejana realizado em 1987. A cantora conseguiu seu primeiro contrato com uma grande gravadora em 1989, quando assinou com a Capitol EMI Latin.
Em meados de 1991, Yolanda Saldívar, que havia se tornado fã da música texana na década de 1980, foi a um dos concertos de Selena na cidade de San Antonio, Texas. Ela não gostava da artista porque esta venceu prêmios nos quais seus artistas favoritos de música texana estavam concorrendo. Saldívar, no entanto, decidiu "dar uma chance" à Selena depois que sua sobrinha lhe convidou para a apresentação. Depois de assistir ao show, Saldívar tornou-se uma grande fã da intérprete e expressou que havia gostado de sua presença de palco; uma de suas canções favoritas da cantora era "Baila esta cumbia". No dia seguinte, ela procurou notícias relacionadas ao concerto como uma lembrança, mas não encontrou. Saldívar teve a ideia de montar um fã-clube de Selena na área onde morava, uma vez que os jornais não estavam promovendo a cantora. De acordo com o pai da cantora, Saldívar tentou contatá-lo e lhe enviou um total de 15 mensagens, embora ela tenha declarado que havia enviado apenas três. Quintanilla, Jr. falou com Saldívar, que pediu-lhe a permissão de começar um fã-clube em San Antonio. Ele decidiu marcar uma reunião com Saldívar, durante a qual aprovou suas intenções e ambos chegaram a um acordo.
Em junho de 1991, Saldívar tornou-se fundadora e presidente do fã-clube de Selena em San Antonio. Como presidente, ela foi a responsável pelos benefícios dos membros do fã-clube, cobrando uma taxa de 22 dólares para os fãs que recebiam produtos que promovessem Selena, uma camiseta com o nome da cantora, entrevistas exclusivas com a banda, uma ficha técnica sobre o grupo e notificações exclusivas sobre futuros concertos. As arrecadações das taxas eram doadas para as instituições de caridade. Suzette era a pessoa que intermediava os contatos entre Yolanda e a família Quintanilla. Saldívar não conhecia Selena pessoalmente até dezembro de 1991. Saldívar tornou-se amiga íntima de Suzette, e passou a se tornar próxima a família Quintanilla. Até 1994, ela já havia inscrito mais de 8 mil pessoas ao fã-clube. Em seu livro Selena's Secret: The Revealing Story Behind Her Tragic Death, a repórter e apresentadora televisiva María Celeste Arrarás escreveu que Saldívar se tornou a "assistente mais eficiente" que Selena teve. Ela escreveu que as pessoas notavam o quão empenhada Saldívar estava em tentar impressionar a cantora, e que ela fazia tudo que Selena lhe pedia. Uma pessoa disse à Arrarás: "Se Selena dissesse 'pule', [Saldívar] pularia três vezes". Yolanda desistiu de sua carreira como enfermeira de pacientes com câncer terminal e de pessoas com doenças respiratórias, tuberculose e câncer de pulmão e decidiu dedicar seu tempo somente ao fã-clube, embora estivesse recebendo menos do que recebia quando atuava como enfermeira.
Butiques Selena Etc Em 1994, Selena abriu duas butiques equipadas internamente com salões de beleza, chamados Selena Etc., sendo uma em Corpus Christi e a outra em San Antonio. Seu pai apontou Saldívar como uma potencial candidata para administrar as butiques, pois a família viajava muito. Ele acreditou que ela era a melhor escolha devido ao seu bem sucedido trabalho como presidente e fundadora do fã-clube da cantora. A família concordou, e Yolanda tornou-se a gerente do fã-clube e das butiques em janeiro de 1994. Em setembro seguinte, a cantora contratou Saldívar como sua agente registrada em San Antonio. Depois de ser contratada para as butiques, mudou-se do sul de San Antonio para Corpus Christi, para se aproximar de Selena. Em entrevista com o jornal Primer Impacto em 1995, Quintanilla, Jr. expressou que "sempre desconfiava de Yolanda", embora a família nunca tivesse encontrado nada, naquele momento, de estranho em seu comportamento. Mais tarde, Saldívar conseguiu a autorização de assinar e receber cheques e teve acesso à todas as contas bancárias associadas com o fã-clube e as butiques.
Selena deu a Saldívar seu cartão de crédito da American Express, com a finalidade de conduzir os negócios da butiques. Saldívar usou-o cartão para comprar carros Lincoln Town e dois celulares para seu uso pessoal, além de gastar com entretenimento associado e restaurantes de luxo. Ela também alterou as jaquetas da desenhista Ellen Tracy feitas para as butiques, pois sua autoridade com o cartão também lhe permitia fazer isso. Funcionários da Selena Etc. reclamavam que Yolanda sempre estava "boa" quando Selena estava por perto; quando ela não estava, ela os tratavam terrivelmente. Em dezembro de 1994, as butiques começaram a passar por uma crise financeira. As contas bancárias da empresa não tinham recursos suficientes para pagar cheques pedidos pelo banco. O número de funcionários de ambas as butiques reduziram de 38 para 14, principalmente porque Saldívar demitiu aqueles de quem não gostava. Os empregados restantes começaram a reclamar de Saldívar para Selena, mas esta não acreditou que sua amiga faria qualquer coisa para prejudicá-la ou prejudicar seu negócio. Em seguida, os funcionários começaram a reclamar para Quintanilla, Jr., que advertiu à Selena que Saldívar poderia ser uma pessoa perigosa. A cantora, no entanto, não suspeitava de sua amiga, pois seu pai tinha costumava desconfiar de várias pessoas.
