thumb|upright=0.6|Estátua em bronze de um Lar thumb|upright=0.6|Augusto com a coroa cívica

Augustais () ou mestres augustais (), na religião da Roma Antiga, eram uma ordem de sacerdotes que presidiam ritos provincianos. Com base em alusões feitas por Horácio, inicialmente sugeriu-se que eram sacerdotes nomeados pelo imperador Augusto nos municípios para o culto dos lares e penates. Porém, estudos mais recentes tem desacreditado esta interpretação, optando pela hipótese de que, na verdade, eram indivíduos dedicados ao culto, ainda em vida, do imperador. Por esta época o culto ao príncipe vinculou-se à pessoas privadas, cidades provinciais e colégios sacerdotais existentes, especialmente aqueles dedicados a Mercúrio.

Os augustais foram selecionados dentre os libertinos (libertini). O nome desta ordem ocorre com frequência em inscrições, das quais sabe-se que os augustais formaram, em muitos municípios, um tipo de corporação, nas quais os seis primeiros em importância mantinham o título de "séviros" (seviri). Em cercos lugares por vezes distingui-se os séviros entre "juniores" e "seniores" e em raros casos o número seis não é respeitado, havendo menções a triúnviros e octóviros augustais. A distinção entre os séviros e os demais augustais é incerta. Aparentemente os séviros teriam servido por um ano, fornecendo sacrifícios com suas próprias despesas, e então tornar-se-iam membros vitalícios da ordem sob o nome de augustais.

Essa instituição é inicialmente atestada apenas na Gália e Itália, mas sob imperadores posteriores espalhou-se por todo o império, provavelmente como forma de abrir uma carreira de honra aos libertinos de todos os lugares, que eram propositalmente reprimidos em Roma. Requeria-se uma adequada qualificação, que ia além dos sacrifícios: eles tinham de pagar um valor admissional (summa honoraria) e dar jogos e outros deleites ao povo. Estas taxas de admissão entraram no cofre da municipalidade, e não em um fundo cooperado. Em retorno, eles tinha a distinção da toga pretexta enquanto em ofício, e também podiam ser enterrados nela; a , com um lugar de honra no teatro; e foram acompanhados em ocorrências de Estado por dois lictores portando fasces.

Apesar de alguns estudiosos modernos suporem que os augustais eram magistrados civis, atualmente acredita-se que, na verdade, tinham funções puramente religiosas, como seu ofício, chamado augustalidade (augustalitas), era honorífico e por vezes podia ser inclusive vendido pelos decuriões municipais aos libertinos mais ricos; segundo uma inscrição sobrevivente, o ofício fora concedido a certo indivíduo pelos benefícios trazidos à cidade. Parece que não houve um número limite de augustais nos municípios e com o tempo todos os libertinos passaram a ocupar essa posição, tornando-se assim uma classe média entre os decuriões (senadores municipais) e os plebeus (munícipes), como a ordem equestre de Roma.

Bibliografia

Categoria:Títulos romanos