Debra Ramirez, prima de Selena, foi contratada para trabalhar nas butiques em janeiro de 1995, e para ajudar a artista a expandir o empreendimento de moda no México. Ramirez desistiu do trabalho em uma semana, dizendo à Saldívar que estava insatisfeita com o fracasso dos funcionários de relatar as vendas. Ela também encontrou recibos relacionados às vendas de diversos itens que estavam em falta nas butiques. Yolanda disse à Ramirez que ela deveria "mudar [seus] negócios" e que não precisava se preocupar. Saldívar e Martin Gomez, desenhista associado de Selena, discutiram diversas vezes, com o desenhista reclamando que Saldívar administrava mal os negócios da cantora. A animosidade de Saldívar e Gomez intensificou durante os desfiles de moda de Selena; o desenhista acusou Saldívar de mutilar (ou destruir) algumas de suas criações originais, e declarou que ela nunca pagava as contas. Gomez disse que Saldívar havia "estabilizado um reinado de terror", e os dois estavam constantemente reclamando sobre o outro para Selena. Yolanda começou a gravar conversas de Gomez, sem que ele soubesse, a fim de convencer a cantora de que o desenhista não queria o melhor para as butiques. Em seguida, Gomez foi rebaixado, já que Selena se convenceu que ela poderia desenhar suas roupas por conta própria. Entre meados de 1994 e 1995, Saldívar viajou muitas vezes para Monterrei, México, para agilizar o processo de abrir outra sede da Selena Etc. Ao visitar a fábrica no México, ela intimidou os funcionários, dizendo a eles para se afastarem da cantora .
Relação entre Selena e Yolanda Saldívar estava recebendo "sinais de afeição [de Selena]", com os quais não estava acostumada. Seu quarto estava coberto com pôsteres e imagens da cantora, velas votivas em chamas e uma estante de vídeos da artista — a qual ela usava para entreter visitas. Em uma entrevista em 1995, repórteres do jornal The Dallas Morning News acreditaram que a devoção de Saldívar em relação à Selena poderia ser uma obsessão. Empregados da Selena Etc. foram informados por Saldívar que ela queria "ser como Selena". Segundo um funcionário não identificado, ela estava "possessiva" por sua relação com a cantora e tentava afastar a intérprete dos outros empregados. O funcionário também acreditou que Saldívar usou táticas para "ter mais controle [dos empregados] e de Selena". Ela disse que sua razão de distanciar os funcionários de Selena foi uma tentativa "proteger" a cantora das "questões mesquinhas" da gestão de suas butiques. Além das responsabilidades de administrar as lojas, Saldívar acompanhou Selena em viagens e tinha a chave da casa da artista.
Quando Saldívar tornou-se uma parceira dos negócios das butiques, sua relação com a cantora começou a decair. Em setembro de 1994, Selena encontrou-se com Dr. Ricardo Martinez, que vivia em Moterrei. Selena queria abrir uma filial da butique na cidade, além de um mercado de massa. De acordo com Martinez, ele tinha contatos no México que poderiam ajudar a cantora a abrir uma loja que não fosse excessiva para ela. Martinez tornou-se um consultor dos negócios de Selena, embora a família da intérprete tenha declarado que ele era apenas um fã que havia posado em diversas fotos com a artista. Saldívar ficou com inveja da dependência de Selena em Martinez, que começou a enviar flores para o quarto do hotel da cantora. Saldívar alertou a intérprete, dizendo-lhe que o médico poderia ter intenções que não fossem profissionais. Selena começou a visitar Monterrei de forma mais frequente, porém disfarçada. Sebastian D'Silva, então assistente do médico, recebeu Selena no aeroporto diversas vezes e disse que notou que a musicista estava usando perucas e usando o sobrenome de seu marido, Chris Pérez, para que as pessoas não desconfiassem de quem ela era. De acordo com Martinez, ele emprestou milhares de dólares para a cantora, pois esta estava com pouco dinheiro.
Término do emprego de Saldívar Em janeiro de 1995, o pai da cantora começou a receber telefonemas e cartas de fãs irritados que afirmavam ter pago suas taxas como membros do fã-clube e não receberam os produtos prometidos. Após diversas investigações, Quintanilla, Jr. descobriu que Saldívar havia desviado mais de 60 mil dolares em cheques falsificados do fã-clube e das butiques. O irmão de Saldívar, Armando, teria supostamente contatado Gomez e "inventado uma história" de que Saldívar estava roubando dinheiro do fã-clube. Em seguida, o médico falou com um dos tios de Selena sobre a ligação, e logo depois, informou Quintanilla, Jr.. Armando declarou que estava zangado com Saldívar sobre um problema que teve com ela e não queria que o problema se tornasse público, vindo a afirmar mais tarde que se sentiu culpado por iniciar o boato. Ele concedeu uma entrevista ao Primer Impacto, onde repórteres descreveram seus comentários como "sem lógica".